17 julho 2006

Sem fronteiras


Por aqui vamo-nos entretendo com o calor, os exames, as férias, os incêndios. Levando a nossa vidinha, mais ou menos inha, lendo e vendo imagens de destruição a que já nos habituámos.

A banalização do terror e da violência deixa-nos quase indiferentes ao horror de se viver permanentemente ameaçado, fisicamente ameaçado.

Dentro das nossas casas com ventoinhas ou ar condicionado, persianas e cortinas, água canalizada e frigoríficos, é-nos totalmente impossível a abstracção do que será um bairro estilhaçado, a família e os vizinhos mortos, escombros em vez de ruas, sem padaria para comprar pão, sem cama para dormir, sem casa de banho, sem água, sem medicamentos.

À mesa de jantar estremecemos com as imagens, enquanto bebemos uma coca-cola, aplaudimos as declarações dos representantes dos governos, com ar condoído e preocupado, sem nos apercebermos das mães a quem morreram filhos, dos filhos a quem morreram mães, das vítimas desta e de outras guerras, das bombas e dos fanatismos, dos crimes em nome de deus, qualquer que ele seja.

A morte não respeita fronteiras e os filhos de Israel têm intestinos, cérebros e mãos como os filhos de Alá, de Jesus, ou dos homens apenas. Têm medo, e choram, amam e odeiam, adoecem e nascem da mesma forma, têm o sangue da mesma cor e a vida a uma distância de milisegundos de uma bala, de uma pedra, de uma bomba.

(Des)Informar

Vamos habituando os olhos a ler reportagens enviesadas, supostamente mostrando todos os ângulos da questão mas, mais ou menos subtilmente, manipulando, omitindo, dando realce ao que interessa a alguns.

É verdade que os jornalistas são pessoas e, portanto, com toda a legitimidade a defender um ponto de vista, uma ideia, uma fé. Até têm o direito de o fazer em editoriais.

O que já me parece menos claro é que todo um jornal defenda a mesma ideia ou, pelo menos, não publique artigos de opinião, não faça reportagens isentas, não mostre fotografias, não informe.

Vem isto a propósito da informação disponível no Público sobre o recente conflito entre Israel, a Palestina e o Líbano. É absolutamente avassalador o engajamento de José Manuel Fernandes a um dos lados (Israel), de tal forma que títulos, subtítulos e textos estejam compostos com o objectivo de formatar a reacção de quem lê.

Os israelitas matam, os libaneses (ou palestinianos) chacinam. Num dos títulos fala-se da cidade mais tolerante de Israel (Haifa) mas, se lermos o texto, não conseguimos perceber a que tolerância se refere o articulista nem em que critérios se baseia para o afirmar nem, tão pouco, o nome do próprio autor.

Ontem ouvi de passagem, num dos noticiários televisivos, uma intervenção de Zapatero condenando a atitude desmesuradamente bélica de Israel. O Público não se digna, sequer, referir estas declarações.

Melhor que eu, este post demonstra o que quero dizer. De facto ninguém é inocente.

16 julho 2006

Terrorismo de estado


Tenho, e sempre tive, um irresistível fascínio pelos judeus, pela sua diáspora, pelo seu martírio e pela capacidade de sofrer e regenerar que têm.

A sua chegada à Palestina e a fundação de Israel foi dolorosa, para eles e para os palestinianos, que se viram invadidos e espoliados da sua terra.

Nada justifica o terrorismo. Os palestinianos elegeram através de eleições livres, o Hamas. Por muito que doa, são eles, os terroristas, que representam o povo palestiniano.

Depois de declarações inflamadas a afirmar o contrário, o Hamas implicitamente reconheceu o direito à existência de Israel. Quando o mundo parecia respirar de alívio os israelitas, utilizando o pretexto do rapto de 1 soldado, resolveram deitar por terra todas as esperanças e, de uma forma totalmente descabida, desatam a bombardear a faixa de Gaza e agora o Líbano.

