10 junho 2009

Símbolos

 



 


Não haverá melhor dia para propor uma mudança dos símbolos nacionais do que o dia de Portugal. Embora os símbolos não estejam obrigados a modas passageiras nem tenham épocas, o nosso hino foi elaborado com uma intenção e para uma realidade que já não existe.


 


Tal como Alçada Baptista sugeriu em 1997, porque não mudar o hino?


 


Mesmo tendo sido quase trucidada quando coloquei esta hipótese, mesmo fazendo parte de uma minoria oprimida e marginalizada (cá em casa, pelo menos), vou lançar este tema fracturante, ao mesmo tempo estimulante, pois podemos emprestar a nossa arte ao patriotismo e às frases heróicas, desfiando alguns blogues a proporem um novo hino e, se quiserem, outra bandeira.


 


Quem quiser ser original, quem quiser aproveitar poemas doutros bardos, está à vontade. Quem não quiser prescindir d’ A Portuguesa e desta bandeira, pois que vocifere e exponha as suas razões (de uma forma pouco bélica, porque aqui não há canhões).


 


Eu posso começar:


 


A Fala


 


Sou de uma Europa de periferia

na minha língua há o estilo manuelino

cada verso é uma outra geografia

aqui vai-se a Camões e é um destino.


 


Velas veleiro vento. E o que se ouvia

era sempre na fala o mar e o signo.

Gramática de sal e maresia

na minha língua há um marulhar contínuo.


 


Há nela o som do sul o tom da viagem.


O azul. O fogo de Santelmo e a tromba

de água. E também sol. E também sombra.


 


Verás na minha língua a outra margem.

Os símbolos os ritmos os sinais.

E Europa que não mais Mestre não mais.

 


(poema de Manuel Alegre)


 

16 comentários:

  1. No meu íntimo, porque nunca o comentei ou escrevi, a bandeira da República Portuguesa deveria ser a do Portugal Monárquico sem a coroa, já que o país continua a ser o mesmo. Por outro lado, não gosto da conjugação verde/vermelho da bandeira que, salvo erro, simboliza a "união ibérica", mas não é por isso!; já o azul e o branco são cores de que gosto e uso, que se harmonizam. A bandeira que apresenta como sugestão só me pode agradar, não só pelo que já disse, como por acrescentar o elemento de pertença à União Europeia. Quanto ao hino, deixo aos poetas e letristas a tarefa de pensarem nisso. Pode até não ter letra e ser um trecho de uma qualquer sinfonia de Mozart, Beethoven, Brahms, Tchaikovsky, Bach, Schubert, Seixas (um português), etc. Para mim, um país, uma comunidade de pessoas livres e, principalmente, cada membro dessa comunidade, está em primeiro lugar face a qualquer simbologia.
    Parabéns pela ideia. Se houver uma petição a favor dessa bandeira, eu quero ser das primeiras a subscrevê-la.
    A abraço.
    M.Josefa Paias

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    1. Fernando Frazao16:22

      Bem se a letra, ou melhor poema, porque, afinal, é do Manuel Alegre, de quem será a música?
      Sugiro o Paulo Gonzo ou ainda melhor o Rui Veloso.
      Pode ser o Luís Represas a gravar como solista e o Coro de S. Amaro de Oeiras para o refrão.

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    2. Eu acho os símbolos importantes, principalmente porque podem ser agregadores. Será que o hino e a bandeira que usamos significa alguma coisa para o Portugal e os portugueses de hoje?

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    3. Fernando Frazao14:46

      Fracturante seria mesmo arranjar uma música, sem letra, como os espanhóis.

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  2. Quem sabe se este tema fracturante não era interessante?
    Aceitam-se mais sugestões!

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  3. Já dei continuidade, mas confesso que esta bandeira me estar a provocar uma reacção pior do que a alergia sazonal da época, porque é crónica, a reacção às cores, mesmo que dsipostas ao contrário.
    Espero que não fique desiludida.

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  4. paulo santiago23:31

    Sofia,não a quero trucidar.
    Talvez tenha razão em considerar que os nossos
    Símbolos,Bandeira e Hino,não dirão muito aos
    portugueses de hoje,mas a culpa não será dos
    símbolos,será antes da desmemória para onde o País
    caminha.O que acha da Marselhesa?e do hino da
    Escócia?Nasceram também em contextos muito
    diferentes dos actuais,no entanto vemos o empolgamento em que são cantados,por franceses e
    escoceses,principalmente em eventos desportivos.
    Sou da geração da guerra,para onde fomos obrigados
    e contrariados,e houve mortos que chegaram,os que
    chegaram,às suas terras e famílias cobertos com
    aquela Bandeira.Deixemos que ela permaneça.
    Gosto do poema do Manel Alegre,considero-o um dos
    nossos maiores poetas,mas deixe-me continuar a
    cantar a Portuguesa,por vezes com lágrimas,como há
    dois anos aconteceu no Stade de Lyon
    Bem-Haja

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    1. Paulo Santiago, não me trucidou, apenas me "aplanou". Concordo consigo em parte, a falta de memória é um dos nossos problemas e um dos factores de pouca identidade nacional.

