30 setembro 2013

Um dia como os outros (134)

 



Segundo o site do MJ, estão 3021 freguesias contabilizadas de 3092. PSD e CDS, os partidos de governo, somam, para todas as listas em que entraram isolados ou em conjunto, 34,9%. Isto representa uma perda de 15,4 pontos em relação aos resultados das legislativas de 2011. São perdas na ordem das sofridas pelo PSD nas autárquicas de 1989 e 1993, as maiores de sempre sofridas por partidos do governo em autárquicas.
Neste momento, de 282 câmaras já decididas, 136 para o PS, 100 para o PSD, 30 para a CDU, 5 para o CDS e 11 para independentes. O PS tem 48% das câmaras atribuidas, superando o seu máximo desde 1976. O PSD tem 35%, pior que em 1989, ou seja, o pior resultado de sempre. CDU e CDS têm os melhores resultados, deste ponto de vista, desde 1997.
Dos 20 municípios mais populosos do país, representando 38.5% da população, o PSD tinha 8 câmaras e passou para 5; o PS tinha 8 e passou para 9; CDU tinha 2 e passou para 3; havia 2 independentes, agora há 3.




Pedro Magalhães



Dos ganhos e das perdas

 


Têm-se multiplicado as explicações oficiais de como, afinal, não foi assim tão grande a derrota do PSD.


 


Foi mesmo uma colossal derrota. Perdeu câmaras, perdeu votos, perdeu apostas em câmaras emblemáticas e importantes, perdeu por más escolhas, perdeu porque tinha que perder.


 


O PS ganhou muito mais do que eu esperaria que ganhasse. Ainda bem, pois é indispensável que se afirme como uma força política alternativa. Também não faltaram explicações de como, afinal, não tinha sido uma vitória assim tão completa.


 


Foi mesmo uma grande vitória, sem brilho nem glória para António José Seguro, que até na hora de cantar os feitos se apaga, sem conseguir mobilizar os descontentes ou até os já rendidos.


 


Foi também uma grande noite para o PCP e uma negríssima noite para o BE, que se relegou à sua insignificância. Em Oeiras, o espelho de uma sociedade que acha que os meios justificam os fins.


 


O CDS lá se aguentou, bastante melhor do que merecia. o que não augura nada de bom para a saúde da coligação.


 


António Costa continua a corporizar a esperança de quem votou em Lisboa e de quem, em todo o resto do país, votou contra esta maioria que nos governa.


 


Correu bem. Falta a vaga de fundo apra mudar as coisas dentro do PS. Porque dentro do PSD vão mudar. Rui Rio já se perfila e a solidão de Passos Coelho é bem evidente.


 

28 setembro 2013

Votar

 



 


Não sabemos em quem votar. Não vemos alternativas nem soluções. Todos os dias somos inundados de notícias que nos mostram o regime como um manancial de corrupção, compadrio e injustiças. Todos os dias rangemos a raiva e a revolta. Não compreendemos o que nos arrasta para o fundo, o que nos acontece em termos nacionais e internacionais. O desenvolvimento está a regredir, a Europa é cada vez mais um mito. Amanhã é domingo, vai estar a chover e a ventar. É dos poucos dias em que podemos estar em casa, a trabalhar ou a descansar, mas connosco.


 


Como resolver este dilema? Para que temos nós este dever e este direito que estamos tão relutantes em exercer?


 


Talvez porque, se o não fizermos, estamos a abrir caminho a quem acabe com esse direito e com esse dever. Porque é a nossa vez de dizer o que queremos, ou o que não queremos, ou o que quereríamos. Porque também temos que assumir a responsabilidade de participar na vida deste país. Porque em vez de falarmos da sociedade civil, como se ela fosse exterior a nós, é essencial que compreendamos que nós formamos, que nós somos a sociedade civil.


 


Porque ser cidadão é ser-se revolucionariamente democrático, é escolher, tomar decisões, é eleger e ser eleito. Não há maior conforto que o sabermos que a nossa voz é ouvida. Não a dos que têm força, a dos que têm poder, a dos que gritam ou marcham. Desses também, mas em dia de eleições cada um dos votos vale exactamente o mesmo. É um exercício de igualdade. E os votos juntos valem a afirmação de uma comunidade.


