18 abril 2006

Trabalhar


Braços, terra, papel, violinos,
prolongamentos do corpo,
como dedos, sons ou raízes,
entrelaçadas de nós.


Muito se tem falado sobre o abstencionismo dos deputados da Assembleia da República.

Penso que o problema é mais generalizado, vasto e profundo.

Hoje em dia o trabalho raramente é visto como um dever, como uma contribuição individual para o bem colectivo.

Deixou de ser compensatório, em termos sociais, ser um trabalhador competente, merecedor de confiança. Dá-se importância à remuneração em si, não se dá importância ao facto de ela ser resultado de um qualquer serviço do cidadão. Quase chegamos a pensar que temos o direito de receber um salário independentemente do trabalho que desenvolvemos.

Não se premeia o empenho, o saber, a assiduidade, a partilha de experiências. O trabalho existe no intervalo de todos os outros afazeres.

Penso que a noção de solidariedade ficou restrita à segurança social, às contribuições para as várias associações de apoio a diversos grupos de cidadãos, às pensões de subsistência, aos rendimentos mínimos e às esmolas.

Solidariedade rima com sociedade. Trabalhar é um acto de solidariedade com que, todos os dias, sustentamos a sociedade.

(pintura de Kristina Branch: Men at Work)

3 comentários:

  1. Silvares23:28

    Sinceramente, vejo o meu trabalho mais como uma das várias razões da minha existência do que como um mero meio de subsistência. Há outras coisas importantes mas o trabalho está bem acima na lista!

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  2. ana luisa01:57

    trabalhar cansa e remar contra a maré dá uma trabalheira do camandro

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  3. Sofia Loureiro dos Santos16:38

    Lá cansar, cansa. Vou ver se descanso!
    Olá!

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