28 abril 2007

A Curva

Alguém tem de aparecer naquela curva
mesmo que se não saiba o que é depois
se estrada larga ou morte ou água turva
se solidão ou um a ser já dois

A vida toda em sonho a esperar sempre
naquela curva não importa quem
alguém que diga o quê e saia ou entre
ainda que depois não mais ninguém.

Alguém há-de aparecer alguém que aponte
quem sabe se um aquém ou se um além
ou nada mais senão o horizonte
daquela curva onde se espera alguém.


[poema de Manuel Alegre (Doze Naus); pintura de Oswaldo Barahona: Vías y Cruces]

4 comentários:

  1. Yvette Centeno03:03

    Sofia,
    Quase parece que já leu a minha apresentação...
    Les bons esprits se rencontrent !
    Um abraço,
    Y.

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  2. impaciente16:13

    Lindo!

    Parece um texto dedilhado por Cavaco Silva, um poeta muito apreciado na nossa praça (o Bulhão!).

    Dá para comparar?

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  3. Eufrázio Filipe19:19

    Do Alegre aprecio mais o CÃO COMO NÓS.

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  4. Sofia Loureiro dos Santos21:41

    Este é um dos melhores!

    ResponderEliminar

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