 


Amanhã é dia de eleições. Há que votar, sempre, com a alegria de quem se manifesta e é livre.

25 setembro 2013

Setembro

 


 


Caspar David Friedrich


 


Entre as luzes coadas de Setembro


vamos aceitando amarras de folhas e humidade


caminhos demorados para o conforto


das nossas vidas medianas e seguras


para o nosso mundo apertado e macio.


 


Entre os dedos que filtram a ternura do Outono


fechamos as casas e os olhos


ao tempo desabrido que estremece.


 

22 setembro 2013

Da auto-punição

 



 


Deambulando pela TSF (não consigo deixar de ouvir, de vez em quando), ouço um indivíduo dizer, desdenhoso  e revoltado - Eu, como cidadão, não voto - como se estivesse a punir os candidatos e os partidos.


 


No entanto apenas se está a punir a ele próprio, prescindindo do seu direito, alienando um dos seus deveres comunitários. Seja qual for o número de votantes, vão ser eleitos Presidentes de Câmara e de Juntas de Freguesia, vereadores para Assembleias Municipais, etc. A diferença é que a base eleitoral será menor, se quisermos, como aquele cidadão, castigar os políticos, faltando às eleições.

21 setembro 2013

Da pureza ideológica e totalitária

 


 


Fredrik Reutersward 


 


A nossa sociedade é estruturalmente conservadora. É muito difícil debater ideias que fujam às já estabelecidas. E isto é verdade para múltiplas situações - fale-se da saída do euro ou da discussão entre as vantagens e desvantagens de turmas mistas no sistema educativo.


 


O conservadorismo tem a ver com a dificuldade em discutir ideias. As trincheiras e a catalogação imediata em ser de direita, ou de esquerda, ou ser absurdo, ou ridículo, ou outros epítetos semelhantes, com policiamentos de purezas ideológicas ou de desadequação ao politicamente correcto, impossibilitam as verdadeiras discussões.


 


O resultado é o empobrecimento do espaço público, da informação e do esclarecimento das pessoas. O gosto pelo debate é rapidamente substituído pelo insulto e pelo amesquinhamento do oponente. Não se pode discordar - ou se está do lado certo ou do lado errado.


 


Monocromática e totalitária, esta é uma democracia vigiada pela vanguarda esclarecida.


 

Da incorrecção dos factos

 


As incorrecções factuais dos membros deste governo vão-se somando. A total incorrecção é mesmo o governo todo.


 


E que tal resolver factualmente o assunto transformando a demissão dos incorrectos num facto consumado?

Um dia como os outros (133)

 



(...) Como se não bastassem os económicos e sociais, parece-me ter-se gerado na sociedade portuguesa um problema anímico, o cansaço de uma geração que dedicou todas as suas energias a um projecto político que agora, em tempos de verdadeira necessidade, se revela uma fraude. O cartaz acima, por exemplo, com um Soares exultante, pode ser agora apreciado ironicamente perguntando-lhe: Conseguimos o quê?... É perante estes cenários antagónicos que se esperaria que a política portuguesa estivesse a ser disputada por protagonistas defendendo causas distintas e fracturantes (abaixo)… mas não. No PSD e no PS é-se pró-Europeu por definição e se alguma os distingue é onde de um lado se pede 4,5%, do outro pede-se mais 0,5%… (...)




A. Teixeira



O mundo

 




Moska & Zeca Baleiro & Lenine & Chico César



 


 


O mundo é pequeno prá caramba


Tem alemão, italiano, italiana


O mundo, filé à milanesa


Tem coreano, japonês, japonesa...


 


O mundo é uma salada russa


Tem nego da Pérsia


Tem nego da Prússia


O mundo é uma esfiha de carne


Tem nego do Zâmbia


Tem nego do Zaire...


 


O mundo é azul lá de cima


O mundo é vermelho na China


O mundo tá muito gripado


Açúcar é doce


O sal é salgado...


 


O mundo caquinho de vidro


Tá cego do olho


Tá surdo do ouvido


O mundo tá muito doente


O homem que mata


O homem que mente...


 


Por que você me trata mal?


Se eu te trato bem!


Por que você me faz o mal?


