01 novembro 2024

O inimaginável


Isto é gente de Trump, nos EUA, hoje em dia (a partir dos 39 segundos).


Parece mentira, mas não é.

Ir e vir de Segóvia a alta velocidade

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Estava muito curiosa com a viagem em alta velocidade que ia fazer para Segóvia. Achava, não sei porquê, que se deveria sentir qualquer coisa diferente de um comboio normal, como os nossos.


Lá fomos para a estação Chamartín, apanhar o AVE para Segóvia. Fomos quase a correr, porque havia trânsito (bem, correr é uma forma de dizer, porque eu ando, e devagar). Bilhete já comprado online, passar a segurança, entrar no AVE, sentar e...


Igual a qualquer outro comboio, com excepção da velocidade – cerca de 230 Km/h. Em 30 minutos chegámos à estação de Segóvia. Fantástico! Temos que investir na ferrovia de alta velocidade, pois é cada vez mais lógico, para distância pequenas e intermédias, deixar de usar aviões. É mais ecológico, rápido e confortável.


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Segóvia, localizada no sopé da Sierra de Guadarrama, é uma cidade famosa pelo seu Aqueduto, um dos aquedutos romanos mais bem conservados, tendo sido declarada Património da Humanidade (a cidade velha e o aqueduto) pela Unesco, em 1985.


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É, de facto, imponente. Pont-du-Gard é bastante maior. Mas o Aqueduto parece dividir a cidade e dar-lhe uma característica de centralidade e protecção muito interessantes.


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Deambulámos pela cidade, fomos à judiaria, visitámos a catedral, subimos um pouco as muralhas, enfim, acrescentámos mais uns trrrrrrreinos funcionais à minha pessoa, que se sentia muito pouco fit com tanta subida e descida.


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Não podia faltar o cochinillo (leitão assado) que estava delicioso. Regressamos (eu cansada) felizes, por mais um dia de passeio e de boa e querida companhia.


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Depois da volta, também em AVE, e do descanso obrigatório para repor as forças, acabamos o dia com o repasto no Asador de Aranda. Desta vez foi um Cuarto asado de lechazo (cordeiro assado que se desfaz na boca) que estava mesmo divinal. O calor da sala, também motivado pelo excelente vinho bem escolhido pelo meu guia particular, amoleceu ainda mais o meu corpo, que se acomodou bem acomodado na cadeira, saboreando lentamente a refeição.


Que maravilhoso dia e que bem passado!

26 outubro 2024

Parque del Buen Retiro

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Nas várias deambulações a pé e de carro dos dias anteriores, passei por diversas vezes pelo Parque do Retiro, enorme jardim/parque, inicialmente desenvolvido para o Palácio del Buen Retiro (séc. XVI e XVII), tendo-se tornado público a partir do século XIX.


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Estes jardins formam um conjunto grosseiramente rectangular, que está rodeado por várias portas de entrada e saída e por grandes artérias da cidade.


Passear pelo Retiro é caminhar, respirar, observar árvores, lagos, fontes, monumentos, palácios, cães a puxar os donos, crianças nas cadeirinhas, desportistas a correr, velhinhos e velhinhas a descansar.


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Como para mim tudo é labiríntico, entrei pela Calle de Alfonso XII, andei às voltas por cerca de 2 horas e fui ter... à Calle de Alfonso XII. Mas o pior é que queria ir em direcção à Porta de Alcalá, mas fui exactamente no sentido oposto, ou seja, em direcção à estação de Atocha que, por sinal, está em obras.


Escusado será dizer que, cansadíssima, resolvi regressar ao alojamento para recuperar.


Esperava-nos uma noite de flamenco, no Café Ziryab, onde se assiste a um espectáculo com um dançarino e duas dançarinas, um cantor e um guitarrista, durante cerca de uma hora e meia.


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Acompanhado de um bom vinho e unas tapitas para picar, foi uma noite muito bem passada e diferente.



