19 agosto 2006

A distância mais curta...

A pouco e pouco a propaganda e o bombardeamento de imagens, opiniões e comentários, bem intencionados ou não, a hiper racionalização e a procura de explicações e fundamentos para tudo, acaba por transformar coisas que, numa visão mais simplista mas, se calhar, mais autêntica, seriam aberrantes, em assuntos triviais, compreensíveis e até aceitáveis, de tal forma que passam a fazer parte dos dados da discussão.

É o que se passa com o conflito entre Israel e o Hezbollah. Na realidade o Líbano tem um exército libanês, mas que não tem qualquer poder de intervenção no sul, território dominado pelo Hezbollah, que a si próprio se apelida de exército de guerrilheiros, não disposto ao desarmamento. E no entanto estamos todos empenhadíssimos em assegurar um cessar-fogo entre Israel, um estado soberano, e o Hezbollah, um grupo de guerrilheiros que se sobrepõem ao exército do seu país, um pseudo país dentro doutro.

Bem sei que tudo é muito complexo, sendo esta uma abordagem demasiado ingénua. Mesmo assim não devíamos nunca esquecer-nos que a distância mais curta entre dois pontos continua a ser a linha recta.

(Entretanto Israel já violou o cessar-fogo e a força multinacional está muito difícil de reunir…)

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