Se eu só te faço bem!...(2x)


 


O mundo é pequeno pra caramba


Tem alemão, italiano, italiana


O mundo, filé à milanesa


Tem coreano, japonês, japonesa...


 


O mundo é uma salada russa


Tem nêgo da Pérsia


Tem nêgo da Prússia


O mundo é uma esfiha de carne


Tem nêgo do Zâmbia


Tem nêgo do Zaire...


 


O mundo é azul lá de cima


O mundo é vermelho na China


O mundo tá muito gripado


Açucar é doce


O sal é salgado...


 


O mundo caquinho de vidro


Tá cego do olho


Tá surdo do ouvido


O mundo tá muito doente


O homem que mata


O homem que mente...


 


Por que você me trata mal?


Se eu te trato bem!


Por que você me faz o mal?


Se eu só te faço bem!...(2x)


 


Todos somos filhos de Deus


Todos somos filhos de Deus


Só não falamos


As mesmas línguas...(4x)


 


Everybody filhos de God


Everybody filhos de God


Só não falamos


As mesmas línguas...


 


Everybody filhos de Gandhi


Everybody filhos de Gandhi


Só não falamos


As mesmas línguas...

19 setembro 2013

Esse olhar que era só teu

 


 



Dead Combo

Rosa sangue

 


 



Amor Electro


 


Ninguém te vai parar, perguntar...


Fazer saber... Porquê?


 


Vais ter de te oferecer,


E entender, o que fará viver?


 


Vê, não basta ir, voar, seguir,


O cerco ao fim,


Aperta, trai, morde, engana a sorte, cai,


Não lembra de ti...


 


É só o amor desfeito,


Rosa sangue ao peito,


Lágrima que deito,


Sem voltar atrás!


 


Cresce e contamina


Tolhe a luz à vida,


Que afinal ensina, quebra,


Dobra a dor e entrega amor sincero.


 


Honra tanto esmero, cala o desespero,


É simples, tudo o que é da vida herdou sentido,


Tem-te se for tido, sabe ser vivido,


Fala-te ao ouvido e nasces tu...


 


Ninguém te vai parar, perguntar...


Fazer saber... Porquê?


 


Por isso vê, não basta ir, voar, seguir,


O cerco ao fim,


Aperta, trai, morde, engana a sorte, cai,


Não lembra de ti...


 


É só o amor desfeito,


Rosa sangue ao peito,


Lágrima que deito,


Sem voltar atrás!


 


Cresce e contamina


Tolhe a luz à vida,


Que afinal ensina, quebra,


Dobra a dor e entrega amor sincero.


 


Honra tanto esmero, cala o desespero,


É simples, tudo o que é da vida herdou sentido,


Tem-te se for tido, sabe ser vivido,


Fala-te ao ouvido e nasces tu...

Dos vários tipos de oração

 



Bansky


 


 


Repetir sempre que os ombros se curvam


 


Tem que haver um outro país, uma outra gente. Tem que haver uma outra Europa, um outro mundo.


Não é verdade a tristeza e a desesperança. Não é verdade a pobreza e a insegurança.


Tem que haver um outro sonho, uma outra certeza.


Sabemos que é possível, sabemos que o ruído dos fatos surdos, os gestos e os sorrisos mudos de quem coordena marionetas, podem mudar. 


Sabemos que tudo muda. Basta juntar os sinos e repicar. Basta juntar as mãos e resistir. Basta abrir a estrada e caminhar. 


Tem que haver um outro viver – vamos lutar.


 

18 setembro 2013

Da indispensabilidade do voto

 


 



 


A nomeação de Maria Luís Albuquerque para Ministra de Estado e das Finanças foi mais um dos colossais erros de Passos Coelho. É difícil perceber tanta falta de sentido político, ou de incompetência. A oposição não existe mas o governo está sempre em perigo de implodir, pelas incríveis opções que vai tomando, isto independentemente das políticas que defende e implementa.


 


Maria Luís Albuquerque tem cada vez menos condições para continuar no cargo. É um massacre diário e ninguém aceita as suas justificações, que são imediatamente desmentidas por outras declarações e por documentos escritos.


