23 outubro 2015

Um dia como os outros (165)

UmDiaComoOsOutros.jpeg


(...) Ou seja: Cavaco não usou justificações democráticas e constitucionalmente sustentadas. Pelo contrário, adotou uma postura autocrática, tornando claro a uma parte do país que o seu voto e ideias cheiram mal - parte do país que, curiosamente, serviu para derrubar em 2011 um governo contra o qual reclamou "um sobressalto cívico". Para Cavaco, BE e PCP só dão jeito para deitar abaixo governos, nunca para os sustentar. E se os portugueses decidiram nas urnas virar a página, Cavaco cá está para lhes emendar a mão. Independentemente da vontade dos eleitores, o homem que ocupa Belém com a mais baixa votação e pior aprovação de sempre quer impor a sua, brandindo, como tantos, de Avillez a Barreto, fizeram nos últimos dias, a sua moca de Rio Maior. Ganha a verdade e a clareza, se tivéssemos dúvidas. Mas alguém devia lembrar ao PR que quem subiu à Fonte Luminosa foi o PS, e Costa esteve lá.


 


Fernanda Câncio

Da Presidencial Instabilidade Institucional

Cavaco Silva é hoje o maior factor de instabilidade política no País. Ao contrário daquilo que deve ser a postura de um Presidente, Cavaco Silva usou o seu lugar e o poder que a Constituição e o voto universal lhe conferem para amplificar as fracturas na sociedade e as tensões partidárias ao recusar liminarmente a hipótese de dar posse a um governo apoiado nos partidos de esquerda Parlamentar.


 


Cavaco Silva, do alto do seu azedume, destilou desprezo pelos partidos e, consequentemente, pelos cidadãos, que não cumpriram os seus desejos. Para Cavaco Silva o PS tinha a obrigação de apoiar e de se comprometer com a coligação de direita. Ignorando as suas próprias palavras, já de si abusivas e desestabilizadoras, de apenas dar posse a um governo com apoio maioritário, destratou institucionalmente o Parlamento, os Deputados e os eleitores que tiveram a ousadia de não concordar com ele.


 


Mais grave ainda, apoucou o País perante o exterior, condenando-o ao descrédito anunciado de uma hipótese executiva fora da sua esfera partidária.


 


Cavaco Silva prestou um péssimo serviço ao País e à democracia. É ele o maior foco de instabilidade nacional. Se, como tudo indica, o governo de Passos Coelho cair no Parlamento e António Costa tiver uma solução maioritária, será que vai manter a sua posição como líder da direita e manter o governo em gestão?


 


É difícil imaginar pior Presidente que este.

22 outubro 2015

Do meu próprio inconseguimento (3)

Perplexidade crescente perante o desenrolar da situação política. Se antes das eleições não sonhava com a reviravolta do PCP e do BE, após as eleições não acreditei na hipótese de uma plataforma de apoio parlamentar a um governo liderado pelo PS, que se referisse a uma legislatura. Estamos a ser surpreendido pelo anúncio de um pré acordo entre o PS, BE e PCP, embora faltem (ainda) os detalhes e as necessárias formalizações.


 


A capacidade que tenho em absorver tanta novidade é limitada, tenho que o admitir. Tanta revolução em menos de 1 mês é difícil de digerir. Não sei muito bem se esta conversão à democracia e aos valores do compromisso da parte do BE e do PCP são mesmo para levar a sério. Não sei muito bem em que condições o PS conseguirá levar a bom porto um acordo com tantas incógnitas e detractores, dentro do próprio PS.


 


Por outro lado, sinto-me bastante desconfortável em ter um Primeiro-ministro que perdeu as eleições e não se relegitima como líder do seu partido. As opções tomadas são todas democráticas e constitucionais, mas seriam mais claras e dar-lhe-iam uma muito maior força política, de que muito necessita, para aguentar um governo de coligação inédito na nossa vida democrática, se fossem confirmadas pelos militantes e simpatizantes do PS.


 


Mais incomodada fico com os ataques viperinos que se fazem aos que, dentro do PS, não concordam com a solução de António Costa, assumindo-o publica e abertamente. Já li acusações ignóbeis a Francisco Assis, por exemplo, apenas porque não acredita nas boas intenções do BE e do PCP, recentemente convertidos à democracia. Convenhamos que há bastas razões para estarmos cépticos e descrentes num governo à esquerda, que não captura e não prenda o PS no seu próprio labirinto.


 


A democracia tem formalidades que se devem cumprir e eu sou totalmente a favor delas - é o partido que ganha que deve formar governo. Depois disso será o Parlamento a decidir e todos assumirão as suas responsabilidades. O agitar dos fantasmas e do regresso ao passado da troika, a fuga de capitais e o pânico das bolsas, são bem uma demonstração do nervosismo da direita.


 


Aguardemos a comunicação do Presidente Cavaco Silva, refém das suas palavras e condições. Enfim, inconseguimentos atrás de inconseguimentos, uma coisa é certa - nada será como dantes.

