23 janeiro 2016

Sementes

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Gowri Savoor


 


1.


Crescemos em poemas trilhados de plenitude


os nossos olhos virados para dentro


nas mãos traçadas de infinito


escolhos do quotidiano embaraços de existir


secretas armas de arremesso


geminadas de contrários tórridos e celestes.


 


Crescemos plenos de incertezas e agruras


na terra as sementes do fortuito desempenho


no amor que espalhamos no amor que trituramos


debulhadas as arestas na suavidade das manhãs


protegidos pela dolência dos poemas


alimento e mortalha da vida que lavramos.


 


2.


Já me atirei contra o tempo


desfeita de névoa e espuma.


Agora encolho e definho


para que o tempo se resuma


e me consuma


no caminho.


 

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