24 abril 2006

Diálogo (3)


- Parece que houve mesmo uma revolução, em Lisboa!
- Então?
- Acho que vão libertar os presos! Já se fala no Cunhal! Ouvem-se canções do Zeca Afonso!
- Meu Deus, será?
- Parece que sim…
- Finalmente!

Diálogo (2)


- Houve uma revolução, em Lisboa!
- O quê?
- Estão todos reunidos, lá no comando.
- E o Marcelo?
- Parece que o Tomás está preso. Está tudo muito confuso.

Diálogo (1)

- Parece que houve grande bernarda em Lisboa…
- O quê? Outra vez os militares?
- Sim, mas parece que a coisa está feia…
- Para que lado?
- Não sei.

Desde Abril


Foi em Maio que floresceu Abril
de há tantos anos, quantas são
as pétalas da esperança.

Foi Maio que colheu Abril
de tantos cravos como cruzes
de desenganos.

Foi em Abril que prometemos
Maio, mês início e virginal
de gritos e lágrimas.

É desde Abril que esperamos Maio.

Revolução

Amanhã vou comemorar revolucionariamente a forma como alguns já não precisam de comemorar a revolução. A liberdade permite a pessoas como Alberto João Jardim ter a ousadia e o mau gosto de declarar que não precisa de comemorar o 25 de Abril na Assembleia Regional.

Pois é: só por ter havido uma revolução existe governo regional da Madeira, e Assembleia e também falta de vergonha na cara.

Mas a liberdade é também a liberdade de ser estúpido e dizer estupidezes.

A minha liberdade é saborear estes anos todos de transformação e mudança em que, para o melhor e para o pior, estamos lutando, todos os dias, por aquilo que queremos.

Falta muito, para muitos, mas o caminho faz-se caminhando.

22 abril 2006

Parto


Tudo começa com um grito.
Depois vem o sol e depois as chuvas
e depois um pântano,
onde o amor se afunda.
O tempo passa, o pólen seca, os cabelos
são brancos;
já nada floresce como outrora, clamorosamente,
nos pátios de uma ilha,
nas cidades do mar.
Tudo acaba com um grito
entre murmúrios e cânticos de maternal
solidão –
dar à luz é dar à morte.


(poema de José Agostinho Baptista; pintura de Mamta: root)

Abril como se exige


Mergulhada por três dias na ciência, emerjo com vontade de subjectividade.

A chuva regressou e faz recolher o destapar das roupas e das janelas.

Primavera a sério, Abril como se exige.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...