21 maio 2008

A insustentável leveza do ser

Nas últimas décadas o primado da individualidade, do quero por isso posso, da liberdade de escolher a nossa vida, da necessidade de a comandar, de a decidir, retirando a deus, ao destino, ao acaso, a condução do que nos vai acontecendo, deixou-nos um vazio e uma estupefacção quando algo de totalmente inesperado faz dar uma volta de 180 graus ao planeado.


 


E no entanto, se olharmos para aquilo em que resultaram os anos já passados, desde o local onde vivemos, às pessoas que nos rodeiam, entre amigos e família, ao nosso papel com os filhos e os pais, no amor, no trabalho, em todas as facetas do nosso crescimento, poucos serão os que acenam satisfeitos pelo facto de tudo se ter passado como imaginavam, sonhavam ou até receavam.


 


Tenho assistido a muitas lutas para que tudo volte ao trilho inicial, a muitas frustrações pelo que é entendido como falhanço, mas a poucas situações de adaptação activa, calma e ponderada aos acontecimentos incontroláveis que se nos impõem.


 


Se calhar é aí que está o segredo: sem cedências nem desistências saber olhar para as reviravoltas da vida e conseguir levá-la a bom termo, nem que seja de verde em vez de vermelho, nem que seja para a esquerda em vez de para a direita, mas com todos os sentidos naquilo que queremos alcançar, naquilo a que chamamos felicidade.


 



(Milan Kundera, Phillip Kaufman)

2 comentários:

  1. ibis vermelho09:36

    É isso mesmo (acho eu!), Sofia!!!
    É fazer uma limonada fresca, fresquinha, doçinha q.b., com os limões que a larangeira (transgénica, seguramente!) nos deu.
    Quando os trilhos da Vida são (por um ou outro motivo) os esperados onde reside o Divino de se Ser Humano?!

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  2. É mesmo "aí que está o segredo"...!
    :)

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