 


A apatia e o descrédito que se avolumam entre os cidadãos, fazem perigar a noção do que é viver em democracia. As próximas eleições autárquicas serão um teste à nossa resistência, à nossa vontade de ser livres, à nossa revolta silenciosa.


 


O voto é a nossa melhor e mais potente arma. Não são as redes sociais, os jornais, as televisões, as viagens de táxi, as conversas ao café, na praça ou nos supermercados, não são as homilias de Marcelo Rebelo de Sousa, José Sócrates ou Marques Mendes, as piedosas prédicas de António José Seguro, a permanente má disposição dos líderes do BE, passado e actuais, ou a litania de Jerónimo de Sousa, por muito importantes que sejam.


 


Somos nós, com o nosso voto, que temos o poder. Apenas temos que o assumir. É verdade que não sabemos em quem votar, não ouvimos ideias que nos animem, não vislumbramos alternativas. Mas elas existem sempre, nem que seja na afirmação da vontade de contribuir, de participar, de mostrar que não desistimos de viver democraticamente, por muito difícil e imperfeito que seja o sistema.


 


É preciso votar.


 

15 setembro 2013

Novilíngua

 


Na novilíngua de que fala Pacheco Pereira estão também expressões como liberdade de escolha.


 


Nesse admirável mundo novo que este governo está a construir, todos os cidadãos, nomeadamente os mais pobres, através do cheque ensino e do esvaziar do SNS para os prestadores privados, terão acesso aos melhores colégios e às mais avançadas terapêuticas. Tal como com os seguros de vida e os fundos de capitalização especulativos, que serão, obviamente, a mina de ouro para os pobres trabalhadores. Não haverá despesismo público nem funcionários preguiçosos e cheios de privilégios.


 

Dos fenómenos oposicionistas

 


António José Seguro está a conseguir um feito a todos os níveis extraordinário: com um governo e uma maioria que conseguem empobrecer o país e recuar décadas em termos políticos e sociais, em vez de ser uma luz ao fundo do túnel, desce na intenção de votos ao contrário do PSD e do CDS. Ninguém pode dizer que ele não é um artista, de alto gabarito.


 


Estas eleições autárquicas prometem ser uma derrota para toda a oposição. António Costa perfila-se como Dom Sebastião, e deverá esperar uma manhã de nevoeiro para avançar.


 

Da menoridade literária

 



 


Comprei há poucos dias um livro sobre o qual já tinha lido ser de um jovem autor suíço, que tinha recebido o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa e que era um fenómeno de vendas. Estou a falar de Joël Dicker e de A verdade sobre o caso Harry Quebert.


 


De facto o livro lê-se bem e desperta a curiosidade do leitor, com um enredo cheio de curvas e contracurvas. Provavelmente dará um bom guião de um filme policial, cheio de dinamismo, com um desfecho inesperado. Mas é uma enorme desilusão para quem esperava alguma coisa a mais que entretenimento fútil e superficial.


 


O autor não consegue dar corpo às personagens, que são muito pouco credíveis. O tema é uma miscelânea dos grandes clichés da nossa sociedade contemporânea - laivos de pedofilia com obsessões sexuais, corrupção policial, esquizofrenia e fanatismo religiosos, mães dominadoras e castradoras e paixões assolapadas e doentias, escritores geniais escondidos em gente disforme, enfim, dá a sensação de que o autor foi obrigado a tocar em múltiplas histórias para que as vendas fossem rápidas e garantidas.


 


Quanto à escrita, é simplória, pouco imaginativa, sem qualquer rasgo. Os diálogos são escorreitos, é verdade, e o livro lê-se rapidamente, mas não deixa qualquer marca. Não consigo perceber como ganhou prémios literários, a não ser que a exigência das Academias esteja a um nível baixíssimo ou que a minha exigência esteja insuperável.


 


Outra medida do sucesso dos novos livros é a espessura dos mesmos. Quanto mais páginas melhor. Mastiga-se, mastiga-se, acrescentam-se pormenores e pistas, tiram-se do nada novas personagens e estica-se tudo. Parece uma competição com Stieg Larsson. Só que Stieg Larsson e a sua Triologia Millennium valem trezentas vezes mais, em todos os aspectos.