18 outubro 2015

"Danzón" nº 2 para orquestra


Arturo Márquez


Alondra de la Parra


Orquestra de Paris

The hidden Holocaust

holocaust.png


Holocaust by bullets


 


Acabo de assistir a um programa de reportagem da CBS news, através da SIC notícias. O Padre Patrick Desbois fundou uma organização - Yahad-In Unum - cujo objectivo é procurar os locais de enterramento ou valas comuns, não assinaladas, onde foram enterrados milhares de judeus durante a II Guerra Mundial, nos territórios polaco e da antiga União Soviética.


 


Ao fim de tantos anos começa a falar-se dos segredos proibidos e assustadores do lado negro da humanidade - estes assassinatos em massa não teriam sido possíveis sem a cumplicidade, por acção ou por missão, das populações locais. Assistiam aos massacres com se de um espectáculo se tratasse, levando a família e aproveitando para roubar os despojos.


 


Vale a pena ver e meditar.

17 outubro 2015

Um dia como os outros (164)

UmDiaComoOsOutros.jpeg


(...) A maior das surpresas foi, no entanto, a mudança de atitude dos líderes do PCP e do BE. Antes das eleições, apenas se podia contar com o PS, o PSD e o CDS, os partidos do chamado arco da governação, para a formação de maiorias. Após as eleições, PCP e BE alteraram radicalmente este quadro ao declararem estar disponíveis para, com o PS, formar uma maioria parlamentar e viabilizar um governo de esquerda. Esta mudança alterou a relação de forças entre os partidos e abriu a possibilidade de mais escolhas de governo. (...)


(...) estamos perante uma mudança de fundo no funcionamento do nosso sistema político, e em particular do Parlamento. PCP e BE, por decisão dos seus dirigentes, autolimitavam as possibilidades da sua participação e responsabilização nas escolhas de governo e na governação. Essa não era uma situação normal, nem desejável. No momento em que os líderes partidários declaram a sua disponibilidade para participar plenamente na vida parlamentar, incluindo na constituição de soluções de governo, não tem sentido serem outros a limitar essa participação e a destruir a normalidade agora alcançada. (...)


(...) Cerca de 20% de eleitores, do PCP e do BE, passam a poder ver concretizadas, pelo menos em parte, as propostas políticas dos seus partidos. Estes, por sua vez, passam também a poder ser responsabilizados pelas soluções que preconizam, pelos seus êxitos ou insucessos. (...)


(...) dizer que falta legitimidade ao PCP para participar numa solução de governo porque 90% dos eleitores votaram noutros partidos, exige lembrar que também 90% dos eleitores não votaram no CDS e que tal não foi, nem é, obviamente, impeditivo da sua participação em coligações de governo. Enfatizar as posições críticas do BE e do PCP sobre a União Europeia e o euro exige recordar que também o CDS foi (e não sabemos se ainda o é) profundamente eurocético e isso não impediu que fizesse parte de soluções governativas comprometidas com o projeto europeu. (...)


(...) argumentar que PCP e BE são partidos radicais (de esquerda) requer que se recorde que o Governo que agora cessa funções se deixou capturar por uma agenda ideológica radical (de direita), afastando-se do centro político. (...)


(...) dizer que o PS é mais próximo do PSD do que do PCP ou do BE, e que, portanto, seria mais “natural” uma aliança com a Coligação, esquece os efeitos do afastamento do centro político protagonizado pelo PSD nos últimos anos. O PSD que conhecemos no passado já não existe, está transformado num partido de direita, e já não de centro-direita, radicalizado, que não negoceia nem se aproxima das forças partidárias à sua esquerda. Hoje, exceção feita a alguns dos grandes objetivos macroeconómicos, é quase impossível encontrar pontos de convergência nas agendas políticas dos dois partidos em matérias como a educação, a saúde, a ciência, a proteção social, a modernização administrativa ou o investimento público. Não foi o PS que se tornou mais radical nas suas propostas. O PS mantém, para as principais áreas de política e de intervenção do Estado, uma posição de centro-esquerda. Foi antes a coligação PSD/CDS que se radicalizou à direita alienando o apoio de muitos militantes históricos dos dois partidos e afastando-se de tal forma do centro que tornou praticamente inviável qualquer aliança com o PS. (...)


(...) defender que o PS não tem legitimidade para negociar com outras forças partidárias à sua esquerda porque o seu eleitorado não lhe deu esse mandato, exige que se recorde que ninguém tem o dom de adivinhação das intenções dos eleitores. Apenas existe o dever de, com humildade, as interpretar. Mas uma coisa é certa: António Costa afirmou repetidamente na campanha eleitoral que recusava tanto o prosseguimento de políticas de austeridade como a ideia de que haveria partidos do arco da governação e partidos excluídos do exercício de funções de governo. E coligações pós-eleitorais, que se formaram depois das eleições, sem ser previamente sufragadas, aconteceram já, por mais de uma vez, na história recente do nosso Parlamento. Por exemplo, as coligações de governo PSD/CDS lideradas por Durão Barroso e Pedro Passos Coelho.


