20 setembro 2006

Modere-se, Sr. Ministro!

Pois é, começam a ensaiar-se medidas de aumento dos impostos, mesmo indirectos, para a sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Só que não se percebe, mais uma vez, a estratégia, caso ela exista, deste ministro e deste governo.

Como o próprio nome indica, moderar significa conter, regular. O objectivo primário da existência de taxas moderadoras para urgências, consultas e exames complementares, era reduzir ao estritamente necessário as mesmas urgências, consultas e exames complementares. Não sei se resultou.

A criação de taxas moderadoras para os internamentos hospitalares e para as cirurgias de ambulatório não pode moderar nada porque os decisores não são os doentes e porque não me parece lícito pensar que se internam e operam doentes sem necessidade.

Qual é a ideia de Correia de Campos? Não seria mais aconselhável explicar o problema ao país e decidir o que fazer, sem estes subterfúgios infantis e disparatados?

Modere-se, Sr. Ministro!

8 comentários:

  1. António Rufino14:16

    A estratégia do ministro existe e é clara: abrir o caminho à institucionalização da saúde privada como o verdadeiro sistema de saúde do país. E está a ser terrivelmente bem sucedido, diga-se de passagem.

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  2. Sofia Loureiro dos Santos16:06

    Para mim ainda não é nada clara a estratégia do ministro. A verdade é que há um estudo em cima da mesa que RECOMENDA a manutenção do SNS, mais ou menos com os mesmos contornos dos actuais, SUGERINDO aumento de impostos, directos ou indirectos (através de maior participação dos utentes) para a sua sustentabilidade financeira. Coincidência ou não, também já há um documento sobre a CONSTITUCIONALIDADE da diferenciação e aumento das taxas reguladoras. Parece-me que o ministro escolhe os impostos, tal como lhe é recomendado. Veremos. Espero que as decisões sejam claras e verdadeiras. E espero que se mantenha o modelo do SNS (links dos vários documentos no meu post "O ano das decisivas decisões").

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  3. António Rufino16:46

    Sofia, que estudo é esse de que ainda não ouvi falar? Apenas uma achega: o ministro não escolhe o caminho do aumento de impostos. Alargar a incidência de taxas "moderadoras" não é, sob nenhuma perspectiva, um aumento de impostos. E não é, sob nenhuma perspectiva, admissível. Nota, eu nem me importava de sofrer um aumento de impostos, no IRS ou fosse onde fosse. Agora, isto não. É cruzar uma linha que não deve nunca ser cruzada. Mas o ministro já o fez. E não voltará atrás. É tarde demais. Para complementar o que digo: "Para mim ainda não é nada clara a estratégia do ministro", dizes - tu não sabes o que eu sei. Esperas que se mantenha o modelo do SNS, e esperas bem... eu, cada vez mais, desisti de esperar. Como disse, está a ser cruzada, a passos de gigante, uma linha que não devia ser cruzada...

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  4. Sofia Loureiro dos Santos17:34

    Para que fique claro não concordo com estas taxas moderadoras, como já escrevi, nem considero que sejam moderadoras, nem penso que financiem coisa nenhuma.
    "http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/destaque/pt/desarrollo/685401.html" - link para uma notícia sobre o resultado do estudo sobre a sustentabilidade financeira do SNS e suas recomendações. Quanto ao ministro voltar atrás, já vi coisas mais estranhas. De facto, não sei o que tu sabes. Mas porque não mo dizes?

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  5. António Rufino12:32

    fonte confidencial que me fez prometer segredo... mas acredita, se se confirmar, é bomba das grandes, e não vai haver marcha-atrás que anule os efeitos devastadores... e mais não posso dizer :(

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  6. António Rufino15:25

    Lê o post que escrevi depois de ler a tal notícia (obrigado pelo link!), sobretudo o que está nas entrelinhas da primeira reflexão que faço... mais que isto não te posso dizer...

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  7. Sofia Loureiro dos Santos20:19

    OK, António, vou lá ver. Aguardo a surpresa. Espero que a "fonte" tenha percebido mal...

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  8. António Rufino12:38

    Perceber mal não percebeu, só espero ter-se enganado no carácter de "fait accompli" da coisa, e que não se concretize...

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