05 setembro 2026

Façamos diferente


Façamos diferente.

Diferente do aqui e do agora. Levantar.

Ouço, ouço muito. Mas não ouço a minha própria voz.

O ruído ajuda-me a fazer. Diferente?

Não sei ser diferente. Só igual ao que sempre fui.

A diferença está no que já não falta ser. Vai fugindo, desaparecendo.

A poesia é uma boa companhia.

Fala-se muito. Dizem-se coisas. Visíveis.

Veem-se as palavras a saírem das bocas, a chuva de palavras arruinadas e distorcidas.

Nada limpa as palavras ditas. Mesmo que ninguém as ouça.

Pousam nas testas, nas mãos, nos ouvidos, entram pela roupa, pelos poros.

Façamos diferente.

Não temos de ser outra vez. Já basta. Já bastou.

Somos demasiado vaidosos, achamo-nos demasiado indispensáveis.

O diferente é aceitar a inutilidade.

Sejamos indiferentes.

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