06 novembro 2024

O Declínio do Império Americano - As Invasões Bárbaras - A Idade das Trevas

trump vence.jpg


senado trump.jpg


representantes trmp.jpg


Google (17:40 de 06/11/2024)


 


Há uma trilogia do realizador canadiano Denys Arcand, cujo primeiro filme é de 1986, o segundo de 2003 e o último de 2007, em que os títulos são para mim, a imagem dos EUA.


A inegável e estrondosa vitória de Trump nestas eleições convoca-nos para o que aí vem e para tentar perceber como foi possível chegar até aqui. Não faltarão explicações de comentadores e especialistas, políticos, politólogos e jornalistas. Para mim é incompreensível.


Como é possível um indivíduo que acicata o ódio, que é criminoso, vigarista, mentiroso, ignorante, racista, misógino, xenófobo, boçal, enfim, tudo aquilo que rasga, deslaça e divide as sociedades, tudo aquilo que estávamos habituados a considerar características inaceitáveis em qualquer ser humano, é eleito, pela segunda vez, Presidente dos EUA.


Que é feito dos valores de sã convivência que enformam o mundo ocidental do pós-guerra, o civismo, a cidadania, a humanidade, a solidariedade, a empatia, a defesa dos mais frágeis, a inclusão, a tolerância, a democracia, a liberdade? O mais assustador não é a existência de pessoas como Trump, é a quantidade de eleitores que nele depositam a sua confiança e nele votam, que concordam com o que ele diz, que comungam da sua ideologia. O mais assustador é observar, impotente, ao alastrar do trumpismo pela Europa e pelo mundo, assistir ao crescer e ao espalhar da extrema direita, cada vez mais forte e mais agressiva.


Putin e todos os ditadores que se prezam, tal como os seus aprendizes e admiradores, não tardaram a saudar a vitória de Trump.


Kamala Harris, ao contrário do que ouvi repetir vezes sem conta, não deixou de anunciar medidas concretas, não deixou de mostrar qual o plano económico que defendia, não deixou de pugnar pela decência, pela salubridade da vida e do serviço público. Os democratas lutaram, mas parece que já não há armas para vencer este tipo de batalhas.


Trump ganhou a Presidência, o Senado e o controlo da Câmara dos Representantes. Trump teve mais votos, no total, que Kamala Harris. Veremos o que vai acontecer nos EUA, na Europa e no resto do mundo.


Mas o título que me surge é mesmo A Idade das Trevas.

05 novembro 2024

A escolha entre a decência e a indecência

o principio da incerteza 03_11_2024.jpg


O Princípio da Incerteza (03/11/2024)


Subscrevo totalmente as afirmações de Alexandra Leitão (a partir dos 38:02 minutos).


É exactamente isso.


Esta é uma escolha entre valores, aqueles que nos enformam e para os quais não imaginaria que se suscitassem dúvidas.


A democracia e a liberdade, os direitos humanos, os direitos das mulheres e o racismo e a xenofobia, a mais que exigível urbanidade e a total boçalidade.


O que me assusta é a normalização e a equiparação entre as duas candidaturas, para não falar do facto de ser possível haver uma segunda candidatura de Trump, mais ainda de haver tanta gente disponível para votar nele e ainda menorizar Kamala Harris, mentindo reiteradamente pelo mantra da falta de projecto político, pela negação das propostas que tem.


Este é um dia definidor das próximas décadas, para os EUA, para a Europa e para o Mundo.

02 novembro 2024

Um dia como os outros (199)

umdiacomoosoutros.jpeg



(…) Normalmente, o voto da minoria negra vai esmagadoramente para os democratas. Desceu de valores que se aproximaram dos 90% com Joe Biden para menos de 70%. A resposta foi simples: porque a candidata é mulher, mesmo sendo ela própria negra. (…)

(…) O ex-Presidente manifesta um desprezo absoluto pelas mulheres. Para Harris, a mulher negra que se atreveu a desafiá-lo, reserva os piores insultos. Uma mulher inteligente, preparada, ao mesmo tempo forte e elegante, é uma afronta à sua masculinidade. Este sentimento difuso está presente na América que vota. (…)


Teresa de Sousa - Público 02/11/2024


Um dia como os outros (198)

umdiacomoosoutros.jpeg



(…) É a doença dos EUA –​ sim, porque votar em Trump significa ser cego, surdo e mudo, cruel e violento, e não me venham com o aumento dos custos da mercearia, porque o voto em Trump transporta muitas outras coisas, e quem vota sabe. (…)

(…) A complacência com os crimes de Trump, o medo que ele inspira, os poderosos apoios interesseiros que fecham os olhos a tudo para ganhar dinheiro e poder manietaram a justiça americana e permitiram-lhe uma impunidade que ninguém deveria ter. Trump, que é contra a democracia, beneficiou das fragilidades da democracia, usando três coisas: a manipulação da política-espectáculo, hoje uma das maiores ameaças à democracia; o dinheiro para pagar uma litigância infinita e para corromper testemunhas e processos; e o medo da retaliação e vingança que ele promete como quem respira. (…)


José Pacheco Pereira - Público 02/11/2024


01 novembro 2024

Ensurdecer

John R. Grabach.jpg


The Lone House (The Empty House)


John R. Grabach


 


Lentifico os movimentos os gestos os passos


a casa aproxima-se e eu vazia


a chave na porta e o silêncio do outro lado.


Não sei como encher os cantos se a tua voz me falta.


Abro o volume do rádio o mais alto que posso


para que a saudade não me ensurdeça.


 

Se tivesse um voto

the economist kamala.jpg

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...