31 outubro 2007

Excertos dos Diários de Adão e Eva

A propósito deste post, com um texto de Yvette Centeno que fala de corpos e almas, da fusão dos corpos e das almas, lembrei-me de um maravilhoso livro de Mark Twain que há uns anos foi traduzido e publicado em Portugal, pela editora Cavalo de Ferro, que se intitula Excertos dos Diários de Adão e Eva (Extracts from Adam's Diary, no original).

É um livro cheio de ternura e de uma sábia serenidade. Deixo apenas a frase que encerra os diários, escrita por Adão: Onde quer que ela estivesse era o Éden.

O livro está esgotado na Cavalo de Ferro, mas há uma outra editora que apostou nele: Coisas de Ler - O Diário de Adão e Eva.

Imperdível.

30 outubro 2007

Big Brother Bancário

Sugiro ao BCP e ao BCI, e a outros bancos que se queiram associar, que resolvam os problemas das fusões amigáveis, OPAS hostis e outros assuntos importantes, participando num Big Brother Bancário.

A RTP poderia ser o canal responsável pelo concurso, com a Fátima Campos Ferreira no papel de Teresa Guilherme. Para a Casa poderiam convidar o Jardim Gonçalves, o Joe Berardo, o Fernando Ulrich, Filipe Pinhal, Paulo Teixeira Pinto, Paula Teixeira da Cruz, Vítor Constâncio, Ana Gomes, António Carrapatoso, Ricardo Salgado, Helena Roseta, Carlos Ferreira, Santana Lopes e António Pinho. Enfim, também poderiam ir a Maria Barroso e claro, a Ana Maria Lucas, para fazer uma certa ligação com os outros concursos, e para ambientar os novos concorrentes à Casa.

Depois os espectadores votavam todas as semanas, expulsando regularmente um dos concorrentes. Quem ganhasse, ficava com tudo.

Era muito mais interessante, e seguramente mais produtivo, tratar dos negócios da banca assim, tudo às claras, tudo ao sol, tudo na TV.

28 outubro 2007

Escutas e SIS

Sou totalmente ignorante no que diz respeito a serviços de informações de segurança (SIS), portugueses ou outros, mas gosto imenso de ler livros e de ver filmes de espionagem.

Por isso, na minha total e absoluta ignorância, acho extraordinário o coro de protestos que se levanta quanto à possibilidade de se utilizarem escutas telefónicas pelo SIS.

Então não são utilizadas? Deve ser mesmo o único país o mundo que não utiliza escutas telefónicas para prover à segurança e vigilância dos cidadãos, principalmente em época de tanto terrorismo.

Claro que isto é só extrapolando da ficção para a realidade. A imaginação dos realizadores e os escritores é imensa e nem é costume basear-se em casos reais.

Estatuto do aluno

Maria de Lurdes Rodrigues, após um mandato em que dava a impressão de se pautar pelo rigor e pela exigência, querendo terminar com a política do “eduques”, deu uma machadada terrível na sua credibilidade ao aprovar um estatuto do aluno.

É assim que se reduz drasticamente o abandono escolar – acabar com os chumbos por faltas injustificadas e inventar umas provas de recuperação para encobrir a verdade – a partir de agora é legal não por os pés nas aulas.

Mas que forma fantástica e original de melhorar a performance do sistema educativo.

Pelos Jornais

Confesso que não consegui perceber esta notícia. Afinal, o que é que se passa e o que é que muda? Os imigrantes precisam de mais condições para serem legalizados, para além de terem contrato de trabalho, descontarem para a segurança social e terem entrado legalmente no país?

Os imigrantes ilegais vão poder legalizar-se como?

Os esclarecimentos sobre o artigo 88º, alínea 2, prestados por José Magalhães, não me esclareceram rigorosamente nada.

Será que o problema é meu, da lei, ou de quem escreveu o artigo? Será que Céu Neves percebeu alguma coisa do que escreveu?

Espero que seja só obnubilação matinal dominical.

Pelo contrário, concordo na totalidade com o artigo de António Barreto no Público - Da mentira como virtude política (obrigada a LA-C), claro e cristalino, sobre a mentira que se tornou num estado de arte para a política.

José Sócrates está a alimentar um tabu completamente infantil e despropositado sobre a sua decisão quanto a referendar ou não o Tratado de Lisboa. Está a perder o timing e a deixar que se avolume a suspeita de que a sua opinião será ditada pela posição revista e retocado do PSD.

Se for favorável, também poderá ser vista como uma decisão tomada a reboque de várias pressões de grupos ou individualidades, e não o resultado de uma convicção firme do que está correcto fazer – cumprir uma promessa eleitoral.

27 outubro 2007

Tríptico

1.
Murmuro palavras
orações de caminhante
enrolo mantas
seguro lanternas
sorvo golfadas
de solidão.


2.
Devagar as pedras
empilham-se na madrugada.

Não há réstia de luz
que alumie esta estrada.


3.
Crianças de joelhos sujos
e mãos laboriosas

acabam de descobrir
caracóis e bichos da conta

abrem gavetas na memória
onde guardam intactas

as manhãs sem história.


(escultura de John Robinson: Umbrella Children)

Arthur & George

Este é um livro com vários livros dentro.

É a biografia de Arthur Conan Doyle, um homem feito para ser um herói romântico, que vive e procura a aprovação das mulheres da sua vida, desportista, médico, escritor (criador de Scherlock Holmes) e crente no espiritismo e ocultismo.

É a biografia de George Edalji, filho de indianos, míope em vários sentidos, que acredita no poder da lei, na justiça da lei, na lei como veículo da cultura inglesa, no respeito e conhecimento da lei como passaporte para o reconhecimento da sua capacidade (e vontade) em ser inglês.

É a história de um encontro entre dois seres tão diferentes, a sua amizade e o modo como se influenciaram mutuamente, alterando o percurso das suas vidas.

É uma história de amor, do amor filial, do amor a Deus e do seu desamor, do amor a um modo de vida, do amor patriótico, do amor platónico, do amor paternal, do amor por causas, do amor por si próprio.

É uma história policial, em que se pretende desvendar um mistério que levou a um erro judiciário.

É uma história que demonstra o autismo a que podem chegar as corporações, de preconceitos e ideias feitas, da falta de assunção de responsabilidades por parte dos vários poderes, do judicial ao político.

Tudo muito bem escrito, muito sóbrio, diria mesmo totalmente inglês.

(capa do livro Arthur & George, de Julian Barnes)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...