Para ajudar Israel acha-se no direito de prender ministros palestinianos, legitimados pelo voto popular. A democracia só serve quando o povo escolhe o que certos democratas querem…
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos. [Bernardo Soares - Livro do Desassossego]
19 agosto 2006
A distância mais curta...
A pouco e pouco a propaganda e o bombardeamento de imagens, opiniões e comentários, bem intencionados ou não, a hiper racionalização e a procura de explicações e fundamentos para tudo, acaba por transformar coisas que, numa visão mais simplista mas, se calhar, mais autêntica, seriam aberrantes, em assuntos triviais, compreensíveis e até aceitáveis, de tal forma que passam a fazer parte dos dados da discussão.
É o que se passa com o conflito entre Israel e o Hezbollah. Na realidade o Líbano tem um exército libanês, mas que não tem qualquer poder de intervenção no sul, território dominado pelo Hezbollah, que a si próprio se apelida de exército de guerrilheiros, não disposto ao desarmamento. E no entanto estamos todos empenhadíssimos em assegurar um cessar-fogo entre Israel, um estado soberano, e o Hezbollah, um grupo de guerrilheiros que se sobrepõem ao exército do seu país, um pseudo país dentro doutro.
Bem sei que tudo é muito complexo, sendo esta uma abordagem demasiado ingénua. Mesmo assim não devíamos nunca esquecer-nos que a distância mais curta entre dois pontos continua a ser a linha recta.
(Entretanto Israel já violou o cessar-fogo e a força multinacional está muito difícil de reunir…)
É o que se passa com o conflito entre Israel e o Hezbollah. Na realidade o Líbano tem um exército libanês, mas que não tem qualquer poder de intervenção no sul, território dominado pelo Hezbollah, que a si próprio se apelida de exército de guerrilheiros, não disposto ao desarmamento. E no entanto estamos todos empenhadíssimos em assegurar um cessar-fogo entre Israel, um estado soberano, e o Hezbollah, um grupo de guerrilheiros que se sobrepõem ao exército do seu país, um pseudo país dentro doutro.
Bem sei que tudo é muito complexo, sendo esta uma abordagem demasiado ingénua. Mesmo assim não devíamos nunca esquecer-nos que a distância mais curta entre dois pontos continua a ser a linha recta.
(Entretanto Israel já violou o cessar-fogo e a força multinacional está muito difícil de reunir…)
18 agosto 2006
Gunter Grass
Günter Grass confessou ter sido voluntário nas SS. Bem, de vez em quando encontramos alguém que definitivamente fez parte do 3º Reich, porque para os incautos, dá a sensação que aquilo foi tudo virtual!
Não me parece estranho que só agora o confesse. A coragem para o assumir é enorme. O que acho pouco edificante é o posicionamento que teve, em termos políticos, durante cerca de 50 anos. Talvez lhe tivesse mais respeito se, mesmo que em silêncio, compartilhasse com os seus compatriotas, e com a restante humanidade, a inexorável tendência para a maldade e para o abismo.
Mais uma vez, a relação entre a essência e a ética do artista, a dádiva à sociedade, e a qualidade e grandeza da sua arte, é questionável, ou mesmo inexistente.
A capacidade de criar beleza não é directamente proporcional à beleza da alma humana. É doloroso e incompreensível, mas é assim.
Não me parece estranho que só agora o confesse. A coragem para o assumir é enorme. O que acho pouco edificante é o posicionamento que teve, em termos políticos, durante cerca de 50 anos. Talvez lhe tivesse mais respeito se, mesmo que em silêncio, compartilhasse com os seus compatriotas, e com a restante humanidade, a inexorável tendência para a maldade e para o abismo.
Mais uma vez, a relação entre a essência e a ética do artista, a dádiva à sociedade, e a qualidade e grandeza da sua arte, é questionável, ou mesmo inexistente.
A capacidade de criar beleza não é directamente proporcional à beleza da alma humana. É doloroso e incompreensível, mas é assim.
Manipulação

Já vários blogues se referiram à efeméride ontem comemorada: o centenário do nascimento de Marcello Caetano.
No documentário que passou na RTP1, de uma forma tosca e pirosa, traçou-se o panegírico de um homem que, apesar das suas com certeza muitas qualidades intelectuais, fica para a nossa história como o continuador de uma ditadura, como o indivíduo que cujas intenções não passaram disso mesmo, de intenções. De um político que não era ingénuo nem impoluto, que não soube ou não quis fazer a transição para a democracia, que manteve a censura e a lei do partido único, que teimosamente e em público defendia a guerra colonial, atacava os seus opositores apelidando-os de anti patriotas, que manipulava a informação.
De uma maneira despudorada tentou fazer-se passar a imagem de um homem desapegado do poder, idealista, um escravo da causa pública, quase subentendendo, por oposição, o regabofe de oportunistas e arrivistas que apareceram após o 25 de Abril.
Já não falo da entrevista à filha, Ana Maria Caetano, conduzida por Judite de Sousa que, tal como sucedeu com a entrevista à irmã de Álvaro Cunhal, foi acéfala.
As pessoas vivem de acordo com o carácter, consciência, personalidade, inteligência e segundo a época, o tempo, o espaço, a moda, as ideologias. Não se prestam favores, nem às suas memórias, nem às memórias colectivas dos povos, alisando arestas, ocultando factos ou apresentando uma realidade distorcida e mais ou menos açucarada. Foi vergonhoso.
Pelo contrário e entre o que li, destaco o artigo de Vasco Pulido Valente no Público que, apesar da acidez e da crueza que lhe são características, é muito bom.
17 agosto 2006
Abandono
Em branco
16 agosto 2006
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