Nada de encolher os ombros.
Nada de vociferar.
É a festa da democracia.
É a nossa vez.
Decida, escolha, vote.
Não se resigne.
Nunca desista.

Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Nada de encolher os ombros.
Nada de vociferar.
É a festa da democracia.
É a nossa vez.
Decida, escolha, vote.
Não se resigne.
Nunca desista.


John Singer Sargent, 1919
Guerra irsraelo-palestiniana - um eufemismo para o genocídio a que todos assistimos em direto. O acto terrorista e insano não justifica um genocídio, nem a ocupação militar dos territórios quer Israel sempre cobiçou. A lei dos messiânicos é uma lei de paus e pedras empapados de sangue.
A guerra entre a Ucrânia e a Federação Russa. Putin é o invasor. A Europa está, de novo, à beira da guerra, não vale a pena fingir que não vê, que não sabe.
Uma criatura tresloucada e perigossíma à frente dos Estados Unidos, os pogroms iniciados com imigrantes, ouvindo-se já impropérios contra judeus, odiar o vizinho que limpa a casa, recolhe o lixo, que traz comida, conduz quem quiser aonde quiser.
Os campos de detenção, a violação de telemóveis, a perseguição de jornalistas e Juízes, a censura. Outro tresloucado perigosíssimo, acalentado pelo primeiro, destruindo aquilo que de mais importante se descobriu e implementou no mundo em prole da saúde, opondo-se a vacinas, anunciando que o paracetamol causa autismo.
Um ministro português, neste caso da defesa, a classificar cidadãos portugueses, presos em águas internacionais, não tendo feito nenhuma ilegalidade ou crime, como amigos do Hamas e por isso, subentende-se, até lhes fez bem. Um governo e um Presidente da República que não se levantaram em uníssono para defender esses portugueses, fossem o que fossem, politicamente ou outra coisa qualquer. A certeza de qualquer cidadão fora de Portugal, que o seu País não o defenderá, apoiará, seja em que situação for.
Os Venturas originais e copiados a crescerem, a crescerem, ao colo de tanta pseudo informação com pseudo entrevistas.
(...)
enquanto tudo isto acontecer, e o mais que se não diz por ser
verdade,
enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
o poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:
ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA
(António Gedeão)

Ocupaçao militar de Gaza. Conselho de Segurança da ONU marca reunião de emergência - RTP - 09/08
Netanyahu defende plano israelita em Gaza como "a melhor forma de acabar com a guerra" - RTP - 11/08
Fome é confirmada na Cidade de Gaza pela primeira vez, diz órgão ligado à ONU - BBC - 22/08
Netanyahu classifica novo relatório da fome em Gaza como "mentira absoluta" - CNN - 22/08
Following Trump’s lead, Netanyahu shifts strategy on ceasefire even after Hamas accepts - CNN - 26/08
ONU declara oficialmente fome em Gaza. Guterres lamenta "desastre feito pelo homem" - RTP - 28/08
ONU denuncia "desaparecimentos forçados" de palestinianos em pontos de distribuição - RTP - 28/08
A 8 de janeiro de 1964, Lyndon Johnson, Presidente dos EUA após o assassinato de John Kennedy, proferiu o seu discurso sobre o Estado da União, perante o Congresso.
Se lermos e ouvirmos este discurso, e outros que se lhe seguiram, não conseguimos compreender como, nos EUA e na Europa, foi possível defender, nessa época, a implementação de verdadeiras medidas sociais e socialistas, democratas, quando, desde há cerca de 20 anos, essas medidas serem apelidadas de extremistas e a ideologia subjacente de radicalismo de esquerda.
A criação da legislação da Grande Sociedade, com leis que confirmavam os direitos civis, rádio e televisão públicas, Medicare e Medicaid, educação e a Guerra à Pobreza", foi importantíssima no que diz respeito aos valores da igualdade, liberdade e democracia, com o incentivo aos serviços públicos nestas várias áreas. Hoje em dia, os valores reverteram-se para aqueles que vigoravam nas ditaduras dos anos 20, 30 e 40, em que se culpavam migrantes das dificuldades económicas, em que se divulgavam mentiras e manipulavam cidadãos, levando-os a discriminar e odiar todos os que fossem diferentes.
Neste momento, construimos campos de detenção, deportamos imigrantes, incentivamos as perceções sobre violência e pobreza, o preconceito dos privilégios, a ilusão sem sentido da defesa da nacionalidade e, daquilo que ninguém sabe exatamente o que é: a nossa "tradição".
Nesta onda de retrocessos e apelos totalitários, encabeçados por figuras como Trump, Putin, Netanyahu, para não falar dos seus pálidos seguidores, como Bolsonaro e Ventura, o papel da mulher na sociedade vai conquistando adeptos saudosos da mãe a tempo inteiro, do abençoado lar que deve conduzir, pululando discursos mais ou menos óbvios apelando ao regresso de práticas e processos que considerávamos irrevogáveis.
A guerra como solução imperial, o extermínio de povos e a quebra de todos os compromissos e tratados internacionais que mantinham um equilíbrio no mundo, o avanço científico, as organizações humanitárias, são já o nosso dia a dia.
Resta-me acreditar que sempre haverá quem defenda o humanismo, a tolerância, o compromisso com o outro, essenciais para a construção de uma sociedade humana.
Todos somos responsáveis.
Concerto para piano e orquestra nº 2 de Rachmaninov
Evgeny Kissin | Orquestra Filarmónica da Radio France
esperar que voltes é tão inútil como o
sorriso escancarado dos mortos na
necrologia dos jornais
e no entanto de cada vez que
a noite se rasga em barulhos no elevador e
um telefone se debruça de um sexto andar
sinto que ainda ficou uma palavra minha
esquecida na tua boca
e que vais voltar
para
a
devolver
[12º poema do livro "Os armários da noite"
Alice Vieira]