 


Maria de Lurdes Rodrigues

15 outubro 2015

A sorte protege os audazes

Parlamento.jpg


 


É nas alturas de crise que podem surgir as grandes rupturas e que se podem afirmar os líderes.


 


Ao contrário do que aconteceu durante a campanha eleitoral em que o PS não conseguiu mostrar fibra, em que a componente do risco esteve arredada das múltiplas intervenções dos protagonistas, António Costa revigorou-se com a derrota eleitoral tomando a dianteira e rompendo o desânimo que se espalhava, ao revelar-se um líder que não tem medo de assumir posições polémicas.


 


No entanto, tal como a sua eleição para Secretário-Geral se legitimou pelo voto de militantes e simpatizantes, penso que o mesmo deverá acontecer com as suas opções estratégicas em relação à hipótese de formação de governo com apoio do PCP e do BE. António Costa deverá fazer aquilo que não fez na noite eleitoral: relegitimar-se e colocar a sua linha de actuação em voto, seja ela à esquerda ou à direita (o que é cada vez menos provável). Só assim poderá calar as vozes de dissidência interna e ganhar fôlego para lidar com um governo em que a instabilidade será, muito provavelmente, a norma.


 


António Costa é audacioso e sabe o que quer pelo que terá toda a vantagem em surgir reforçado perante o partido e perante o País. Convinha ainda que se acalmassem as vozes de indignação e insulto que se têm ouvido em relação aos críticos da plataforma de esquerda. A democracia e a diferença de opiniões não deveria ser apenas uma intenção nuns dias que se esquece de imediato quando dá jeito. As hostes aguerridas compostas por trauliteiros existem em todos os partidos e é com enorme pena que as vejo dentro e à volta do PS, umas demonizando os apoiantes de António Costa,outras - mais ruidosas - fazendo o mesmo a quem o critica.

14 outubro 2015

Das funções institucionais

delegacao ps.JPG


 


A confusão que Cavaco Silva permitiu que se armasse está lançada. Não nos esqueçamos que foi Cavaco Silva que avisou que só daria posse a um governo com maioria absoluta.


 


António Costa está a fazer exactamente o que deve - encontrar uma solução alternativa para um governo que pode querer chumbar na Assembleia da República. O que não significa que a coligação não deva tentar passar o seu orçamento e o seu programa no Parlamento. É aí que os governos se fazem e caem.


 


Ou seja, aguardo que o Presidente indigite Passos Coelho a formar governo para poder assistir à assunção de responsabilidades políticas de todas as forças parlamentares.


 


Não vale a pena argumentarmos que quem votou no PS não votou numa aliança PS/PCP/BE. Na verdade também não votou numa aliança CDS/PSD/PS, muito pelo contrário - António Costa avisou que não aceitava a ideia do arco da governação limitado ao PS, CDS e PSD. Além disso as motivações dos votos não são interpretáveis. As negociações e os compromissos deverão ser feitos com a realidade dos deputados eleitos.


 


Penso que convém mantermos a serenidade tanto à esquerda como à direita. O PS está a fazer o que deve. Espero que o Presidente também assuma as suas responsabilidades e nomeie Passos Coelho como Primeiro-ministro. Caberá à Assembleia da República decidir os compromissos e as maiorias que quer. E se não for possível a solução de um governo minoritário da direita com apoio parlamentar do PS, então deverá ser tentada outra solução à esquerda, caso ela exista.


 


Não me esqueci do passado bastante recente dos dois partidos à esquerda do PS, a esquerda grande, pura e dura, com raízes e posturas antidemocráticas. Mas quando finalmente esses mesmos partidos desenquistam e percebem que têm que evoluir, não me parece lógico não acolher essa alteração. Com cautela e exigindo um verdadeiro compromisso, mas de boa fé.


 


Passos Coelho ficou de tal forma estupefacto que demorou a reagir. Neste momento é claro que rompeu as negociações, recusando-se a responder às perguntas do PS. Terá que ir a jogo, no Parlamento.


 


É isto a democracia: quem ganha as eleições deve tentar formar governo - o Parlamento é soberano.

12 outubro 2015

Chuva

Rain-or-Shine.jpg


Rain or Shnine


Wu Guanzhong


 


 


Longa noite de chuva que abriga corpos


sedentos de intempérie. As mãos que fogem


escondem a cegueira do silêncio


e sensatas recolhem a doce melancolia


presa fácil dos que espreitam pelo dia.