Admiro este bailado cantado, que fiquei a apreciar ainda mais quando, no CCB, em 2006, assisti ao Ballet Nacional de España, precisamente com um espectáculo excelente de flamenco. Também Carlos Saura tem um filme que se chama precisamente Flamenco, de 1995, que vale muito a pena ver.



Mais um dia bem passado, junto de quem tanto gosto e que, mais uma vez, foi um anfitrião sem mácula.

O ocaso da democracia americana

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Esperança


O que se está a passar nos EUA, em relação à próxima eleição presidencial, é não só espantoso como assustador.


Na realidade, como já vários media fizeram ver, a forma como se avalia as campanhas não é a mesma, nem é justa, nem equilibrada. O que se exige de Kamala Harris e de Tim Walz é completamente diferente do que se exige a Trump e Vance. Na verdade, tudo o que Kamala Harris diz é escrutinado e dissecado, havendo sempre quem diz que não responde, que não tem ideias, etc. Trump pode dizer o que lhe apetece, as coisas mais boçais, sem vergonha e demonstrativas da sua falta de carácter e da sua mente distorcida e ditatorial, ignorante e demente, que ninguém lhe exige respostas.



Uma enorme quantidade de anteriores colaboradores de Trump já vieram dizer que será um perigo para os EUA e, acrescento eu, para a Europa e para o mundo, um novo mandato presidencial de Trump.


Será que ninguém acredita no que dizem? Será que ninguém acredita no que ele próprio diz?



Finalmente, os donos dos jornais proíbem-nos de tomar partido por Kamala Harris. E Trump ainda não ganhou!



Mas que mundo este que estamos a preparar.


 

Um dia como os outros (197)

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(...) É justo dizer que já somos tudo isso, e ainda mais, há muito tempo. Mas, agora, somos também o país onde um deputado da nação eleito pelo Chega diz, na RTP3: “Se disparasse mais a matar, o país estava mais na ordem.” Isto a propósito de Odair Moniz, morador do Bairro do Zambujal que, na sequência de uma perseguição, foi alvejado mortalmente por um agente da PSP — um caso que ainda está sob investigação.


Temos um jovem assessor parlamentar do mesmo partido que escreveu (e apagou) numa rede social: “Menos um criminoso, menos um eleitor do Bloco.” Como se as palavras não fossem sempre mais do que isso. (...)


Público



 



(...) "Atingiu-se um limite. Nenhum democrata pode deixar de se indignar com estas declarações. A minha consciência obriga-me a tomar uma atitude em relação a quem se aproveita deste clima para fazer apelos ao ódio e a mais violência. Vou subscrever a queixa, que espero que seja subscrita pelo maior numero possível de pessoas" (...)


TSF


Caminhadas culturais - 2

Pois desta vez decidi ser mais inteligente. Fui de Uber até ao Museo Reina Sofia e, depois da visita, regressaria a pé ao alojamento, passeando prazenteiramente pela cidade.


Gostei imenso do museu. Fui ao edifício Sabatini, um dos que faz parte do grupo museológico. Era um antigo Hospital (Hospital de San Carlos), em actividade até 1965, construído no século XVIII pelo arquitecto Francisco Sabatini. Foi classificado como Monumento Histórico-Artístico em 1977, mas apenas em 1980, convertendo-se no museu actual apenas em 1990.


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Visitei a exposição permanente - Territorios de vanguardia: ciudade, arquitectura y revistas - onde se encontram obras predominantemente do século XX. A exposição faz uma passagem pelo último século no que diz respeito às várias correntes artísticas, como cubismo, pós cubismo, surrealismo, realismo, integrando-as na vida, na evolução e nos movimentos sócio-políticos da época.


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Ricard Canals i Llambi


 


mujeres con candillas.jpgDelhy Tejero


 


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Josep de Togores


Guernica ao vivo é uma sensação estranha, pela dimensão e pela angústia e maravilhamento simultâneos. Está lá tudo o que nos oprime e assusta, tudo o que de horrível o Homem faz, tudo o que na arte é intervenção política e social – o grito de povo que sofre irremediavelmente.