O Minotauro / O Ditador
1937
Tem sido muito rápido, o retrocesso civilizacional. Em poucos anos Portugal, um país de imigrantes, decide prescindir da Constituição, dos valores humanistas e da ética, tudo a que se comprometeu com a assinatura dos tratados que se interligam para uma sociedade de igualdade, de liberdade, de direitos humanos.
O que se tem passado em relação à discussão da lei da nacionalidade e dos estrangeiros, nunca se perdendo a oportunidade de associar emigrantes a violência e criminalidade, de induzir a distinção entre emigrantes ricos e pobres, entre etnias, etc., é a escalada da extrema-direita, que vamos assistindo a impor e manipular o espaço público, com a conivência dos media, que se transformaram todos em tablóides.
Trump deu o tiro de partida. O mundo a que chamamos civilizado abriu as portas aos sentimentos larvares de nacionalismo ultramontano, xenofobia, racismo e misoginia. Por todos os países esta ideologia alastra como fogo. Temos de o reconhecer e dizer sem medo, que o pudor e o horror aconselham. Não há que ter pejo em reafirmar a falsidade de todos estes discursos, ignorantes, fascistas, ultra-conservadores.
Não há dados que sustentem as percepções? Não faz mal, as percepções transformam-se em factos. Toda a retórica da extrema-direita vai minando, a pouco e pouco, a comunidade. Quem assim não pensa, remete-se ao estupor pelas ameaças explícitas de quem quer voltar à idade média.
Hoje atingiu-se um novo patamar. No Parlamento (a partir dos 50:00), o inominável presidente do partido de extrema-direita referiu (a partir dos 52:04), de forma desrespeitosa e desprezível, nomes de crianças de uma escola pública, dizendo alto e bom som, que "são zero portugueses", após Pedro Delgado Alves ter nomeado grandes portugueses, mesmo que o não fossem de origem. O rancor, o ódio, a boçalidade, a grosseria, a alarvidade destes representantes do povo, são assustadores.
Mesmo que a maioria afirme e defenda um caminho, não é isso que lhe dá razão, que o diga Galileu Galilei, quando ameaçado de morte pela Santa Inquisição, ao defender que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário.
Como disse Pedro Delgado Alves, um monstro foi acordado. Todos são responsáveis, os que o alimentam e os que se calam.
A História repete-se, inexoravelmente.


Vergonha a todos nós, pessoas individuais, países e organizações internacionais, em continuar a tergiversar sobre o inenarrável e inconcebível crime de Genocídio, perpetrado por Israel sobre a Palestina.
Vergonha à União Europeia pelo incapacidade ou cobardia de não reconhecer o direito ao Estado da Palestina como a única realidade aceitável, por ser justa e por estar de acordo com o direito aos povos à sua autodeterminação, à paz, à prossecução da liberdade e da democracia, do crescimento económico e do reforço das condições de vida e de dignidade humanas.
Vergonha ao nosso próprio país, que já deveria ter declarado sem qualquer hesitação, de forma inequívoca, a sua defesa da criação do Estado da Palestina, a coragem de chamar ao Genocídio dos palestinianos exactamente o que ele é:
Um Genocídio
É um Genocídio
É um Genocídio.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...