 


Os livros policiais são entendidos por muitos como literatura menor. Não concordo e já li grandes obras que, à volta de crimes e de mistérios, são verdadeiros tratados de literatura: Almas cinzentas, por exemplo, ou O Nome da Rosa. Talvez Joël Dicker escreva um novo romance, policial ou não, que se redima deste começo tão ruidoso, mas, suspeito, tão fátuo.

Da pluralidade dos projectos educativos

 



 


Tenho estado mais ou menos afastada da polémica sobre o encerramento do Instituto de Odivelas e a junção deste com o Colégio Militar. Nunca fui adepta de colégios internos, quaisquer que eles fossem, com excepção da altura em que li As Gémeas no Colégio de Santa Clara e que me imaginava protagonista de aventuras semelhantes, nem equacionei a hipótese de lá colocar qualquer dos meus filhos.


 


Posso questionar se a oferta deste tipo de colégios por parte do estado faz sentido, nos dias que correm. Sou totalmente adepta da racionalização de recursos e da necessidade, por esse motivo, de tentar juntar os 3 colégios de ensino militar – Colégio Militar, Instituto dos Pupilos do Exército e Instituto de Odivelas. Não tenho nada contra a hipótese do Colégio Militar ser misto, como nada tenho contra a entrada de rapazes no Instituto de Odivelas.


 


O que não consigo compreender é a forma como todo este assunto está a ser debatido. Não percebo porque se foi buscar o problema do género para esta discussão. Num país e numa sociedade que aceita e preza a liberdade, em que tanto se enaltece a possibilidade de escolha entre as várias ofertas educativas, não entendo porque se demonizam os colégios internos, por um lado, a separação entre os géneros, por outro, e ainda o ensino militar.


 


Não concordo? Não, não concordo. Gosto de Escolas mistas, em que convivam rapazes e raparigas, que sejam externos, sem ordens unidas, manejo de armas, puericultura ou dança de salão. Mas isso não implica a obrigação ao pensamento único, com a ridicularização de quem pensa de forma diferente.


 


O único motivo pelo qual se decidiu juntar o Colégio Militar e o Instituto de Odivelas é o económico. Ficam caros, dão prejuízo, são grandes demais para a procura. E que tal propor que esses colégios se auto-sustentem? Talvez quem os procure esteja disponível para pagar mais.


 


É preciso não esquecer que esses Colégios foram muito importantes como apoio aos filhos de militares, nomeadamente na altura da guerra colonial. Funcionavam como ajuda para aqueles que ficavam órfãos, garantindo-lhes uma educação que, de outra forma, seria impossível para muitos. Da mesma maneira que a a Manutenção Militar, a ADME, as Messes, eram uma espécie de complemento e de ajuda para quem ganhava pouco – os militares sempre tiveram (e têm) uma remuneração muito abaixo de outro tipo de carreiras, como Magistrados, Professores Universitários, etc. Não há, neste momento, justificação para manter esse tipo de apoios? Na verdade já foram todos retirados, as remunerações é que não aumentaram, mas isso é um assunto totalmente diferente.


 


Quanto à conversa dos valores e da pátria e do nacionalismo e da excelência. É bafienta e disparatada, como tantas outras sobre a igualdade de géneros, defesa dos homossexuais, salvamento de espécies em vias de extinção e um sem número de causas que pululam pela nossa sociedade. Mas a existência de instituições centenárias com cultura própria deve ser respeitada, e por isso tenho ouvido defender associações culturais, empresas e casas comerciais que se transformaram em marcos ou em símbolos de comunidades, grupos profissionais, económicos, comerciais, etc.


 


Em relação ao oportunismo de que se acusa Gabriela Canavilhas, parece-me que a oportunista foi Berta Cabral, pois desviou a discussão para a desigualdade entre géneros quando o que está e sempre esteve em causa é, apenas e só, os custos associados à manutenção dos 3 estabelecimentos de ensino, separadamente.


 


E não será de estranhar que o Prof. Marçal Grilo, que coordenou um relatório em que se baseia o despacho do ministério da defesa, tenha assinado um documento contra esse mesmo despacho? E João Soares, também foi politicamente oportunista?


 


Declaração de interesses - sou filha e nora de militares, casada com um ex-aluno do Colégio Militar.

