02 julho 2009

Um dia









poema


Sophia de Mello Breyner Andresen


 


Um dia, gastos, voltaremos

A viver livres como os animais

E mesmo tão cansados floriremos

Irmãos vivos do mar e dos pinhais.




O vento levará os mil cansaços

Dos gestos agitados irreais

E há-de voltar aos nosso membros lassos

A leve rapidez dos animais.




Só então poderemos caminhar

Através do mistério que se embala

No verde dos pinhais na voz do mar

E em nós germinará a sua fala.


 

1 comentário:

  1. escrevinhadora13:21

    Obrigada pela lembrança de que, em tempos de mesquinhez generalizada, conseguiremos encontrar a nossa matriz natural. Sophia diz-nos que a «leve rapidez dos animais» será o estado pós-lassidão - depois, a nossa fala terá o cheiro dos pinheiros: aí, mandaremos os chicaneiros dar uma curva!...

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