14 abril 2006

Untitled


A um deus desconhecido

Se soubesse por dentro
como se rasga a dor,
transformá-la em gotas
abundantes como a praia,

se soubesse por dentro
como se gasta a alma,
cachos de uvas e pedras
nas crateras do sonho,

se soubesse por dentro
como se ilude a espera,
por barcos e cinzas
nos cabelos do mundo,

remendava longas asas
de anjos caídos e tristes
que por dentro quiseram
negar saber que existes.

(anónimo, sec. XII, escola de Pisa: o beijo de Judas)

1 comentário:

  1. Hugo Madeira11:23

    Sofia,
    Não me esqueci de modo algum da sua encomenda...
    Boa Páscoa e beijinhos.

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