05 julho 2009

Vagueando

 


É interessante percebermos como algumas pessoas, entra as quais mais precisamente Tiago Moreira Ramalho, entendem a democracia e a defesa das instituições democráticas. A intervenção do Presidente da República no que diz respeito à triste figura de Manuel Pinho foi politicamente enviesada porque não sentiu a mesma necessidade quando houve atropelos na Assembleia Regional da Madeira e outras aleivosias na própria Assembleia da República. O problema foi aquela única escolha para se indignar. Talvez não saiba tanto de Constituição como Tiago Moreira Ramalho nem de manipulação grosseira. Desconfio que poderia receber lições sobre os dois assuntos que menciona, dadas por ele.


 


Por falar em manipulação grosseira, o artigo O combate dos Economistas do provedor do leitor do Público, Joaquim Vieira, é absolutamente arrasador para José Manuel Fernandes. Como já todos tínhamos percebido, para José Manuel Fernandes o único manifesto que mereceu honras de discussão e divulgação foi o primeiro (dos 28), por coincidência o que se declarava contra a estratégia governamental. O segundo (dos 51) só teve destaque pela crítica em editorial que lhe foi feita pelo mesmo José Manuel Fernandes, sem que o tenha sequer publicado no jornal. O terceiro (dos 35) praticamente não teve existência fora da blogosfera. Outra vez por coincidência, os segundo e terceiro manifestos eram a favor das posições do governo.


 


A fraca qualidade e o sectarismo partidário a que assistimos nos jornais, que não se assumem abertamente com uma linha editorial ideológica, faz com que as novas formas de divulgação de informação amadora, pela internet, YouTube, Twitter, Facebook e outras redes, alimentadas de forma aleatória por visões parciais e focalizadas, sem quaisquer tratamento editorial ou estudo minimamente ajustado, por um lado quebram todas as tentativas de censura, por outro  são assustadoramente manipuladas e manipuladoras. Num oportuno artigo da série sermões impossíveis (DN de hoje - link não disponível) Fernanda Câncio escreve sobre o tema.


 


Política e coragem para assumir decisões políticas, é exactamente o que nos faz falta. As opiniões e os estudos científicos podem e devem servir de apoio às decisões políticas. mas não ser deterministas. A este propósito reflecte um post do Saúde SA.


 

03 julho 2009

Preocupações Presidenciais (1)

 


Manuel Pinho acabou demitido por um gesto patético, tão patético que nem uns cornos bem feitos soube fazer. Tal como patética foi a sua entrevista que deu na  SIC-N. Não consigo perceber o que levou Manuel Pinho a aceitar submeter-se àquela tortura.


 


Foi demitido e bem, não havia mesmo outra coisa a fazer. Acabou assim a sessão parlamentar, com esta famosa e importantíssima figura governamental, abafando tudo o que de bom e de mau se passou no último debate do Estado da Nação.


 


Mas a qualidade da democracia, para o Presidente da República, é directamente proporcional ao partido político a que pertencem os brincalhões.


 


Quando se passou aquela cena inacreditável na Madeira, em que houve um deputado que foi impedido de entrar na Assembleia Regional, quando Alberto João Jardim fez as declarações que fez sobre a Assembleia Regional, tendo-se recusado a receber o Presidente da República na dita assembleia, enxovalhando a Instituição, ninguém se deu conta da indignação de Cavaco Silva.


 


Temos um Presidente abertamente a fazer campanha a favor do PSD e contra o PS. Isso sim, é muito preocupante.


 


Nota: a este propósito ler Pantominices e o presidente e o sagrado respeito pelas instituições -- tem dias, certo, sr professor?


 

02 julho 2009

Um dia









poema


Sophia de Mello Breyner Andresen


 


Um dia, gastos, voltaremos

A viver livres como os animais

E mesmo tão cansados floriremos

Irmãos vivos do mar e dos pinhais.




O vento levará os mil cansaços

Dos gestos agitados irreais

E há-de voltar aos nosso membros lassos

A leve rapidez dos animais.




Só então poderemos caminhar

Através do mistério que se embala

No verde dos pinhais na voz do mar

E em nós germinará a sua fala.


 

01 julho 2009

Chega de Saudade

 



Tom Jobim & João Gilberto


 


Vai, minha tristeza

E diz a ela que sem ela não pode ser

Diz lhe numa prece que ela regresse

Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade

É que sem ela não há paz, não há beleza

É só tristeza, e a melancolia

Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar

Que coisa linda, que coisa louca

Pois há menos peixinhos a nadar no mar

Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços os abraços

Hão de ser milhões de abraços apertado assim

Colado assim, calado assim

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio

De viver longe de mim

Não quero mais esse negócio

De você viver assim

Vamos deixar desse negócio

De você viver sem mim


 

Fim de dia

 


Acabo de desligar. Respiro ofegante. Os minutos que passei ao telefone foram quilómetros de corrida desenfreada.


 


Olho para o monitor. Vão morrendo os últimos fragmentos do dia e ainda há sol. Aparece uma mensagem para all users.


 


Sinto-me arrastada pela estrada, por inúmeros passos sem rumo. Abafo. Visto-me sem pressa e sem vontade.


 


Apago a luz.

 

30 junho 2009

Tinta

 



(Jaclyn Mednicov: stacked)


 


Inclinei-me na manhã que despertava

entornei a tinta com que suspirava pelo dia.


 


Pingos de lentidão pelas gotas de luz

que desloquei para o lado

esperam por mim esta noite

à hora dos encontros sublimes.

 

Pina Baush


 


Dancemos.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...