11 outubro 2015

Das legitimidades eleitorais

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As eleições do último Domingo deram a vitória à coligação de direita. Por muito que isso seja incompreensível, foi essa a vontade maioritária dos eleitores - ter um governo liderado pelo PSD/ CDS.


 


É claro que não se discute a legitimidade de qualquer outro governo que resulte da nova configuração parlamentar, que possibilita a formação de uma plataforma governativa à esquerda liderada pelo PS. Mas não foi essa a vontade dos eleitores expressa nas urnas.


 


Por outro lado, caso se mantenham as posturas de todas as forças políticas - sobranceira a da coligação de direita, dialogante a do PS, absolutamente surpreendente a do PCP e equívoca a do BE - poderá não ser possível cumprir a exigência que, quanto a mim erradamente, Cavaco Silva fez - governo de maioria absoluta.


 


Na verdade a esquerda à esquerda do PS, que durante estes 40 anos sempre se colocou num patamar de autoridade nunca outorgado pelo voto popular e que sempre se recusou a colaborar com o PS para uma alternativa governamental, tendo-se coligado por com a direita para derrubar governos do PS, terá que se comprometer a ultrapassar os seus próprios complexos e as suas históricas atitudes antidemocráticas, para que se torne credível uma hipótese alternativa de esquerda, com qualquer quadro parlamentar.


 


Também o PS terá que mudar, e António Costa abriu a porta a entendimentos com os partidos à sua esquerda, ainda antes das eleições.


 


No entanto continuo a pensar que a solução que melhor interpreta a vontade expressa nas últimas eleições é um governo liderado por Passos Coelho, minoritário, com negociação de apoios parlamentares quando disso necessitar. António Costa e o PS terão com certeza oportunidade de avaliar as propostas da coligação e pronunciar-se sobre elas. A instabilidade desta solução não será maior que a de qualquer outra. E a estabilidade não é, só por si, garantia de coisa nenhuma.


 


Nota: que fique bem claro que em nada me repugna um governo do PS apoiado pelo PCP e pelo BE, com as condições que se lhes devem impor, nem partilho a narrativa do caos e da desgraça que daí virão, veiculada e martelada pelos comentadores e jornalistas que espelham essa mesma direita.

1 comentário:

  1. Assim como a operação de adição do número de deputados do PS+BE+PCP também não é indicativo de qualquer estabilidade, se não houver uma outra estrutura de compromissos mais sólida. Até ver, e publicamente, só vi Jerónimo de Sousa a ter uma reunião e a mostrar abertura e a repetir - insistentemente demais - que "o PS só não forma governo se não quiser".

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