      Mas podem existir outros símbolos que não desmereçam a História comum e tenham significados de evolução de uma sociedade e de um país.

      Gosto da Marselhesa e do hino da Escócia. Também gosto do meu. Mas talvez pudesse gostar ainda mais.

      Obrigada pelo seu comentário. Vou puxar-me para tentar atingir a altura anterior...

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    2. Sísifo18:45

      Sem comentários. É disto mesmo que o país e o mundo precisam.

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  5. cruzado01:24

    Isto tem alguma coisa a ver com o mapa côr-de-rosa?

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  6. Estrela13:55

    Gostaria de dizer também qualquer coisa, embora não vá acrescentar muito, nem me considero uma pessoa culta por aí além, mas por vezes tenho o "defeito" de emitir opinião pessoal.

    Não sei o porquê de se falar tanto nisto da bandeira e do hino, assim como outras questões que não estão bem nem mal mas causam "incómodo" a quem as vê, sente ou ouve.

    Pegando como já alguém aqui disse, a Merselhesa é algo intemporal, representando altos valores humanos, como a Igualdade, Liberdade e a Fraternidade entre todos... de sempre e para sempre.

    Porque não consideram também o nosso hino e a nossa Bandeira, actual, algo de intemporal que deve ser relembrado, como a queda da Monarquia e a Implantação da Républica e todos os valores que se seguiram? Ou será que apesar de tudo já não estamos numa Républica?... apesar de muitos outros valores se terem já esfumado é certo mas o principio permanece.

    Obvio que a letra do hino não é algo para ser tomado à letra, passe a redundância, e nesse sentido é uma excelente letra, porque eu vejo por exemplo a parte "pela Patria contra os canhões marchar" como o enfrentar da vida no geral, contra as dificuldades ir em frente e superá-las, sendo a Patria nós proprios, a nossa vida.


    E em relação ao novo hino e a nova bandeira, que propõe, o que representam para si ou entre todos nós portugueses?

    Imaginemos agora a situação de mudarmos de hino e de bandeira, até quando seria razoável que permanecessem "no activo"? Até que a proxima pessoa dissesse que não tem sentido? E qual é o sentido da actual dupla? Ou acham mesmo que realmente é algo sem sentido o que temos agora?

    Mesmo assim menos mal para a escolha, porque até já ouvi defenderem um grupo novo chamado Deolinda para aprovarem uma musica deles para hino nacional... haja bom senso.

    Não sou contra mudanças, pelo contrário, só mudando é que se evolui, mas em coisas que sejam mesmo úteis ou com sentido e a minha opinião pessoal é que neste momento mudar uma bandeira e um hino é algo tão útil para a nossa evolução ( como país e/ou cidadãos portugueses) absolutamente não necessário.

    Posso estar errado, obviamente, mas parece-me de uma maneira mais fria, estamos aqui apenas a discutir cores e sons...

    Ora cores e sons cada um gosta mais de uns que outros e pegando nas bandeiras e paises por esse planeta fora, sentem que essas bandeiras e hinos mostram os paises que os compõem?

    Numa última questão pergunto se as pessoas estão a colocar em causa a bandeira e o hno ou o país? Será a bandeira e o hino que estão mal ou será o país que está mal em relação à bandeira e hino? Será que deviamos mudar o pais em vez dos seus simbolos?

    Não haverá um descontentamento generalizado com o país porque este se desviou dos pressupostos iniciais da sua bandeira e hino?

    Saudações cordiais

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    1. Estrela, tem toda a razão. Isto não é problema nenhum, mas também não me parece que seja um assunto que se não deva discutir. É frívolo? Se calhar sim, há muitas outras coisas mais importantes do que as cores da bandeira e a letra do hino.

      Quanto à intemporalidade já não estou tão de acordo. Os símbolos existem e algo os fez serem símbolos. Podem existir cores e hinos que sejam mais consentâneos com o momento presente e de futuro próximo do país.

      Volte sempre!

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  7. Rep. das Bananas19:15

    A mim me gusta mucho la bandeira de españa y do CRonaldo. Puedes colocar la bandera de españa en las ventanas y ablar que CR já non está jugando no extrangeiro pero na tua própia pátria. Viva o CR y la región de Portugal.

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