Um dia como os outros (163)

UmDiaComoOsOutros.jpeg


 (...) Se, pela primeira vez em Portugal, a esquerda conseguir entender-se com o pragmatismo que nunca lhe assistiu – ao contrário da direita, que desde os primórdios da democracia tem pragmatismo para dar e vender – António Costa parte de uma derrota eleitoral humilhante para uma vitória política histórica. A narrativa de 40 anos de democracia (“o PS só se pode entender com o PSD, por causa dos constrangimentos europeus e outros”) cairá por terra. E para quem tem dúvidas é bom lembrar que a legitimidade política pertence à maioria dos deputados do parlamento: a quem consegue fazer passar um orçamento e resistir a uma moção de censura. É isso que está na Constituição e o hábito não é um preceito constitucional.


 


Ana Sá Lopes

11 outubro 2015

Das indignações selectivas

Morning_News.JPG


Francis Luis Mora


 


Confesso que me escapam, por vezes, as razões pelas quais alguns assuntos causam incêndios nas redes sociais e outros não beliscam as consciências de quem ouve notícias.


 


Vem esta reflexão a propósito de alguns factos recentes da nossa informação televisiva. O primeiro caso que foi motivo de grande agitação foi o do programa Prós e Contras sobre o estado da Justiça em Portugal, em plena campanha eleitoral. Para minha estupefacção, as palavras de Paulo Rangel não serviam para mote de um programa de informação, uilizando-as para lançar a discussão em torno da Justiça, ou da falta dela, e da suposta partidarização da mesma/ politização da Justiça. Esta ideia motivou um violento ataque à pivot do programa e ao director de informação, tendo-se usado inclusivamente a insinuação de favores políticos pela existência de laços familiares entre Fátima Campos Ferreira e um membro do governo. Nada me parecia mais adequado, em plena campanha eleitoral, como o confronto dos vários intervenientes com a gravíssima declaração de Paulo Rangel. Após a transmissão do Prós e Contras fez-se um silêncio ensurdecedor, como se a polémica anterior não tivesse existido.


 


O segundo caso passou-se há poucos dias e refere-se à suposta graçola de José Rodrigues dos Santos em relação ao género do Prof. Alexandre Quintanilha. José Rodrigues dos Santos já mostrou por diversas vezes a sua incompetência, negligência, falta de pejo na indisfarçável parcialidade dos seus comentários pretensamente apolíticos e inteligentes, para além de um humor sem graça que se manifesta naquele inominável piscar de olho. Ao ver e ouvir o que disse e que, de facto, se presta à interpretação de um momento de pseudo brejeirice estúpida, é natural a indignação do Prof. Quintanilha e de todos os que o ouviram. Mas a verdade é que as explicações e o pedido de desculpa posteriores são, pelo menos, plausíveis.


 


O terceiro caso prende-se com uma notícia de há 2 dias, também fornecida pela RTP, em que terá havido pelo menos um caso de suspeita de fraude nas eleições de Domingo, quando duas eleitoras foram impedidas de votar porque os seus votos já teriam sido descarregados. E ao contrário do que se passou com as duas situações anteriores, não vi qualquer menção, nem indignação, nem petição, nem pedidos de explicações, nada, como se nada se tivesse passado. Ora a essência de um regime democrático e pluripartidário está na santidade de uma eleições livres e limpas, em que não se toleram suspeitas de fraude.


 


Não pretendo minimamente arvorar-me em juíza das boas e das más causas, mas estas coincidências causam-me alguma desconfiança quanto aos verdadeiros motivos destas indignações selectivas. Será que não haverá alguma animosidade contra a RTP e, especificamente, contra Paulo Dentinho?


 


Nota: Já agora reparo na discrição que acompanha e acompanhou a saída de António José Teixeira da direcção de informação da SIC Notícias logo após as eleições.

Das legitimidades eleitorais

resultados eleitorais.JPG


 


As eleições do último Domingo deram a vitória à coligação de direita. Por muito que isso seja incompreensível, foi essa a vontade maioritária dos eleitores - ter um governo liderado pelo PSD/ CDS.


 


É claro que não se discute a legitimidade de qualquer outro governo que resulte da nova configuração parlamentar, que possibilita a formação de uma plataforma governativa à esquerda liderada pelo PS. Mas não foi essa a vontade dos eleitores expressa nas urnas.


 


Por outro lado, caso se mantenham as posturas de todas as forças políticas - sobranceira a da coligação de direita, dialogante a do PS, absolutamente surpreendente a do PCP e equívoca a do BE - poderá não ser possível cumprir a exigência que, quanto a mim erradamente, Cavaco Silva fez - governo de maioria absoluta.


 


Na verdade a esquerda à esquerda do PS, que durante estes 40 anos sempre se colocou num patamar de autoridade nunca outorgado pelo voto popular e que sempre se recusou a colaborar com o PS para uma alternativa governamental, tendo-se coligado por com a direita para derrubar governos do PS, terá que se comprometer a ultrapassar os seus próprios complexos e as suas históricas atitudes antidemocráticas, para que se torne credível uma hipótese alternativa de esquerda, com qualquer quadro parlamentar.


 


Também o PS terá que mudar, e António Costa abriu a porta a entendimentos com os partidos à sua esquerda, ainda antes das eleições.


