24 janeiro 2011

Urnas fechadas

 


 


Cavaco Silva mostrou, no seu discurso de vitória, o carácter e a disposição com que assume, de novo, o cargo de Supremo Magistrado da Nação. Palavras de ressentimento e azedume, para com os perdedores, palavras demagógicas e populistas, como muito bem assinalou D. Januário Torgal Ferreira, ao anunciar-se o Provedor do povo.


 



Temos um Presidente que, durante o ano de 2009, manipulou ou mandou manipular informação, fabricando um caso que denegrisse o governo, o famoso caso das escutas de Belém. Temos um Presidente que se dirigiu ao país por três vezes, mantendo-o em suspenso, para falar do desrespeito que o Parlamento lhe mostrou ao aprovar o Estatuto dos Açores, para justificar não justificando o triste episódio em que, em plena campanha eleitoral, tentou condicionar o voto contra o PS, encenando uma ofensa atroz (o caso das escutas já citado), e para falar da promulgação da lei do casamento entre homossexuais, que ele assinou não concordando.


 


Todos dizem que o Presidente não tem qualquer importância, que não tem qualquer papel, que não tem qualquer poder. Mas tem o poder de congregar a vontade da sociedade, de optimizar as ideias, de animar os que se desistem. Com este Presidente vamos continuar a nossa saga de coitadinhos, de não arriscar, de falta de desígnios e de alegria, de pobrezinhos mas honestos. Falta uma centelha a este Presidente, a centelha do visionário, do bobo ou do sábio, falta-lhe a sensibilidade do artista, a prioridade dos direitos, o arrepio em em vista da caridadezinha.


 


Os eleitores do PS estilhaçaram-se por vários candidatos e pela ausência de participação, divididos entre a recusa a Cavaco Silva por um lado, e a Manuel Alegre por outro, tal como aconteceu há 5 anos, em que o PS apoiou oficialmente Mário Soares em detrimento de Manuel Alegre.


 


É destes desencontros que se vai construindo o desinteresse dos eleitores. Qualquer dia o desinteresse pelo regime democrático.


 

3 comentários:

  1. E será que daqui por 5 anos teremos de levar com o Manuel Alegre de novo?

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  2. Desinteresse dos eleitores?
    O cidadão-eleitor Tuga mata o voto, mete-o na urna e depois fica com cara de enterro.

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  3. "a nossa saga de coitadinhos, de não arriscar, de falta de desígnios e de alegria, de pobrezinhos mas honestos"

    Antes ousados, alegres, ricos e desonestos (ou, se preferir, mentirosos) como nos útimos anos, não é? Se conseguirmos quem nos continue a dar dinheiro, não é mal pensado. Confesso que gostava de ter uma ponte sobre o Douro só para mim. Que tal como desígnio ambicioso?

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