Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
02 janeiro 2022
Palavra do Senhor

Palavra do Senhor, de Ana Bárbara Pedrosa, é um livro brilhante, em que Deus se explica, de indignado a compreensivo com os cépticos, de orgulhoso a arrependido com a sua humana criação (à sua imagem e medida).
Foi Caim quem inaugurou a Humanidade e Deus, depois de muitas iras, castigos e desgostos, apaixonou-se perdidamente por Maria.
O Cristianismo é, assim, o fruto dessa paixão omnipotente.
Uma escrita litúrgica. Um livro brilhante.
01 janeiro 2022
Le Chagrin et la Pitié

The Sorrow and the Pity
(versão com legendas em inglês)
Le Chagrin et la Pitié é um documentário com cerca de 4 horas, realizado por Marcel Olphüls, sobre a ocupação alemã de Clermont-Ferrand (1940 - 1944), durante a II Guerra Mundial.
Divide-se em duas partes - O Colapso e A Escolha. O realizador, entre entrevistas aos habitantes, a antigos soldados alemães, a membros da Resistência Francesa, depoimentos de várias personagens como Anthony Eden, Christian de La Mazière, Georges Lamirand e Pierre Mendès France e excertos de filmes da época, traça uma imagem extremamente incómoda da colaboração do regime de Vichy e da população da cidade.
De tal forma incómoda que o documentário (1969) foi distribuído para as salas de cinema em 1971 e apenas visto no canal FR3 em 1981, tenso sido recusada (censurada) a sua difusão até essa altura.
É muitíssimo interessante pelo que mostra do que é uma comunidade humana. A maior parte de nós tende a ajustar-se e a adaptar-se, fazendo a sua vida sem perguntar, sem querer saber, encontrando justificações para que aquilo que considera ser a sua segurança não desapareça.
Tantas vezes o nosso silêncio e a nossa incapacidade de reagir permitiram e permitem as maiores atrocidades. Mas nenhum de nós as entende como tal enquanto as vive.
Por isso os julgamentos que fazemos da mole humana é enviesada por aquilo que gostaríamos de pensar que faríamos nas mesmas circunstâncias. Por isso percebemos o quanto é artificial a divisão entre vilões e heróis. Não que eles não existam, mas somos nós mesmo que incluímos ambas as condições, e todos os cambiantes entre elas.
E não somos diferentes hoje do que éramos nessa altura. Os apoiantes das ideologias totalitárias não acabaram a 1 de Setembro de 1945, o anti-semitismo não terminou com a libertação dos campos de concentração.
A História, os movimentos das ideias, os comportamentos sociais são muito complexos. E aí está o reacender dos ódios raciais e dos totalitarismos.
O medo.
Nota - Publico o comentário de A. Teixeira que é de todo pertinente:
Convirá talvez esclarecer melhor no terceiro parágrafo que, depois da sua exibição nas salas de cinema, a primeira transmissão do documentário por televisão, no terceiro canal da televisão francesa só teve lugar doze anos(!) depois da produção do documentário.
Esse canal (FR3) era tradicionalmente o que possuía as menores audiências dos três (TF1/A2/FR3) que existiam então em França. Mas nas duas noites em que o documentário foi transmitido a FR3 tera tido uma audiência estimada entre 15 e 20 milhões de telespectadores. (A França contava então 54 milhões de habitantes) Podia ter havido uma grande dificuldade em transmitir o filme, mas revelou-se que havia uma enorme curiosidade em vê-lo.
Inícios

Luminosos dias de um início.
Nascemos a cada instante para o mundo
que fizermos os abraços que tanto
nos faltam a esperança que nos dá
vida.
31 dezembro 2021
Que sejamos felizes

No último dia de 2021 fazia um post assim titulado.
Há uma nuvem que perpassa por 2020 e 2021. Quase parece que os anos estão congelados, suspensos, tanto como suspendemos e congelámos as nossas vidas.
No último dia do último ano também tínhamos umas eleições perto. Essas previsíveis, enquanto as próximas o são menos.
Imprevisibilidade, é mesmo a palavra que me ocorre quando penso no ano de 2022.
Porque vou aprendendo, à medida que os anos passam, que tudo pode mudar de um momento para o outro, que o que sabemos certo pode transformar-se no incerto.
Perigosos tempos os que passamos.
Que sejamos felizes, É mesmo o que mais importa. Que sejamos felizes nós por fazermos felizes os outros.
Até para o ano.
28 dezembro 2021
60 pinguins

Alguém me parabenizou com uma imagem de 60 pinguins.
Mesmo sem explicar o que esta piada privada significa, fica bem de ver que os 60 anos vierem ter comigo, ou eu deixei de fugir deles.
É realmente muito. Não sei porque são iguais aos 50 e, se calhar, também aos 40.
Os anos passam e eu sinto-me igual, com a excepção dos dias em que me sinto com 1000. Para mais, os últimos (2020 e este) não existem na minha mente, embora tenha a certeza de que irão perdurar na minha memória.
Muito obrigada a todos quantos se lembraram de mim, neste dia que acaba por ser sempre um marco, e ao qual atribuímos significados que, na maioria das vezes, não têm significado nenhum.
Para o ano haverá mais..... espero.
A mudez perante o indizível
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