02 março 2025

Cotovia


Joana Alegre & Ricardo Ribeiro & Diana Vilarinho


 


São panos que são de ferro
Da própria malha do mal
Tecidos de medo e erro
E de um silêncio brutal
Caem no peso dos anos
Que nos atiram para trás
Apagam tudo de preto
Vestem a vida de luto


O dia é da cotovia
De noite o mocho assobia
Quando vos calam a voz
Daqui respondemos nós


Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia


Sem cara lei que mascara
A ferida que nunca sara
Maldade, orgulho, doente
Achar que mulher não é gente
Tratam a própria existência
Loucura, incoerência
Homens sem amor de mãe
Hão de viver sempre àquem


O dia é da cotovia
De noite o mocho assobia
Quando vos calam a voz
Daqui respondemos nós


Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia


Rasgam-se as mortalhas, e os panos são laços
Que nos unem todas em todos os espaços
Rasgam-se as mortalhas, e os panos são laços
Que nos unem todas em todos os espaços


Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia
Lareiareia lareiá
Lareiareia


Quando vos calam a voz
Dаqui respondemos nóѕ

A impotência europeia

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O que se tem passado com a política externa do EUA desde que Trump assumiu a Presidência, é uma veloz e irreversível cavalgada para o retrocesso civilizacional, para o voltar de um ciclo de impérios ditatoriais.


Compram-se e vendem-se países, humilham-se os seu representante eleitos democraticamente, cortam-se alianças e refazem-se algumas antigas, cujo resultado foi catastrófico.


Estamos de joelhos, real ou metaforicamente.


É difícil ser optimista quando a se concretiza.

29 janeiro 2025

Receita para o desastre

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Embuste


É assim que se faz:


26 janeiro 2025

Cantata de Paz

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20 de janeiro de 2025


Ciclicamente, tudo o que entendemos ser a base comum do comportamento humano em sociedade, a matriz judaico cristã, em que os valores da solidariedade, da igualdade, o reconhecimento de direitos que fazem de nós seres humanos, transforma-se e desaparece, levando a situações de autoritarismo, de homogeneização num modelo idêntico, como se fossemos máquinas, a uma desigualdade e revolta que nos conduzem, inevitavelmente, ao papel de vítimas e algozes, de oprimidos e opressores.


A ignorância, a frustração, o racismo, o preconceito, o desprezo e desvalorização dos factos que transformam vacinas em opiniões políticas, o laxismo e a pobreza da linguagem, a violência, o deslaçar dos agentes culturais e dos que, quando nada mais há, nos asseguram a sobrevivência, a desqualificação de cada ser humano como único e irrepetível, como criador e executor do que imagina, como um dos pólos da infinita rede que se forma, sempre que se quebra a solidão.


Imigrantes ilegais, que tiveram o azar de nascer na miséria ou se transformaram em penas e pedras perdidas no mundo, gente com força suficiente para arriscar a própria vida, que tenta construir alguma felicidade e aconchego fora do seu país, que tenta conseguir alguma coisa que a transporte para condições mais dignas, mais fáceis, mais macias, têm peste.


Nestes tempos sombrios, os imigrantes são, por definição, criminosos, pelo que se transportam em aviões militares, algemados de pés e mãos. E o mundo que está a ruir vai ruir ainda mais. Não é só Trump, nos EUA, mas todos os governantes de extrema-direita dos países europeus, que deixaram de se envergonhar por dizerem os inimagináveis e perigosos absurdos que papagueiam, com poses de Estado e voz grossa.


Não faltarão ideias velhas, tristes, que querem reduzir a pó quem se lhes opõe: esvaziar Gaza de Palestinianos.


Sim, ele irá fazer o que prometeu. Ele e todos os outros que o têm como professor.


Temos ainda a certeza de que as tecnologias de informação, a nova comunicação, a inteligência artificial, manterão as realidades paralelas que servirem os seus interesses e desígnios. A transformação da inovação num instrumento do mais autoritário e aflitivo que existe – a perda da identidade como indivíduo, a perda da igualdade, da liberdade e a implosão das democracias.


Vemos, ouvimos e lemos


Não podemos ignorar [...]


Cantata de Paz


Sophia de Mello Breyner

01 janeiro 2025

Musikverein - Salão Maior do Clube da Música

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Concerto de Ano Novo de 2025 em Viena


Começa-se pelas colunas e pela beautiful people. Sente-se no armazém o perfume da sofisticação, vestidos e fatos de gala, cabeleireiros em demostração, flores rosas, amarelas e vermelhas, expectativa de sons dançantes, saltitantes, como se o mundo tivesse congelado no pós guerra, a felicidade e a beleza como direitos dos felizes eleitos.


Mas eu gosto muito. Não há consciência de classe e fervor revolucionário que me distraiam deste concerto anual, quando nada ainda se escreveu ou desenhou do ano.


Novíssimo, mesmo a começar.


Toda a esperança é legítima.


Toda a felicidade sem mácula.


Concerto de Ano Novo de 2025 em Viena


Maestro: Riccardo Muti


Programa:


Johann Strauss Sr: Freedom March, Op. 226 
Josef Strauss: Village Swallows of Austria, Waltz, Op. 164 
Johann Strauss: Demolition Men’s Polka, Op. 269 
Johann Strauss: Lagoon Waltz, Op. 411 
Eduard Strauss: Airy and Fragrant, Polka, Op. 206 


Intervalo


Johann Strauss: Overture to The Gypsy Baron 
Johann Strauss: Accelerations Waltz, Op. 234 
Joseph Hellmesberger: Jolly Brothers March from The Violet Girl 
Constanze Geiger: Ferdinandus Waltz (Arrangement: Wolfgang Dörner) 
Johann Strauss: Either Or! Polka, Op. 403 
Josef Strauss: Transactions Waltz, Op. 184 
Johann Strauss: Annen-Polka, Op. 117 
Johann Strauss: Tritsch-Tratsch Polka, Op. 214 
Johann Strauss: Wine, Women and Song Waltz, Op. 333


Encores


Johann Strauss: The Bayadère, Polka, Op. 351 
Johann Strauss: The Blue Danube, Waltz, Op. 314 
Johann Strauss Sr: Radetzky-March. Op. 228


 

31 dezembro 2024

Ano Novo - 2025

just ensemble Olivier Messas.jpg


Just ensemble


Olivier Messas


 


Este foi um ano muito difícil, muito doloroso, um ano irreversível, cruel e abrupto.


Mas foi também um ano de carinho, de aconchego, de amizade, de aprendizagem.


A readaptação do corpo a uma nova realidade exterior, cuja impacto interior é desmesurável, obriga-nos a um reequilíbrio e a um reordenar de prioridades na vida.


A todos os que me vão acompanhando desejo que tenham um ano cheio de boas surpresas.


Que seja um ano de grandes e pequenas aventuras, de obstáculos ultrapassáveis.


Que seja um ano de realidade mais simples e fácil.


Que seja um ano tranquilo e sereno.


Que seja um bom ano e um ano bom.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...