14 setembro 2013

Serviço público

 


Tem-me faltado força anímica para ir escrevendo o que me vai na alma. Até porque sinto que me repito, o que resulta de uma caduquice a avançar e de uma triste realidade que não muda.


 


Por isso, agradeço duplamente a quem se mantém irredutível na vontade de intervenção pública e informativa. Os artigos que Fernanda Câncio vem publicando, como Esperteza Saloia, com excertos do que esta maioria e este governo foram e vão dizendo e escrevendo, são absolutamente obrigatórios.


 


(...) Os impostos têm um efeito recessivo sobre a economia. A ideia que se foi gerando em Portugal de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento. (março 2011, Passos Coelho, pres PSD) (...)


Não estão em causa despedimentos na função pública. Aliás, nós temos muito respeito pelos funcionários públicos. O PSD é contra toda e qualquer tentação no sentido de eliminar ou atacar a ADSE ou os subsistemas de saúde na função pública. (maio 2011, Eduardo Catroga, nomeado pelo PSD para negociar com a troika e co-autor programa eleitoral PSD) (...)




Leiam tudo. A informação é a melhor arma do eleitor.



11 setembro 2013

11 de Setembro

 


Banalizam-se as palavras e os sentimentos.


Os gritos são palpáveis e o silêncio tão esmagador


como a memória. Não precisamos de flores


para lembrarmos o que resulta do fogo


da rigidez da desesperança.


Cabe-nos o fundo das vidas decepadas


e o fumo das decisões de nunca mais


que se repetem em tantos dias.


 

09 setembro 2013

Da ignorância das cucurbitáceas

 



 


 


A ideia era fazer um puré de couve-flor com brócolos, mas não tinha couve-flor. Depois pensei em substituir a couve-flor por abóbora, visto que tinha duas abóboras desde há alguns meses à espera da minha paciência para as tratar. Só que as abóboras, para meu enorme espanto, tinham a polpa branca (!) e ficaram reduzidas a 1.600g, pelo que usei a totalidade para o doce.


 


Portanto sobravam as courgettes, pelo que fiz puré de courgettes com brócolos. Tirei a casca às courgettes, cortei-as aos bocadinhos e salguei-as durante cerca de meia hora. Depois enchi uma panela com água, lavei e escorri as courgettes e cozi-as, juntamente com os brócolos. Depois de bem cozidos retirei a água toda e reduzi tudo a puré. Num tacho deitei um bocadinho de azeite e deixei fritar alho em pó, sal, pimenta moída, cebolinho, cominhos e manjericão. Misturei o puré e deixei um pouco ao lume, mexendo bem.


 


Após a surpresa da brancura das abóboras (e da negrura das pevides), reparei que a casca se separava esplendorosamente bem. Cheirei para ver se estavam estragadas, mas não. Retirei as sementes e os fios, cortei-as aos bocados, açúcar (1.200g), sumo de 3 limões, casca ralada como o maravilhoso microplane, 3 paus de canela e lume com tudo.


 


A seguir fui vasculhar na internet que tipo de abóbora tem a polpa branca. Cheguei à conclusão que era a tão famosa abóbora chila ou gila. E ainda, oh ignorância tamanha, em todas as receitas de doce de gila que li, em letras garrafais diziam que NUNCA se deveria usar a faca para descascar ou cortar a abóbora, aproveitando o chão para partir a dita e as mãos para descascar. Só que já era tarde e a faca tinha sido profusamente utilizada.


 


Devo dizer que já provei o doce, que não ficou em fios mas em pedaços, e que me parece bastante aceitável. Se calhar é mais um daqueles mitos urbanos, ou rurais, neste caso.


 


Assim tenho doce de abóbora que já fui distribuindo por gulosos simpáticos. O jantar compôs-se com bifanas de porco, acompanhadas pelo puré descrito mais acima, e com uma bela torta recheada com creme de chocolate. Nada mau.


 

08 setembro 2013

Das discussões de fundamentos

 


A propósito da limitação dos mandatos:


 


(...) Ao fim e ao cabo, será assim tão importante limitar administrativamente aquilo que parece não incomodar a sociedade? Sobretudo quando se torna tão fácil contornar a lei? (...)


 


Mas vale a pena ler o post todo.