 


No entanto continuo a pensar que a solução que melhor interpreta a vontade expressa nas últimas eleições é um governo liderado por Passos Coelho, minoritário, com negociação de apoios parlamentares quando disso necessitar. António Costa e o PS terão com certeza oportunidade de avaliar as propostas da coligação e pronunciar-se sobre elas. A instabilidade desta solução não será maior que a de qualquer outra. E a estabilidade não é, só por si, garantia de coisa nenhuma.


 


Nota: que fique bem claro que em nada me repugna um governo do PS apoiado pelo PCP e pelo BE, com as condições que se lhes devem impor, nem partilho a narrativa do caos e da desgraça que daí virão, veiculada e martelada pelos comentadores e jornalistas que espelham essa mesma direita.

10 outubro 2015

Um dia como os outros (162)

UmDiaComoOsOutros.jpeg


No domingo passado, o país teve uma surpresa. Mas permitam-me lembrar o contexto que antecipou o abalo. Durante semanas, as sondagens e as conversas tinham-nos levado a uma convicção geral: a coligação PAF ia ganhar com maioria relativa. Repito, a 3 de outubro o que se sabia era o seguinte: muitíssimo provavelmente, ganhava o PAF sem maioria absoluta. Era o que diziam as sondagens - repetidamente alargando a vantagem, mas com limites prudentes - e concordavam os cidadãos, dando conta da campanha de uns, sem percalços e crucifixo no bolso, e a de outros, com Carlos do Carmo a falar. No dia 3, pois, véspera devotada à reflexão do voto, os portugueses reconheciam essa inevitabilidade. Porém, às 20.00, o país foi assombrado: a PAF ganhou e ganhou sem atingir a maioria absoluta!


Hão de concordar que é difícil gerir um país onde acontece o que se espera. Os alentejanos têm aquele provérbio "chuva em novembro, Natal em dezembro", mas suspeito que o que eles, e os portugueses em geral, esperam, mesmo, é a Páscoa. No dia das eleições foi o coelhinho que nos surgiu no presépio. Para espanto de todos que haviam passado as semanas anteriores a dizer exatamente isso. Enfim, logo no dia 4, Passos foi entronizado. Esquecendo-se de que o dia seguinte era 5 de outubro e que há datas que podem tornar-se vingativas, sobretudo quando foram degradadas a não feriado.


Os portugueses vinham de um mandato governamental em que se passou todo o contrário do que se prometera na campanha anterior. Desta vez, a campanha eleitoral tinha indiciado um certo e determinado resultado e foi, pois, com o pasmo nacional que a CNE confirmou que sim, era mesmo esse o resultado. Incrível! O primeiro caso, de não cumprimento das promessas, os portugueses aceitaram com naturalidade. Já no segundo, espantaram-se quando lhes aconteceu aquilo de que estavam carecas de saber que ia acontecer. Ora, entre nós, quando as coisas se passam de forma tão insólita (porque esperada), é natural que descambem em situações cada vez mais naturais. Ou, se quiserem, surpreendentes.


Às primeiras horas, tudo se passou como é costume. Tendo o PSD e o CDS votos para governar relativamente, preparavam-se para governar absolutamente. O primeiro sinal de qualquer coisa de estranho surgiu quando o Presidente Cavaco Silva foi alertado pela sua assessora mais de fiar (uma calculadora Texas Instruments). De 116 deputados para governar de vento à popa, encontraram-se garantidos só 104, aos quais se podia, na melhor das hipóteses, somar os quatro da emigração - 108. Fizeram-se contas e recontas mas dava sempre um défice de oito. Ainda se fosse daquelas contas para volkswagenear o défice orçamental... Mas não, eram cabeças para serem postadas em hemiciclo, filmadas, com bancadas de jornalistas à coca e público a espreitar das galerias - um buraco de oito nota-se.


Em Belém, Cavaco olhou o Tejo, passou uma falua, e esse concurso de circunstâncias - a calculadora mais a vela latina - levou-o a pensar que se não se podia governar com vento à popa, podia-se bolinar, ziguezagueando. Isso levou-o direito à solução: "O PS!!!", explicou ele a Passos Coelho. Cavaco Silva serviu em África, mas só na Universidade de Lourenço Marques, não esteve na savana e não aprendeu a lei n.º 1 do caçador: nunca cutucar uma pacaça ferida. António Costa lambia as feridas de domingo quando foi despertado pela Pátria. Ninguém se sente mais vivinho da Costa do que encontrar, ao sair do bloco operatório, apelos ansiosos de ajuda...


Entretanto, a semana avançava como se um estado de sítio - uma Lei de Murphy à portuguesa, "nada pode ser mais extraordinário por cá do que aquilo que é óbvio lá fora" - tivesse sido imposto a toda política portuguesa. Nada ficou imune, até o PCP. Jerónimo de Sousa, que fora interpelado durante a campanha por um garoto ("quando for grande quero ser primeiro-ministro", disse o menino), começou a pensar que na sua vida, até aí restringida a operário metalúrgico e líder do PC, ainda podia vir a ser político. Essa epifania, acrescentada ao acidente (uma Catarina de olhos azuis atropelou-o no dia 4), levou Jerónimo, já que tinha uns deputados, fazer com eles política. Falou com Costa, o tal revivido, e empurrou-o. "Vai", disse. A semana farta em ação tem tido ainda a vantagem de discursos breves.


