25 abril 2024

Vinte e cinco de abril de 2024

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Difícil não me comover neste dia, olhando para a Assembleia da República engalanada de cravos vermelhos, a casa de uma Democracia inaugurada há 50 anos.


Difícil não me lembrar da invencível esperança na felicidade que aí vinha, com a concretização dos sonhos e dos desejos de quem menos tinha.


Tão difícil, este meu País, cantado por poetas e gritado pelo Povo em euforia.


País imperfeito, mas onde estes 50 anos, ao contrário dos saudosistas do antigo regime, dos demagogos e dos falsos puros, tanto conseguiu, nos direitos de todos à saúde e aos apoios sociais, nos direitos das mulheres, conquistados muitas vezes a ferros, no fim de uma guerra colonial que defendia um Império que não existia, no estabelecimento de laços com a Europa, na defesa das minorias e do amor, seja ele como e com quem for, enfim, no viver em Liberdade.


Difícil, esta Liberdade, nunca perene, nunca certa, nunca segura, sempre necessitando de ser construída e acarinhada. Difícil a tolerância.


Neste dia em que me comovo ao olhar para os rostos dos protagonistas de 1974, talhados pelo tempo e pelo seu tempo, olho para o futuro aninhado ao meu lado, dedinhos quentes que me seguram a alma, e sei que tudo farei para que os seus próximos 50 anos sejam aqueles da sua Liberdade.

14 abril 2024

Família(s)

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Isabel Miramontes


Abraçar alguém, homem ou mulher ou qualquer dos géneros alternativos, grande, pequeno, escuro, claro ou às cores, de qualquer nacionalidade, ter alguém que amamos, alguém que beijamos infinitamente.


Ter momentos em que nos juntamos, rimos ou sofremos, apoiamos ou discutimos, de felicidade, raiva, estremecimento ou distanciamento, ter alguém de pequenino que nos olha e apreende, que nos cheira, com o corpinho morno junto ao nosso, que nos dilata e preenche o coração, que nos inunda de ondas de amor.


O amor, sempre o amor. Amar alguém é a nossa mais preciosa característica, e não a temos que justificar a ninguém.


Família é a que temos, biológica ou não, constituída por aqueles que escolhemos, sejam quem forem, de onde forem, como forem, estejam aonde estiverem, melhor bem junto a nós.


E ninguém tem absolutamente nada a ver com isso.

13 abril 2024

O ar dos tempos

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Women’s Rights Pioneers Monument


Meredith Bergmann


 


É pesado.


Vamos assistindo àquilo que considerávamos valores universais, de civilização, civismo, direitos, liberdade e garantias, no sei de um mundo que se ia desenvolvendo.


Mas não. Nos EUA, preparam-se novas proibições às leis do aborto. Por toda a Europa, o revivalismo, o reaccionarismo e a forma despudorada com que se tem ouvido cada vez mais gente a defender o retrocesso a ideias ultramontanas, sendo muito difícil fazer frente a essa situação.


Não é o facto de as poderem defender que está em causa. A democracia é isso mesmo. Mas a descoberta de que há tantos a defenderem estatutos de dona de casa, a sensibilidade maior da mulher, papéis distintos para homens e mulheres reescrevendo tudo o que se passou nos últimos 100 anos, já não digo 50 anos, a lavagem cerebral quanto ao que apelidam ideologia de género, a obrigatoriedade de seguir padrões comportamentais e ideológicos, a negação da pluralidade de soluções e de vontades de afectos, é assustadora.


Por outro lado, ao fim de 2 dias de discussão do programa do governo, descobrimos que a promessa da redução do IRS feita pela AD era, pura e simplesmente, mentira, descarada e saloia, é deprimente.


São ares dos tempos.

31 março 2024

Domingo de Páscoa

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30.


 


Empapamos de suor


Os lençóis da juventude


Com a fé e o ardor


Dos profetas da virtude


 


Entrelaçamos de dor


Os dias de vastidão


Enterramos o bolor


Que cresce na solidão


 


Aprendemos o caminho


Nas noites de agonia


Senhor mostra-me o carinho


Com que derretes o dia


 


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas


Pág. 42

30 março 2024

Stabat Mater dolorosa


Philippe Jaroussky & Julia Lezhneva


Stabat Mater dolorosa - Pergolesi

Sábado de Aleluia

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11.


 


Vou plantando incertezas


Entre caminhos escuros


Arrancando asperezas


Construindo alguns muros


 


Solto os cães dentro de mim


Que guardam o vento leste


Mastigam num frenesim


A marca que me fizeste


 


O tempo já corroeu


A divina tatuagem


Senhor agora sou eu


A refazer a viagem


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas


pág. 23

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...