28 fevereiro 2010

Glück das mir verblieb

 



Die tote Stadt - Glück das mir verblieb


Erich Wolfgang Korngold & Julius Korngold


Anne Sofie von Otter


 


 









Glück, das mir verblieb, // Joy, that near to me remains,

rück zu mir, mein treues Lieb. // Come to me, my true love.

Abend sinkt im Hag // Night sinks into the grove

bist mir Licht und Tag. // You are my light and day.

Bange pochet Herz an Herz // Anxiously beats heart on heart

Hoffnung schwingt sich himmelwärts. // Hope itself soars heavenward.



Wie wahr, ein traurig Lied. // How true, a sad song.

Das Lied vom treuen Lieb, // The song of true love,

das sterben muss. // that must die.



Ich kenne das Lied. // I know the song.

Ich hört es oft in jungen, // I heard it often in younger,

in schöneren Tagen. // in better days.

Es hat noch eine Strophe-- // It has yet another verse--

weiß ich sie noch? // Do I know it still?



Naht auch Sorge trüb, // Though sorrow becomes dark,

rück zu mir, mein treues Lieb. // Come to me, my true love.

Neig dein blaß Gesicht // Lean (to me) your pale face

Sterben trennt uns nicht. // Death will not separate us.

Mußt du einmal von mir gehn, // If you must leave me one day,

glaub, es gibt ein Auferstehn. // Believe, there is an afterlife.



Tradução de Lisa Lockhart





Contradições

 


A tragédia na Madeira deve ser tratada como tal, e o governo deve prestar toda a ajuda e colaboração que puder a essa região de Portugal.


 


Mas como muito bem disse Teixeira dos Santos, não se deve misturar isso com o problema da Lei das Finanças Regionais. Tal como não se deve deixar de apurar eventuais responsabilidades por erros cometidos reiteradamente, lá como em muitíssimos mais lugares de Portugal, e que pioraram as consequências das intempéries, nomeadamente na Madeira.


 

Revolta

 


Revolta-se a terra como o corpo

pesado pela força das marés.

Revolta-se o mundo como o sonho

pisado pelo corpo que se nega.

Revolta-se o corpo como a terra

tremores de tempo empedrado

sem rumo sem azul sem espadas

por algas de silêncio amolgado.

Orquestra de vegetais

 



The Vegetable Orchestra


 

Chile

 



 


A terra não pára de tremer. Primeiro Haiti, agora Chile. Que pequenos e dispensáveis somos todos perante a fúria dos elementos.


 


Actualização (18h20): Número de mortos do sismo do Chile sobe para 400.


 

Ciclo político

 





 


Este ciclo político tem variantes que podem ser decisivas para o seu desfecho.


 


O Orçamento de Estado de 2010 (OE 2010) foi aprovado na generalidade e será aprovado na especialidade, assumindo o governo e a Assembleia da República o compromisso de viabilizar o governo com este orçamento. Mas há uma disputa interna para a liderança do PSD e já se sabe que, pelo menos Pedro Passos Coelho não se sente obrigado a aceitar o compromisso do seu próprio partido, enquanto liderado por Manuela Ferreira Leite.


 


Estará para aprovar e entregar em Bruxelas o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) que, da mesma forma que o OE 2010 terá que ser assumido pelos actores políticos desta legislatura. Será que após o Congresso e eleições para a liderança do PSD o novo líder se comprometerá a cumpri-lo?


 


Mesmo após a decisão da liderança do PSD não é provável que qualquer dos líderes (Aguiar-Branco, Paulo Rangel ou Passos Coelho) tenha hipóteses de ganhar umas eleições antecipadas, pois poderá continuar a luta interna pelo poder no PSD, aliás como tem acontecido até agora. Ou seja, mesmo com toda esta campanha anti-Sócrates, se houver eleições antecipadas o quadro parlamentar poderá ser idêntico.


 


Já existe um candidato presidencial assumido – Fernando Nobre - um quase candidato – Manuel Alegre - e um provável candidato – Cavaco Silva. O aparecimento de Fernando Nobre pode baralhar as contas à esquerda mas também à direita. Ao contrário do que muitos defendem, penso que Fernando Nobre pode dividir os votos da esquerda, mas também pode retirar votos a possíveis eleitores de Cavaco Silva. Não sabemos ainda se Cavaco Silva avança ou se haverá outro candidato de direita, nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa.


 


Se o Presidente mudar, para Manuel Alegre ou para Fernando Nobre, será que vai haver maior estabilidade e melhor cooperação institucional entre governo e Presidente? Pela actuação de Manuel Alegre nos últimos anos é pouco provável que assim seja. Até por isso acho um erro o PS apoiar como partido a candidatura presidencial de Manuel Alegre. Se não encontra um candidato alternativo, nomeadamente se não se revê em Fernando Nobre, deveria dar liberdade de voto aos seus militantes. Seria mais transparente e mais honesto.