Qualquer tentativa de compreensão sobre esta escalada de violência, totalmente protagonizada por Israel, e que pateticamente algumas pessoas tentam justificar, como aconteceu no último “Expresso da meia-noite” (da SIC), é infrutífera.

Israel continua a fazer ouvidos de mercador ao coro internacional que, titubeantemente, o condena. Mas, o que fazer? Israel continua a contar com o apoio incondicional do EUA, naquilo que dizem ser a defesa contra o terrorismo. E como se defendem os palestinianos do terrorismo de estado praticado por Israel?

Politicas

Se António Borges pensa que é assim que se faz caminho para a tão almejada (por si) liderança do PSD, acho que está muito enganado. Ficam-lhe mal estas entrevistas, em que se distancia deselegantemente de Marques Mendes. Já perdeu o barco!

Pelo contrário, Paula Teixeira da Cruz vai tecendo a chegada ao poder e, quanto a mim, lá chegará!

Receita para uma família feliz


Calor, calor, muitíssimo calor. Não apetece fazer nada, muito menos o almoço. Convocam-se todos os membros familiares dispersos pela casa, por mais relutantes que venham, para preparar o cozinhado.

Palavra de ordem: Gaspacho!



  • 8 tomates bem maduros, melhor grandes que pequenos

  • ½ pepino

  • 1 cebola normal

  • ½ pimento verde

  • 1 dente de alho


Descascam-se os tomates, partem-se aos bocados e deitam-se para um copo misturador, ou para um recipiente qualquer onde se possa triturar com varinha mágica, partem-se os restantes legumes da mesma forma (não esquecer de tirar as sementes ao pimento, nem de lavar tudo bem lavado).

Tritura-se tudo bem triturado, papa, juntando água até ficar mais ou menos cremoso, conforme o gosto pessoal. Passa-se o creme por um passador gigante, para tirar os restos de sementes e cascas indesejáveis. Frigorífico ou, se há muita pressa, vários cubos de gelo a substituir a água. Tempera-se como se tempera a salada, com sal (grosso), azeite e vinagre.

Cozem-se ovos (1 por pessoa) e partem-se aos bocadinhos; também se partem aos bocadinhos presunto, cebola, pão, pepino, melão, o que quiserem – é a guarnição.

Serve-se frio numa malga e junta-se uma mistura da guarnição. Come-se e agradece-se aos nossos irmãos ibéricos – OLÉ!

Famílias

Acabei de ler o excelente (como sempre) artigo do Frei Bento Domingues, no Público de hoje, sobre a família, os seus modelos e a sua suposta crise, acabando com uma citação de Laura Ferreira dos Santos, católica e casada há 24 anos com um agnóstico, sem filhos, docente da Universidade do Minho:

  • O meu desejo. Gostava muito que um ou vários dos nossos “dons” bispos casasse, tivesse até um casamento impossível que levasse ao divórcio, que o casal se enchesse de filhos com o mau funcionamento do método das temperaturas, que uma filha “saísse” lésbica, um filho gay e outro transsexual, que uma filha “hetero” abortasse e fosse encarcerada e que uma outra se divorciasse e o pai das crianças não pagasse a pensão. Se, no fim disto tudo, o “dom” anterior não tivesse mudado, ou pelo menos flexibilizado, a sua opinião sobre a família, proporia que fosse estudado pelo António Damásio.

Frei Bento Domingues remata: “Se deixarem as mulheres falar, terão muito que ouvir!”

Brilhante!

15 julho 2006

Avisos

O Sr. Presidente da República, enquanto cumpre zelosamente o seu “roteiro para a inclusão” (quem terá tido a brilhante ideia de pôr Cavaco Silva a condoer-se das criancinhas e das mulheres maltratadas?), vai deixando escapar que o TGV deve ser objecto de GGGRRRAAANNNDDDEEE debate nacional (porque será que me lembro do Jorge Coelho?) sobre o custo/benefício deste projecto.

Muito interessante. Sobretudo porque o Sr. Ministro dos transportes tornou a anunciar o início breve da referida obra...

Das war erst der Anfang - Isto é só o começo

  Isto é só o começo Expresso