 

07 setembro 2013

Marcas

 



Valérie Buess 


 


 


As marcas na madeira como escrita


de vidas sem história.


Estendo-me à beira do rio plantada


de ervas e raízes. Agarro a terra


macia e fácil. Presa estou nos braços


de quem me liberta.

A derrota da crise (14)

 



Teatro Meridional

A derrota da crise (13)

 



 


 


Os músicos da diáspora juntaram-se numa orquestra que só fala português


 


Toma um violino e agora desenrasca-te


 


A Orquestra XXI é quase como a selecção nacional


 


Foi assim que começou... Porque a banda precisava de um flautista


 


A Orquestra XXI mostra que é possível reaproximar o talento


 


Orquestra XXI

Do condicionamento da vontade popular

 


É bom ter à volta gente com quem se conversa e se discutem ideias. Isto a propósito da lei da limitação dos mandatos autárquicos.


 


aqui me referi a esta trapalhada e ao facto de ser incompreensível haver uma lei que tem que ser clarificada pelo Tribunal Constitucional, pois a interpretação é dúbia tendo os deputados recusado o seu esclarecimento.


 


A minha interpretação do espírito da lei, tal como me parece ter sido ventilado por todos os actores políticos, era que, a bem da democracia, deveria ser impossível a eternização no poder de determinadas pessoas, pois facilitavam a formação de compadrios e tráfico de influências, numa corrupção encapotada e de difícil controlo. Nesse sentido uma lei que limitasse o número de mandatos seria benéfica para a saúde democrática e para a credibilização da política e dos políticos.


 


Só que aquilo que a lei acabou por limitar foi a eternização num determinado local, não de uma determinada função. Ou seja, os partidos, se é que o fizeram com esse objectivo e não por incompetência e iliteracia, ludibriaram os eleitores ao darem a entender uma intenção que não tencionavam cumprir (com excepção do PCP).


 


Mas será que esta limitação é mesmo uma medida democrática? É que, tal como me foi apontado com acerto, esta é uma medida de contornos eminentemente antidemocráticos visto que obriga a uma renovação de representantes à revelia da vontade popular. Ou seja, se o povo quiser eleger alguém, mesmo que por 30 anos seguidos, a vontade popular deveria ser acatada, porque ela é soberana.


 


O facto dos partidos políticos não conseguirem renovar as suas lideranças e os seus protagonistas é motivo de preocupação, claro, mas terão que ser os mesmos partidos, dentro das suas estruturas, a alterar procedimentos. Conduzir o voto do povo, mesmo que a razão pareça nobre e enriquecedora, nunca deixa de ser uma forma de condescendência de cariz totalitário. É aos eleitores que cabe, em última instância, a decisão de apear qualquer representante das suas funções políticas.


 


Penso que esta é uma discussão que vale a pena ter. Na nossa sociedade são imensas as tentações totalitárias de condicionar comportamentos e costumes. O combate à corrupção tem a ver com uma justiça a funcionar e com transparência, o que pressupõe leis perceptíveis e aplicadas com toda a celeridade. Ceder ao politicamente correcto, à demagogia e ao populismo tem sempre custos, mesmo que não nos apercebamos deles no imediato.

04 setembro 2013

Evitar e combater a cegueira

 



 


 


A Fundação Champalimaud premiou, este ano, quatro ONG que actuam no Nepal, informando as populações, formando médicos, operando doentes, numa intervenção sanitária, social e humanitária.


 


As cataratas são uma das afecções que mais contribuem para a enorme prevalência da cegueira no Nepal. É uma doença que se trata com uma cirurgia pouco complicada. O tracoma, uma infecção crónica causada por uma bactéria (Chlamydia trachomatis), que se pode tratar com higiene e antibióticos, é a 2ª causa de cegueira no Nepal.


 


Estas duas doenças são uma tragédia social naquele país e em muitos outros. Este prémio significa mais intervenção da parte de organizações que estão a contribuir para que milhões de pessoas tenham uma vida um pouco melhor.


 

01 setembro 2013

Vergonha



Já alguém perguntou aos mais de 900 mil desempregados do que lhes valeu a Constituição?


 


Este governo é mesmo perigoso. Não me espanta - envergonha-me.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...