Em todos os actos eleitorais renovo a esperança de uma forte e maciça presença de eleitores nas mesas de voto. Aqueles que nos representam são pessoas, como nós, a quem outorgamos um mandato de confiança para decidir e dispor do bem comum para o nosso próprio bem e uso. Não há escolhas perfeitas, tal como não há pessoas perfeitas. A nossa opção é o resultado da avaliação que fazemos de quem nos representou, assim como do que pensamos do que nos propõem.
Toda a campanha que tem sido feita, com as sondagens e tracking polls a ajudar, com o objectivo de apagar a avaliação dos últimos 4 anos, incutindo-nos o medo do que poderá acontecer caso o PS ganhe as eleições, com pouca ou muita margem, confinando a discussão às medidas do PS para os próximos 4 anos.
A verdade é que, mesmo que não tenhamos a certeza da bondade de todas as propostas do PS, mesmo que nos assustemos com o que os jornais, a rádio, a televisão, os comentadores e os jornalistas dizem do voltar ao passado e do aumento da despesa pública, a verdade é que tudo isso e muito mais aconteceu nestes últimos 4 anos, com a política que este governo escolheu e implementou, contra tudo e contra todos.
Quando se fala de instabilidade política não podemos esquecer-nos nunca de que foram estes mesmos protagonistas – Paulo Portas e Passos Coelho – que protagonizaram vários momentos de instabilidade, com a irrevogável demissão de Portas, mostrando-se agora mais unidos que gémeos siameses. Durante esta legislatura assistimos ao desmantelar dos serviços públicos, à acentuada redução do poder de compra, ao enorme aumento de impostos, à desertificação do país com a debandada das gerações mais jovens, ao aumento da desigualdade e da pobreza, do desemprego e da desesperança. Temos hoje as gerações acima dos 60 anos a suportarem filhos e netos com as magras pensões que emagreceram ainda mais, e as gerações nas idades mais criativas e produtivas no desemprego ou nos restantes países do mundo.
Tudo isto nós sabemos que aconteceu e sabemos quem foram e quem são os seus defensores. E não vale a pena tentarem enganar-nos com os milhões de euros que vão dar aos enfermeiros, os milhares de médicos que vão agora contratar, os fundos sem fundo que aparecem nestes últimos dias para engodo dos mais desprevenidos.
É essencial que toda a gente vá votar. Façamos do dia 4 de Outubro o nosso dia de protesto, de manifestação, de grito de revolta. Não votar não resolve nem ajuda a resolver nada. É com o nosso voto que temos a força de mudar.
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