28 dezembro 2006

Repetido

Voltarei no segundo
anterior à fronteira
em que fui retalhando
esta alma derradeira.

Voltarei devagar
como sonho repetido
àquele mesmo lugar
anterior ao segundo
em que hei-de enfrentar
o recomeço do mundo.

Voltarei eco de mim
lembrança raiz ou flor
novo sopro nova dor
nesse momento preciso
explosão de infinito
de quem ri por amor.

(Pintura de Naofumi Maruyama: breeze of river 1)

6 comentários:

  1. impaciente23:00

    Pode ser “Repetido” até à exaustão!

    E o sexteto final é um corolário magnífico!!!

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  2. Sofia Loureiro dos Santos11:38

    Obrigada, Impaciente. Para mim é sempre bastante paciente!

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  3. HarryHaller12:02

    "Voltarei no segundo
    anterior à fronteira
    em que fui retalhando
    esta alma derradeira"
    Sublime poesia, como é a poesia que toca no intrínseco do ser.
    Um bom ano novo Sofia e vamos pensar que a poesia pode ser uma ponte para a paz entre os povos.

    PS: Bebe um bom vintage:)

    Lobo das Estepes

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  4. Sofia Loureiro dos Santos12:20

    Harry Haller: a arte é das únicas linguagens comuns que resistem nesta torre de Babel de sentimentos. Obrigada pelas tuas palavras e beberei um Porto vintage, à tua saúde!

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  5. Cristina Loureiro dos Santos12:26

    Sofia, acho que é um dos melhore poemas que tenho lido ultimamente.

    Fabuloso!

    :)

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  6. Sofia Loureiro dos Santos12:35

    Cristina, não exageres, por favor! Mas muito obrigada na mesm!

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