18 abril 2006

Trabalhar


Braços, terra, papel, violinos,
prolongamentos do corpo,
como dedos, sons ou raízes,
entrelaçadas de nós.


Muito se tem falado sobre o abstencionismo dos deputados da Assembleia da República.

Penso que o problema é mais generalizado, vasto e profundo.

Hoje em dia o trabalho raramente é visto como um dever, como uma contribuição individual para o bem colectivo.

Deixou de ser compensatório, em termos sociais, ser um trabalhador competente, merecedor de confiança. Dá-se importância à remuneração em si, não se dá importância ao facto de ela ser resultado de um qualquer serviço do cidadão. Quase chegamos a pensar que temos o direito de receber um salário independentemente do trabalho que desenvolvemos.

Não se premeia o empenho, o saber, a assiduidade, a partilha de experiências. O trabalho existe no intervalo de todos os outros afazeres.

Penso que a noção de solidariedade ficou restrita à segurança social, às contribuições para as várias associações de apoio a diversos grupos de cidadãos, às pensões de subsistência, aos rendimentos mínimos e às esmolas.

Solidariedade rima com sociedade. Trabalhar é um acto de solidariedade com que, todos os dias, sustentamos a sociedade.

(pintura de Kristina Branch: Men at Work)

Medo

O mundo está perigoso ou, pelo menos assustador.

Será que o Irão vai ser o próximo Iraque? Será que o petróleo vai continuar a aumentar?

Será que o défice em Portugal está a aumentar?

Cada vez mais teremos que olhar para cima e para a frente, encolher os receios, enfrentar o desânimo, as más notícias, recusar o fado.

Todos nós somos responsáveis. Todos temos que nos mobilizar, sem esperar que alguém nos motive.

Todos temos que trabalhar mais, muito mais e melhor.

17 abril 2006

Sabe bem

Agradeço muito a referência feita a este blogue e o mail de encorajamento que recebi.

A semana começa bem!

Apontamentos


Não estarei cá, mas quem estiver e puder, não perca “A Europa Barroca” no Centro Cultural de Belém, a partir de 21 de Abril. Vou roer-me de inveja!

Durante o fim-de-semana li uma entrevista a Marcos Giralt Torrente (no Milfolhas), a propósito do seu novo livro “Os seres felizes”. Li “Paris” e gostei muito. É um livro denso, nocturno, triste, muito bem escrito. É um livro que trata a essência das relações familiares, dos tabus que as enformam e das marcas das mentiras. Estou com enorme curiosidade.

16 abril 2006

Merecido descanso


O Douro, rio, águias e ninhos de cegonhas pretas.

Domingo, chuva e sol. Descanso.

Bom fim-de-semana!

14 abril 2006

Untitled


A um deus desconhecido

Se soubesse por dentro
como se rasga a dor,
transformá-la em gotas
abundantes como a praia,

se soubesse por dentro
como se gasta a alma,
cachos de uvas e pedras
nas crateras do sonho,

se soubesse por dentro
como se ilude a espera,
por barcos e cinzas
nos cabelos do mundo,

remendava longas asas
de anjos caídos e tristes
que por dentro quiseram
negar saber que existes.

(anónimo, sec. XII, escola de Pisa: o beijo de Judas)

13 abril 2006

Pecados


Esta manhã ouvi rádio.

Depois do trabalho vim para casa. Fartei-me de viajar na Internet, onde li muitos blogues e muitos jornais.

Ainda trouxe trabalho para preparar em "power-point", e ainda por cima consultei artigos "on-line". Tudo isto na quinta-feira santa.

Planeio ir trabalhar um pouco amanhã (sexta-feira santa).

Meu Deus, quanto tenho pecado!!

(pintura de Anne Munz: sheep)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...