07 junho 2007

Competências políticas

Causam-me algum desconforto os debates sobre decisões governamentais em que se pedem estudos técnicos e bases técnicas, nomeadamente para a remodelação da rede das urgências hospitalares, co-incineração de resíduos perigosos e, mais recentemente, a localização do novo aeroporto na Ota.

Os estudos técnicos são importantíssimos e indispensáveis para qualquer resolução. Mas as decisões últimas têm carácter político. Com os mesmos estudos técnicos, económicos, ambientais, etc, tudo o mais científico possível, podem escolher-se caminhos e ideologias muito diversas, todas elas muito bem escudadas cientificamente. Por outro lado, há vantagens e inconvenientes em qualquer decisão.

Da mesma forma também sinto desconforto com o resultado de algumas decisões judiciais, mais uma vez sobre matérias que dizem respeito à esfera governativa. Até que ponto não está o poder judicial a imiscuir-se no poder executivo?

Quem tem a responsabilidade de governar são os políticos, não são médicos, biólogos, engenheiros, economistas, informáticos, juízes ou advogados, por muito sérios e competentes que sejam. Na verdade, é nos políticos que votamos.

6 comentários:

  1. Mar Arável22:54

    O governo está a constituir-se a si próprio como arguido para naturalmente ser julgado por tanta incongruencia.

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  2. A responsabilidade de governar sendo uma das atribuições dos políticos, como qualquer acto público que é praticado por uma entidade colectiva (Governo) ou individual (membro do Governo) não está isento de irregularidades ou de crimes que os tribunais, a pedido dos lesados, poderão e deverão julgar.

    Quando “ouvidos moucos” à sociedade civil são oferecidos, à Justiça esta se vê obrigada a recorrer.
    E só o pretenso “interesse público”, alegado pelo poder político, tem conseguido calar a “voz da razão” e transformado inconsequentes as decisões do poder judicial.

    Só que o dito “interesse público” é muito, mas muito subjectivo, quantas vezes confundido com outros interesses que de públicos nada têm…

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  3. Peço desculpa pela ironia -amarga-mas, defeito meu, tenho alguma dificuldade em compreender muitas das decisões do governo, pelo que me apetece lembrar Clemenceau e improvisar assim: A política é um assunto demasiado sério para ser confiado aos políticos.

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  4. Clara Branco16:58

    A Ota...estádios construídos na Palestina financiado pelo governo português...maternidades,urgências e escolas a fechar.

    É um governo repleto de incongruências.

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  5. Anónimo12:09

    Sofia,

    Vejo que o seu blog continua sempre saudável. Quando quiser pode apagar o link para o suprimido "Fatalista" já que estou a fazer uma página para os novos trabalhos.

    Para quando "O Livro?"
    :)

    Beijinhos.

    Hugo

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  6. Sofia Loureiro dos Santos12:39

    Obrigada a todos os comentadores(as). Eu também tenho dificuldade em perceber muitas das decisões ou indecisões do governo. E a sociedae civil deve controlar, contestar, perguntar e fornecer alternativas. Mas os políticos são os responsáveis mandatados por todos nós para decidir, e é por essas decisões (ou indecisões) que serão julgados nas urnas. Não são os membros de comissões científicas que responderão pelas decisões políticas.

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