 


Resumindo: o governo do país, com o OE 2010 e com o PEC deverão ser aprovados como um compromisso dos maiores partidos – o tal Bloco Central de que tanto tenho desdenhado e vilipendiado – independentemente de haver ou não eleições antecipadas, antes das presidenciais. Por isso mesmo é bom que o PSD e o Presidente da República, que tanto falam dos interesses nacionais, pensem bem antes de precipitar uma crise política, cujas consequências poderão ser bem desagradáveis para todos nós.






 

Pedra a pedra, o poeta constrói o poema (2)

 



Pedro Teixeira Neves; René Magritte


 


alguns afastamentos entre pedras, poemas e poetas:


 


Uma pedra não surge do nada, os poemas costumam surgir.

As pedras não amadurecem, os poemas e os poetas sim. E devem.

Uma pedra não finge, o poeta, como é sabido, é um fingidor.

As pedras podem não querer dizer nada, os poetas pretendem muitas vezes ensaiar dizer tudo.

As pedras sabem esperar, os poetas são impacientes.

É provável que as pedras perdurem para sempre, é provável que os poemas não.

Tentar ler uma pedra pode ser uma perda de tempo, tentar ler um poema nunca o é.

As pedras em si mesmas não são conflituosas, alguns poetas são-no.

As pedras não tem identidade, a poesia sim.

As pedras não respiram, a boa poesia respira.

As pedras preciosas são raras, os grandes poetas muito mais raros são.

Uma pedra ocupa sempre um lugar, a poesia pode não ocupar e, sim, como dizia o poeta, é sempre uma coisa muito bonita.

Uma pedra não sofre, há poemas sofridos, tal como sofríveis.

Há, na realidade, poetas que parece não terem ultrapassado a idade da pedra.

Uma pedra pode ser inútil, um poema é sempre útil.

Uma pedra pode matar, a poesia raramente mata, a não ser que transborde de emoções ou se arme em reaccionária.

Houve uma idade da pedra, não sei se existiu, existe ou existirá uma idade da poesia. Se calhar todas as idades são idades da poesia.

Às vezes o Homem parece não conseguir passar sem pedras, há homens que parecem conseguir passar sem poesia.

Os bichos não gostam de pedra, há bichos que infelizmente gostam de poesia. E gostam das nossas estantes, gostam de mastigar palavras e papel.

Com as pedras permanecemos, com a poesia viajamos.

Há pedras em todo o lado, os poemas encontram-se ao fundo dos poetas.

As pedras podem servir para afundar, um poema pode ser fundacional.

As pedras por vezes confundem-se, os poetas são sempre distintos. No entanto, sim, há poetas confundidos.

A pedra não diz, o poema diz.

Água mole em pedra dura, na poesia é loucura.

A pedra não vira costas a nada, a poesia por vezes vira as costas à vida.

As pedras não se comprometem, a poesia deve comprometer-se.

As pedras não nascem em nós, a poesia nasce.

Uma pedra não acontece, a poesia acontece.

Uma pedra não é senão aquilo que é, pedra. A poesia é sempre mais do que aquilo que parece.

As pedras são coisas, os poemas são coisas especiais.

As pedras têm qualquer coisa de nada, a poesia tem qualquer coisa de tudo.

Uma pedra pode entrar no sapato, o poema dificilmente é uma pedra no sapato.

Uma pedra não provoca incêndios, um poema pode ser incendiário. Sobretudo se queimado. Outrora inúmeros poemas alimentaram grandes fogueiras.

As pedras são diárias, os poemas nem sempre.

A pedra só responde por si, o poema responde também pelo poeta.

Uma pedra pode bastar, raramente um poema nos basta.

Uma pedra atirada pode fazer barulho, um poema atirado pode fazer muito mais.

De noite as pedras apagam-se, os poemas refulgem.

Podemos guardar uma pedra no bolso, mas jamais no peito como um poema.

Um lugar com uma pedra pode continuar a ser um lugar vazio, um lugar com um poema jamais o será.

Um conjunto de pedras pode tapar o horizonte, um conjunto de poemas abre o horizonte.

Uma pedra pode servir de prova, um poema não pretende provar nada.

Para voar uma pedra precisaria de asas, um poema não precisa.

As pedras pesam, os poemas levitam.

As pedras não sabem a frutos, os versos podem saber a cerejas.

É provável que as pedras perdurem além de si mesmas, é menos provável que os poemas perdurem para além dos leitores.

As pedras não sangram, há poemas que parecem sangrar.

As pedras não são raízes, os poemas são como raízes.

O vento não entra nas pedras, mas o vento pode entrar num poema.

Uma pedra só é, o poema vive.

Uma pedra tem veios, um poema veias.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...