11 janeiro 2009

E Obama nunca mais toma posse

 


Tinha planeado escrever sobre muitos assuntos, todos já descascados e dissecados, esgrimidos e explorados por muitas pessoas.


 


Do caso Esmeralda que, segundo as notícias que foram saindo no Correio da Manhã, desde Outubro de 2004 a Janeiro de 2009, transformaram o Baltazar num triste pai que se batia galhardamente pela filha, resultante de uma relação ocasional com uma brasileira, mas que tinha assumido logo que tinha sido provado que era mesmo filha dele; que transformara um casal que recebeu uma criança à margem de todos os trâmites legais das mãos da mãe, e que se negou a acatar as ordens dos tribunais, recusando a entrega da criança ao pai e fugindo da justiça num casal de heróis que lutavam por uma criança que tinha sido abandonada pelo pai. Do caso de uma criança que foi e é o joguete dos adultos, todos com as mais nobres intenções, mas que não cumpriram a lei, que se serviram e foram tragados pelo circo mediático que se montou desde 2007, com as emoções e a manipulação da opinião pública, pelas mais nobres intenções mas que não devem, não podem, interferir com o poder judicial.


 


Da entrevista de Sócrates que lhe correu bem, apesar da atrapalhação em explicar as ajudas e as garantias ao BPP. Da inacreditável conduta de Ricardo Costa que confunde independência e rigor informativo com má educação e arrogância descabida.


 


Do debate que se tem travado sobre a clarificação do PS e de Sócrates quanto às suas intenções governativas e na dependência de ter ou não a maioria absoluta nas próximas eleições. Pois quanto a mim seria muito útil que Sócrates se demarcasse totalmente de possíveis alianças à direita, leia-se PS e CDS/PP, caso não consiga mais de 50% dos lugares na Assembleia da República.


 


Da perda de credibilidade de Manuel Alegre e da ala esquerda do PS que preferiram as contabilidades de votos a seguir, segundo os próprios, a sua consciência e as suas batalhas de esquerda, somada à perda de credibilidade da posição do BE após o artigo de Luís Fazenda.


 


Enfim, de muitos outros assuntos como o desafio de Manuela Ferreira Leite a Sócrates, a mais do que deplorável actuação de Israel ao invadir a Faixa de Gaza, robustecendo politicamente as franjas mais extremistas do Hamas, com quem deveria ter tentado negociar, do problema do fornecimento de gás monopolizado pela Rússia. E claro, da inevitável gripe e da omnipresente crise.


 


Enfim, estamos todos à espera que Obama tome posse.


 



(caricatura de John Cox)


 


 


Adenda: vale a pena ler este post do Pedro Correia.


 

5 comentários:

  1. aires bustorff09:43

    é isso...
    hoje 12,
    faltam 8 interminaveis dias para Obama...
    já em Novembro contavamos os dias para dia 4, 5 nosso...
    nisto, o mundo e nós nos tornámos
    neste caos, felizmente...
    ja chega de bushices e corjas derivadas locais
    de que também nos coube algumas parcelas...
    de acordo todos items sua reflexão..,
    obrigadoe abraço

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  2. Uma óptima síntese das questões que nós esperamos que Obama irá resolver. Irá?
    LS.

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    Respostas
    1. Cristina Loureiro dos Santos00:15

      Irá com certeza resolver algumas questões, abrir caminhos para resoluções de outras. Não de todas, claro, mas nada ficará como dantes, pois não?

      Infelizmente não pode fazer nada em relação à clarificação do PS ou à instabilidade de Manuel Alegre ou ainda à tristeza do caso Esmeralda...

      Beijinhos :)

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  3. Exacto, Cristina, mas pode levantar o moral e mostrar alguma diferença. Já não era mau.

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  4. ainda bem que ele assumiu logo, não se aguenta mais bush e cia

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