Os portugueses, já espantados com os resultados óbvios, surpreendiam-se com as esquisitices que se podem fazer com o adquirido que afinal não é. Por exemplo, ainda ontem, o ganhador sentou-se com o perdedor e pôs cara de póquer. O outro limitou-se a dizer: "Pago para ver." Não viu nada, mas nós vimos que o ganhador teve de dizer: "Para a próxima vou ser mais atrevido." Para a semana há mais.


O que eu quero dizer-vos é que estou a gostar. Políticos a fazer política, nunca esperei.


 


Ferreira Fernandes

Sonata para violoncelo e piano, Opus 40, Allegro

 


Ouvi onte de manhã, na Antena 2, o II Movimento da sonata para violoncelo e piano de Dmitri Shostacovich tocada por ele próprio e pelo Mstislav Rostropovich (seu aluno).



Dmitri Shostakovich


Anne Gastinel & Roger Muraro


 


Aqui está, a sonata completa, tocada por eles próprios. 



Dimitri Shostakovich


Mstislav Rostropovich

Da novidade da (velha) política

 


governo esquerda.png


 


Desde a noite das eleições que viajámos através de uma espécie de buraco negro, como se 40 anos se mudassem de uma assentada. O que, ao contrário de muitos dentro do PS, considero positivo.


 


É extraordinário ouvir, após 40 anos, o PCP admitir que não é o mesmo ser governado pela coligação PSD/CDS ou pelo PS. Este volte-face permitiu que o PS, mesmo reconhecendo-se que este, pela mão de António Costa, se tivesse recusado a excluir o PCP e o BE da responsabilidade governativa, se transformasse no fiel da balança deste equilíbrio bastante instável..


 


Por outro lado o Presidente da República, apostado em não deixar qualquer saudade pelo triste exercício da sua triste função, tem ajudado bastante ao foco dado a António Costa, deixando-lhe a iniciativa política de fazer o papel de negociador. Em vez de ter chamado de imediato todos os líderes partidários de forma a pedir-lhes os compromissos que declarou exigir para dar posse a um governo, resolveu ignorar essa formalidade constitucional e indigitar Passos Coelho a iniciar as diligências para a formação do governo.


 


Neste momento está tudo em jogo:



  • Se a coligação não conseguir um entendimento com o PS, será que o Presidente vai dar posse a um governo minoritário de direita que busque apoios parlamentares à medida das necessidades?

  • Se o PS recusar apoio à coligação e conseguir um compromisso com os partidos à sua esquerda, será que o Presidente dará posse a um governo de maioria de esquerda?

  • Se não for possível viabilizar nenhuma das coligações, haverá governo de iniciativa presidencial ou governo de gestão?


 


O PS está entre 2 espadas - se apoiar a coligação, nas próximas eleições poderá ser canibalizado pela esquerda; se formar um governo com apoio de uma maioria de esquerda parlamentar, nas próximas eleições poderá perder o seu segmento mais à direita, que não lhe perdoará a guinada revolucionária, mas também poderá crescer à custa do BE e/ ou do PCP.


 


O BE está entre a espada e a parede - se não apoiar o PS ficará com o ónus de inviabilizar um governo de esquerda; se deixar cair as suas linhas vermelhas poderá estar condenado a desaparecer.


 


No caso da coligação: ou está completamente desnorteada, porque perdeu a liderança do processo político e não soube lidar com a reviravolta na esquerda, ou está a dramatizar, jogando a cartada da vitimização para conseguir uma maioria absoluta nas próximas eleições.


 


Uma coisa parece quase certa - qualquer que seja a solução governativa encontrada não será duradoura. O próximo Presidente terá que convocar eleições em início de mandato.


 


Isto sou eu a arriscar-me a novos inconseguimentos, que já se transformaram numa tradição. A que somei a minha crença, que se provou errada, de que Marcelo Rebelo de Sousa não seria candidato à Presidência. Sempre defendi que não trocaria o seu papel de entertainer com o da função institucional. Mais uma vez, enganei-me.


 


ADENDA: Esqueci-me de dizer que Paulo Portas é um actor político... irrelevante.

07 outubro 2015

Peeling Off The Layers


Wildbirds & Peacedrums


Fortitude


 



Uma excelente série televisiva que acabou ontem na RTP2. Sóbria, gelada, pesada, assustadora, melancólica, sofrida, como todos nós. Uma música mesmo a condizer. Obrigada a quem ma encontrou.

