13 março 2006

Educação artística

Entre 6 e 9 de Março realizou-se em Lisboa a 1.ª Conferência Mundial sobre Educação Artística, organizada pela UNESCO.

Mesmo não sendo especialista na matéria, é de puro bom senso reconhecer que a educação para as artes, a partir da mais tenra idade, é essencial para o desenvolvimento harmonioso de qualquer pessoa, nas suas vertentes cognitiva e emocional.

A introdução nos curricula de todo o ensino obrigatório, desde a pré primária ao 9º ano de escolaridade, de música, pintura, expressão dramática, escultura, dança, e outras valências, que se poderiam estruturar de acordo com as ofertas de cada comunidade educativa, deveria ser um dos objectivos prioritários da política educativa.

Considero estas disciplinas tão importantes como a matemática, o português e as outras disciplinas científicas. Espero que este governo socialista, que tem prestado atenção ao drama do nosso sistema educativo, não se esqueça da educação artística como área fundamental e complementar na formação de todos os indivíduos.

Perguntas ao ministro

Já aqui tenho dito que, por várias razões, a actuação do ministro da Saúde me parece correcta, nomeadamente no que diz respeito ao fecho de unidades hospitalares velhas e anquilosadas, em Lisboa, para construir novos edifícios mais adequados às funções, rentabilizando os terrenos para construção.

No entanto, o artigo de Manuela Arcanjo, no DN de hoje, faz pensar e põe algumas dúvidas que importa esclarecer.

Por outro lado, em relação com a transformação dos hospitais em empresas, primeiro SA e agora em EPE, este artigo do JN de ontem também deixa perguntas no ar que, mais uma vez, seria necessário esclarecer.

Não basta reconhecer ao ministro competência e voluntarismo para acreditar que o que faz está certo. É preciso que o demonstre e que o explique, porque a governação de um país não é uma questão de fé.

(Finalmente aprendi a “linkar”!)

12 março 2006

Untitled


O espírito

Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

(Natália Correia)

Primavera


Dias de glória e prazer,
palavras de luz e de chama
no doce embalo da terra.

O verde e o perfume
inundam a voz das aves,
no manso sabor do poema.

(pintura de Barbara Landstreet: Just When I Thought It Was Spring)

11 março 2006

¡BASTA YA!

Há dois anos assistíamos impotentes, revoltados e atemorizados aos atentados terroristas em Madrid, na estação de Atocha.

Para quem gosta pouco de efemérides, como eu, não pode deixar de assinalar este dia, como mais um em que todos deveriam gritar “¡basta ya!”, e em que a solidariedade e generosidade dos madrilenos foram inexcedíveis.

E em que as mentiras, divulgadas pelos governantes, não venceram tendo, pelo contrário, retirado-lhes o poder.

Preguiça


Estou um pouco abúlica, molenga e ensonada.

Não sei se é do ar viscoso e peganhento, se do rádio roufenho.

Apetece-me e não me apetece.

Vou jiboiar um pouco, com um livro meio aberto e o espírito meio fechado.

(pintura de Rui Zilhão: preguiça)

10 março 2006

Viva a República!


Cavaco Silva é o nosso presidente, democraticamente eleito à 1ª volta. Democraticamente desejo-lhe, e a todos nós, boa sorte e felicidades para o futuro.

Mas ontem, ao ver a enorme fila de ilustres convidados no palácio da Ajuda, à espera de cumprimentar o novíssimo presidente, tive um triste relance do passado, parecendo que tinha recuado uns 12 anos. Bem sei que Miguel Frasquilho não tinha visibilidade há 12 anos (pelo menos para mim), mas é a encarnação de outros iguais a ele.

A sensação de que nada mudou, apagou-se umas horas depois, quando a sensação passou a ser de que tudo tinha mudado... para pior!

Ao assistir à chegada de TODA A FAMÍLIA do novo Presidente ao seu local de trabalho, onde não vai residir, eu própria me envergonhei com a saloiada e a bacoquice desmedida!

A impressão com que se fica é que se elegeu a FAMÍLIA CAVACO para o TRONO da nação.

Eu sou republicana, anti clerical, facção do saudoso Raul Rego, de que Manuel Alegre carrega, agora, o facho!

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...