Os vários estudos das figuras que aparecem no quadro, a evolução dos esquemas, as cores escolhidas, sendo a vida colorida e a morte branca, preta e cinzenta.


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Guernica


À saída, a loja com diversos objectos que se podem adquirir como recordação, a um tempo simples e bonitos.


Apenas tenho uma crítica – a falta de bancos para descansar.


Para o jantar El Bodegón Argentino, onde comemos una milanesa (bife panado), grande, grande, mas muito boa, acompanhada de um vinho bastante agradável. Um excelente remate do dia.

22 outubro 2024

Caminhadas culturais - 1

Ainda não aprendi a dosear o esforço que faço. Não consigo perceber que a idade que sinto não é a mesma que, na realidade, tenho.


Pedir um pequeno-almoço em Espanha não é assim tão fácil. Nunca sei como se pede pão torrado, ou sem ser torrado, mas lá me desenvencilhei, entre palavras tartamudeadas em portunhol e gestos, acabou por vir um croissant folhado, aberto ao meio, torrado, com faca e garfo, manteiga para eu barrar, e um café expresso pouco apetecível. No dia seguinte já consegui pão torrado com manteiga e doce de morango e um capuchino, bastante mais saboroso.


Mas no dia imediatamente após, enganei-me no que vi numa mesa ao lado, e pedi igual, pensando que era o mesmo pão do dia anterior. Mas não, saiu-me pão torrado, sim, mas com tomatada, sal e azeite, acompanhado do mesmo capuchino. Devo dizer que é bastante bom. Já tinha experimentado na Catalunha.


Portanto, para iniciar a minha visita cultural, o primeiro museu a visitar era o Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, ao pé do Museo Nacional del Prado e do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia.


Estava nublado, uma chuva miudinha inconstante, mas nada que me desencorajasse. Depois de delinear o caminho, iniciei a passada, vagarosa como se impõe, em direção ao museu. Fui andando, andando, andando, porta de Alcalá, praça Cibeles, olhando as ruas, as lojas, as pessoas, os carros, as trotinetes, a largueza, o chão mais amigo dos anciãos que a calçada portuguesa, descansando quando podia nos bancos que se vão espalhando e que condicionam suspiros de alívio para quem os usa.


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Porta de Alcalá


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Praça Cibeles


Acabei por andar mais de uma hora. Cheguei feliz e cansada ao museu e decidi ir visitar, com áudio-guia, a coleção permanente, ouvindo a explicação de quadros específicos.


É sempre difícil escolher o que ver num grande museu. Tem obras de grandes pintores, ilustrando as correntes artísticas dos séc, XVIII ao XX. Fui olhando os vários quadros explicados, com muito mais interesse do que se não tivesse o guia.


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Os jovens músicos - Antoine Le Nain


É curioso como os artistas se alimentam uns aos outros, partindo de um conjunto muito parecido de permissas e olhando para as texturas, as formas e a sua descontrução de maneiras muito semelhantes. Pablo Picasso e Georges Braque fundaram o movimento artístico a que se chamou Cubismo. Max Weber foi bastante influenciado por eles. Se observarmos estes 3 quadros, percebemo-lo muito bem.


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Mujer con mandolina - George Braque


 


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Hombre con clarinete - Pablo Picasso


 


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Estación terminal "Grand Central"Max Weber


Saí muito cansada, mas satisfeita por ter conseguido chegar a pé, andar tanto tempo e ter visto um dos museus emblemáticos da cidade. Almocei uma ensalada e fruta, caso raro em Espanha (não sei porquê, pois têm boa fruta) e fui para o alojamento, onde descansei ouvindo vários excertos de noticiários americanos sobre as próximas eleições.


À noite, esperava-me a minha querida companhia, e um restaurante peruano - Cevicheria Thani - com ceviche, piqué crioulo e sal lomo. Fantástica maneira de acabar um dia com tantos quilómetros.


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