05 outubro 2015

Do meu próprio inconseguimento (2)

resultados eleitorais.JPG


 


Já por diversas vezes ficou bem provado a minha total ausência de clarividência política. Confesso a minha incapacidade para perceber vários fenómenos na sociedade portuguesa.


 


O primeiro é o fato de uma enorme percentagem dos meus concidadãos pura e simplesmente se absterem de votar. O alheamento e o encolher de ombros, a par do permanente ruído dos queixumes, são uma marca identitária que me custa a aceitar.


 


O segundo é o sentido de voto que resulta destas eleições, após quatro anos de empobrecimento e retrocesso. Escusamos de versejar e tentar relativizar a perda de maioria absoluta da coligação de direita. Para mim é mesmo incompreensível que tenha ganho, por muito ou por pouco.


 


O terceiro é a atitude de António Costa que, desde a primeira hora, teve o meu apoio. Após tão estrondosa derrota – não esqueço que defendi que era ele que poderia levar o PS ao governo, substituindo António José Seguro da sua liderança invertebrada, não tem uma palavra para o combate interno que, fatalmente, se seguirá. Mesmo que não se demitisse, e admito que até seja importante manter a serenidade neste período imediatamente anterior às presidenciais, o que estaria à espera era que, pelo menos, anunciasse a realização de um Congresso extraordinário onde poderia reforçar (ou não) a sua liderança. O PS vai precisar de ter um líder incontestado e, neste momento, ou António Costa assume o risco de pedir que o desafiem e lhe disputem o lugar de Secretário Geral, ou o PS vai continuar em lutas internas enfraquecendo-se e esboroando-se.


 


Mas claro, isto sou eu que não entendo o resultado das eleições. Uma coisa é certa – teremos PAF por mais uns belos tempos. Este modelo foi sufragado e o PS terá que ter força para conseguir negociar algumas das suas bandeiras eleitorais.


 


Quanto às presidenciais – e que tal o PS repensar também a sua estratégia? É que se anuncia mais uma estrondosa derrota, seja ela com Sampaio da Nóvoa ou com Maria de Belém.

04 outubro 2015

A escolha do povo

Não foi a minha escolha. Mas foi clara e inequívoca. A coligação de direita, a confirmarem-se estes resultados, tem uma vitória estrondosa.


 


António Costa terá que se demitir. Fui sua apoiante desde a primeira hora e continuo sua apoiante. Mas a verdade é que esta é uma derrota muito expressiva.


 


É à coligação de direita que compete governar. Espero que o PS honre o seu lugar na oposição e não se perca em somas e cálculos que desvirtuem o resultado das urnas.

Ao voto!


 


Não se esqueça


não se lamente


não se crispe


não se encolha


não se chore


não se arrepele


não se desgoste


não se desgrenhe


não se ajoelhe


não se arraste


não se atrase.


 


O dia é de erguer


os olhos


o corpo


a mente


o dia é de alegria


de renovação


de liberdade.


 


O dia é de votar!

Hoje, nas mesas de voto

legislativas 2015.JPG


 


Hoje é o dia da decisão, da nossa escolha, o dia em que podemos falar e em que a nossa voz será ouvida e cumprida.


 


Todos às urnas!


 


Vamos votar!


 

03 outubro 2015

Para quem precisar...

... aqui fica o link com toda a informação de que precisar:


 


Onde votar?


 


https://www.recenseamento.mai.gov.pt/index.html?


local voto.JPG


 

Amanhã, nas mesas de voto

legislativas 2015.JPG


 


Cá em casa tudo se discute. Não há tabus nem atitudes paternalistas dos mais velhos perante os mais novos. E se as há, esbarram de imediato em argumentos bem estruturados e alicerçados em conhecimento. Ninguém se dá por satisfeito com abordagens superficiais ou estereotipadas aos vários assuntos em debate.


 


Mas há um tema, como agora muito se diz, em relação ao qual há unanimidade - é preciso votar. O voto universal, acessível a todos os cidadãos portugueses maiores de 18 anos, pobres e ricos, mulheres e homens, casados e solteiros, em uniões de facto ou independentes, com e sem filhos, doentes e saudáveis, analfabetos e letrados, foi implementado com a fundação do regime democrático a 25 de Abril de 1975.


 


É por isso uma conquista preciosa e delicada, uma arma poderosa na mão de todos e de cada um de nós. Será uma oportunidade desperdiçada não fazer uso dessa manifestação de cidadania, uma obrigação que temos enquanto membros de uma comunidade.


 


Que chova, que vente, que arda o sol, que troveje. Não serão os elementos que impedirão de nos afirmarmos cívica e exemplarmente, aguardando na fila o momento de decidir em igualdade, democrática e livremente, o nosso próximo futuro. Que ninguém abdique desse poder, que se negue a esse serviço público. É o exacto momento de ter voz.

02 outubro 2015

Do verdadeiro gozo

Gostaria muito que o PS ganhasse com larga folga, por todas as razões e também pelo adicional e intenso gozo de ver todos estes comentadores, analistas e jornalistas que analizam e discutem, com ar sério e grave, as asneiras do PS e de António Costa e a sua derrota eleitoral, que consideram mais que certa e merecida.

