16 fevereiro 2011

Que se arrasta


George Bellows: New-York 


 


 


I.
Às portas da cidade, entre
os passos da chuva e o bramir
da multidão, correm os olhos. É mais
o ruído das vozes interiores, o rodopiar
de sentidos entre os dedos, que o coro
anónimo que se arrasta de gente.



II.
Dói-me a tua mão que falta
o ardor do exacto local
onde não estás.



III.
Perfeição de músculo, câmaras de entrada
e de saída, sem refluxos
nem arritmias. Já nem de corda
mas digital, corações
automáticos. Espero transplante
cerebral.


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