Michael Olszewski
Deixo que as letras se formem no branco letras pretas vivas desejosas de se escreverem. Saem assim depressa e levemente mesmo que escrevam pedras e sono e chumbo e dor. Pedras de chumbo que dormem com dor. Sono de pedras com chumbo de cor. Palavras sem tino nem nexo só palavras que me saem e me pesam.
Depois há os dedos as teclas os sinais as vírgulas os pontos finais. Aqueles que uns gostam e outros riem gozam desprezam. Não se podem ignorar aqueles que torcem as bocas em risos sem som só grandeza frígida condensada no alto da arrogância de quem se pensa único. Por isso me arrogo o mesmo direito a mesma sombra de riso no canto da boca. Leio não gosto leio apago leio quero não ler dormir afundar o corpo até ao peso da terra quebrar os magmas as árvores rasgar-me pelos mares que atravessam de um ao outro lado a desesperança.
Fecho os olhos a boca volto do avesso o grito retraio o som silenciado perante tantas letras tantas palavras que nos custam a pele os nervos que desligam a mente sem muita dor muito peso muito chumbo.
Belíssimo texto sobre o acto de escrever.
ResponderEliminarObrigada.
EliminarMagnífico!
ResponderEliminarO peso das palavras livres...
Obrigada, JRD.
EliminarVoltei atrás no tempo e lembrei-me do que escrevias quando vivíamos no Mindelo. Já nessa altura as palavras eram tuas aliadas, tal como agora.
ResponderEliminarUm abraço
Paula, que surpresa e enorme satisfação por te ler por cá. Nem sempre me chegam as palavras. Como agora.
EliminarConcordo, claro, Paula!
EliminarE com a Sofia também ;)
Que saudades de ti!
Beijinhos :))
É que nem sei mesmo que dizer!!! Como te saem fáceis as palavras... Como fazem tanto sentido de uma forma tão bela!!!!
ResponderEliminarObrigada!
Obrigada eu, Donagata , por gostares.
EliminarFaço minhas as tuas palavras, prima. Até porque não tenho palavras. E a mim elas não me saem fáceis...
ResponderEliminarÉ que assim até parece que é só pegar numa caneta, ou desta forma mais tecnológica, e começar a escrever que todas as palavras aparecem, lindas e coerentes, como neste texto. Mas não é. Definitivamente ;)
Lindo!
Beijinhos :**
Espectacular surpresa,a sua Poesia...
ResponderEliminarMesmo feita em prosa!...
Obrigada.
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