05 outubro 2007

A Escola (1)

(…) Entre eles, destacaria o ideal educativo, que sempre marcou o programa político do regime instituído em Outubro de 1910.

(…) Tratámos a escola como um problema de governo e não como um problema de regime. E concentrámo-nos em demasia na relação entre o Estado e a escola, sem atender ao papel e às responsabilidades próprias da sociedade civil.

(…) Devemos começar por afirmar que uma escola republicana é uma escola plural e aberta, que cultiva a convivência entre as mais diversas convicções, credos ou ideologias.

É também uma escola neutra, no sentido em que não se encontra ao serviço de uma qualquer ideologia oficial patrocinada pelo Estado ou qualquer organização.

Por outro lado, importa sublinhar que a educação é a base da verdadeira inclusão social, pois esta encontra-se associada, em larga medida, às qualificações e competências de que cada um dispõe.

Mas também num outro sentido se deve salientar o carácter inclusivo da escola: a democratização do ensino e a escolaridade obrigatória são factores de igualdade e elementos de convivência interclassista, interracial ou interconfessional.

(…) Preocupamo-nos em cuidar dos nossos filhos no plano material, mas é frequente julgarmos que a educação, o bem mais importante e decisivo para o seu futuro, é tarefa que compete sobretudo a outros.

(…) Há toda uma cultura de autoexigência que deve ser estimulada nos pais, levando-os a envolver-se de forma mais activa e participante na qualidade do ensino, na funcionalidade e na conservação das instalações escolares, no apoio ao difícil trabalho dos professores.

A escola está inserida na comunidade. Poder-se-á dizer, de certo modo, que uma comunidade deve ser construída tendo a escola como centro. Daí que as autarquias locais devam assumir maiores responsabilidades relativamente aos estabelecimentos de ensino.

(...) Esse envolvimento pressupõe também, como é natural, que a figura do professor seja prestigiada e acarinhada pela comunidade, o que requer, desde logo, a estabilidade do corpo docente.

É também necessário compreender que, em larga medida, a dignidade da função docente assenta no respeito e na admiração que os professores são capazes de suscitar na comunidade educativa, junto dos colegas, dos pais e dos alunos.
(…)


Não tarda nada e começo a gostar (um bocadinho) de Cavaco Silva…

(
discurso do Presidente na cerimónia de comemoração do 5 de Outubro de 1910)

4 comentários:

  1. Donagata00:07

    Tinha já lido este teu post mas até me tinha custado a acreditar. E, afinal é mesmo verdade! O senhor disse isso mesmo.A minha alma está parva. Muito lhe deve ter custado!
    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  2. Bem, não disse propriamente nenhuma novidade...

    beijinhos de bom fim-de-semana!
    Ana Luísa

    ResponderEliminar
  3. Sofia Loureiro dos Santos12:45

    Não disse nenhuma novidade, mas disse, alto e bom som.
    Estará Cavaco Silva a sofrer uma metamorfose?

    ResponderEliminar
  4. Cristina Loureiro dos Santos13:18

    Hummm... Custa-me a acreditar na metamorfose... E a minha alma também está um bocadito parva ;)
    De qualquer maneira, ainda bem que o disse, alto e bom som!

    Beijinhos :))

    ResponderEliminar

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...