No domingo, nas mesas de voto

legislativas 2015.JPG


 Amanhã mergulharemos em meditação.


 


Meditemos no imenso país desempregado, pobre, triste e entregue a si próprio, zangado consigo e com os outros, invejando os ricos e escondendo a penúria, regalando-se com o surdo boicote que faz aos políticos, aos patrões, aos comerciantes, ao Estado.


 


Meditemos nas nossas raivas e frustrações e naquilo que gostaríamos que fosse diferente. Meditemos nos nossos desejos e na nossa desresponsabilização, nos ombros caídos e na nossa reles desistência.


 


Meditemos no gesto simples e digno, a sós com a nossa consciência, força, desencanto e certezas que é votar.


 


Meditemos na nossa obrigação de contribuir para a solução. E com a satisfação de nos sentirmos úteis e de servirmos os nossos concidadãos.


 


Amanhã meditaremos na necessidade de votar e em quem vamos votar.


 


Amanhã meditaremos na decisão de domingo. Nas mesas de voto.

01 outubro 2015

Do voto útil

Olhemos com muita atenção o país e pensemos bem na nossa escolha – a única forma de termos um governo diferente do de hoje é votando no PS. Votar no BE ou no PCP apenas retira votos ao PS e reduz a hipótese de um governo forte e coeso à esquerda. Se o PS não tiver mais deputados que a soma dos deputados do PSD e do CDS, não será o PS a formar governo, pelo que não poderá sequer propor um governo de coligação à esquerda.


 


Não vale a pena estarmos a fazer contas de maiorias de esquerda ou de direita: se o PSD e o CDS concorrem coligados e se juntos tiverem mais deputados que o PS deverão ser eles a formar governo, visto que é isso que resulta da vontade popular, mesmo que o PS tenha mais deputados que o PSD. O contrário será desvirtuar o resultado eleitoral.


 


Portanto deixemo-nos de considerandos e sejamos práticos. O momento assim o exige. Para que não haja continuação desta política temos que votar no PS – não é no PAN, nem no PDR, nem no Livre, nem no BE, nem na CDU, nem no Agir, nem em qualquer outro partido ou movimento ou coligação – a única hipótese é mesmo o PS.

É preciso votar

eleições legislativas 2015.jpg


 


Em todos os actos eleitorais renovo a esperança de uma forte e maciça presença de eleitores nas mesas de voto. Aqueles que nos representam são pessoas, como nós, a quem outorgamos um mandato de confiança para decidir e dispor do bem comum para o nosso próprio bem e uso. Não há escolhas perfeitas, tal como não há pessoas perfeitas. A nossa opção é o resultado da avaliação que fazemos de quem nos representou, assim como do que pensamos do que nos propõem.


 


Toda a campanha que tem sido feita, com as sondagens e tracking polls a ajudar, com o objectivo de apagar a avaliação dos últimos 4 anos, incutindo-nos o medo do que poderá acontecer caso o PS ganhe as eleições, com pouca ou muita margem, confinando a discussão às medidas do PS para os próximos 4 anos.


 


A verdade é que, mesmo que não tenhamos a certeza da bondade de todas as propostas do PS, mesmo que nos assustemos com o que os jornais, a rádio, a televisão, os comentadores e os jornalistas dizem do voltar ao passado e do aumento da despesa pública, a verdade é que tudo isso e muito mais aconteceu nestes últimos 4 anos, com a política que este governo escolheu e implementou, contra tudo e contra todos.


 


Quando se fala de instabilidade política não podemos esquecer-nos nunca de que foram estes mesmos protagonistas – Paulo Portas e Passos Coelho – que protagonizaram vários momentos de instabilidade, com a irrevogável demissão de Portas, mostrando-se agora mais unidos que gémeos siameses. Durante esta legislatura assistimos ao desmantelar dos serviços públicos, à acentuada redução do poder de compra, ao enorme aumento de impostos, à desertificação do país com a debandada das gerações mais jovens, ao aumento da desigualdade e da pobreza, do desemprego e da desesperança. Temos hoje as gerações acima dos 60 anos a suportarem filhos e netos com as magras pensões que emagreceram ainda mais, e as gerações nas idades mais criativas e produtivas no desemprego ou nos restantes países do mundo.


 


Tudo isto nós sabemos que aconteceu e sabemos quem foram e quem são os seus defensores. E não vale a pena tentarem enganar-nos com os milhões de euros que vão dar aos enfermeiros, os milhares de médicos que vão agora contratar, os fundos sem fundo que aparecem nestes últimos dias para engodo dos mais desprevenidos.


 


É essencial que toda a gente vá votar. Façamos do dia 4 de Outubro o nosso dia de protesto, de manifestação, de grito de revolta. Não votar não resolve nem ajuda a resolver nada. É com o nosso voto que temos a força de mudar.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...