31 dezembro 2018

Que espero?

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Alex Chinneck


 


 


Nada espero do que não esperei


esperança de nunca que nada serei


sem nada do sonho do nada que sei


de mim que me dou a tudo o que dei


espero por ti que por ti me darei.

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28 dezembro 2018

Das afrontas e dos esquecimentos

É muito interessante a notícia que saiu hoje no Expresso online, sobre a afronta a ADSE exigir a alguns prestadores privados um montante de 38 milhões de euros que lhes terão sido pagos indevidamente (em causa facturações de 2015 e 2016). A notícia avança mesmo com a ameaça, veiculada pela Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, de quebra de prestação de serviços à ADSE.


 


O que o Expresso se esqueceu de referir é que há um parecer da PGR dando razão à ADSE, obrigando os prestadores a pagarem a dívida reclamada - notícia de 13 deste mês.


 


Curioso. Mais curioso a fonte de ambas as notícias ser a mesma agência Lusa.

Dos encerramentos e reaberturas da Maternidade Alfredo da Costa

Em 2012, no governo do PSD/CDS liderado por Pedro Passos Coelho, Paulo Macedo (Ministro da Saúde) decide que a Maternidade Alfredo da Costa (MAC) deve encerrar. Foi uma comoção geral, nomeadamente por parte da oposição (PS, BE e PCP), tendo-se assistido a manifestações, correntes e abraços à volta da MAC, providências cautelares e decisões judiciais com o objectivo conseguido de adiar o encerramento.


 


Apesar de Assunção Cristas se esforçar imenso por apagar a presença do seu partido nesse governo, o CDS apoiou, e quanto a mim muito bem, a decisão de Paulo Macedo. Neste momento surge à porta da MAC perorando contra a escassez de Anestesistas e outros profissionais de saúde na MAC e no restante SNS. A falta de vergonha é mesmo gritante. E não há um único jornalista que lhe lembre estes factos. Na verdade, se a MAC deveria encerrar (mesmo que dentro de alguns anos), não tem muita lógica admitir mais médicos para os seus quadros. Mesmo que a MAC só seja totalmente desactivada apenas quando abrir o novo Hospital de Lisboa Oriental, a transferência de serviços para outras unidades, dentro do CHLC, não parece ter sido revertida.


 


Porquê agora esta barragem noticiosa, acrítica, em relação à falta de Anestesistas na MAC?

27 dezembro 2018

Minha namorada


Miúcha


 


Meu poeta eu hoje estou contente


Todo mundo de repente ficou lindo, ficou lindo de morrer


Eu hoje estou me rindo, nem eu mesma sei de que


Porque eu recebi uma cartinhazinha de você


 


Se você quer ser minha namorada


Ah, que linda namorada você poderia ser


Se quiser ser somente minha


Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha


Que ninguém mais pode ser


Você tem que me fazer um juramento


De só ter um pensamento, ser só minha até morrer


E também de não perder esse jeitinho de falar devagarinho


Essas histórias de você


E de repente me fazer muito carinho


E chorar bem de mansinho sem ninguém saber porquê


 


E se mais do que minha namorada


Você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer


Aquela amada pelo amor predestinada


Sem a qual a vida é nada, sem a qual se quer morrer


Você tem que vir comigo em meu caminho


E talvez o meu caminho seja triste pra você


Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos


Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois


E você tem que ser a estrela derradeira


Minha amiga e companheira


No infinito de nós dois


 


Vinicius de Moraes

Aniversário

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Crack the Whip


J. Seward Johnson


 


 


E quando os anos eram longos como longas


as tardes da nossa infância em que cabiam


todos os olhos e mundos que nos aguardavam.


E quando os braços eram pequenos como pequenas


as andanças das memórias a que chegamos


desbotadas fugidias sem que se apaguem ou expliquem


os dias que nos restam e dilatam os momentos


os poucos que ainda nos completam e seguram


como longas são as lembranças que nos deixam.


 

26 dezembro 2018

Dos endo e exo-recheios

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Tenho um problema com o rechear do peru ou, mais precisamente, de qualquer tipo de carne. Já há uns anos tentei um rolo de carne que saiu horrível, com a carne dura e rígida, qual cesto de madeira, com as cenouras e o ovo a escaparem indecentemente do abraço apertado das ataduras.


 


Mas não sou de desistir facilmente. A perna de peru já estava desossada pelo talhante, para receber o maravilhoso recheio que fiz: cebola, alho, salsa, pimento amarelo, cenoura, cogumelos, bacon, tâmaras, azeitonas, filetes de anchova (a ordem dos factores é arbitrária), tudo muito picadinho, regado com um fiozinho de azeite, vinho tinto e vinho do Porto, temperado com pimenta, cominhos e muito escasso sal, tudo envolvido numa alheira, (à qual tirei a pele, essa sim, só no fim).


 


Estava mesmo uma especialidade mas, quando tentei colocar o dito a meio do membro da grande ave galinácea, dobrando a perna sobre si mesma com a ajuda de uns fios próprios para o efeito (que, miraculosamente, estavam na dispensa), foi um desastre. Se atava uma ponta, o recheio fugia pela outra, se apertava a ponta oposta, o recheio fluía pelos lados.


 


Acabei por rodar a carne peru 180 graus, fazendo do recheio um colchão. Espalhei umas cebolinhas pequeninas no tabuleiro, umas castanhas congeladas, massajei o peru com massa de alho e de pimentão, um pouco de sal, um pouco de azeite, vinho e rodelas de laranja, para além de louro, cobri com papel de alumínio e assei durante cerca de duas horas. A meio da assadura virei o peru, para cozinhar dos dois lados.


 


Devo dizer que estava fantástico, com o exo-recheio misturado no molho, nas castanhas e nas cebolinhas. O esparregado (daqueles congelados já pré-cozinhados) serviu de acompanhamento saudável e vegetariano, enfim, uma perfeição.


 


Mesmo tendo saído vitoriosa desta provação, o problema do recheio mantém-se irresolúvel. Talvez para o ano já tenha inventado uma nova fórmula para o fazer. Os doces, os licores e o café remataram a refeição, tendo todos os comensais, após interrogação personalizada e universal (o que foi muito mal interpretado como bulling culinário) acenado e emitido vários ruídos com óbvio significado aprovador.


 

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