24 julho 2020

O misterioso caso dos beeps televisivos

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Qual não é o nosso espanto quando, uns dias depois deste rearrumar de equipamentos audiovisuais e após assistirmos a um filme através do computador, ligado à TV através do cabo HDMI, fomos incomodados pela noite dentro por uns beeps estranhíssimos, sem ritmo nem ciclo reconhecíveis que me pareceram notificações de telemóveis, depois alguma coisa vinda do computador, depois da televisão. Estremunhados pesquisámos as possíveis causas de tão estranhas e audíveis notificações de coisa nenhuma, desligámos tudo o que tínhamos ligado, inclusivamente o rádio despertador, numa tentativa de regressar ao sono.


No dia seguinte os beeps continuaram, mais espaçados. A sua proveniência parecia ser a televisão. Fui procurar na internet se havia descritos problemas nas TVs Samsung, nomeadamente beeps inusitados, e encontrei! Na internet encontra-se de tudo, nomeadamente explicações para os mais inacreditáveis problemas. Pelos vistos há televisões que, sem mais nem para quê, fazem ruídos, que desaparecem tão subitamente como aparecem e que não têm explicação científica comprovada. Calor, cabos, interferências, hipóteses mais ou menos mágicas mas nada que se entenda ou reproduza. Bem, pelo menos já havia alguém que tinha sofrido dos mesmos beeps.


E de facto, tão misteriosamente como apareceram, os beeps deixaram de nos acordar por algum tempo, até que regressaram. Habituámo-nos, como nos habituamos a tudo, partilhando este mistério com o pessoal mais novo e mais habilitado a lidar com as espantosas tecnologias digitais, nada tendo sido adiantado nem resolvido.


A miscelânea de detectives privados que há em mim, mais ou menos formais, de várias localizações geográficas, de Miss Marple a Eneias Trindade, passando por Jaime Ramos, Hercule Poirot, Commissaire Maigret, Perry Mason e Mma Ramotswe (para além de todos os outros de que me não recordo mas que enformam a minha curiosidade e necessidade de compreender o incompreensível), não estava nada satisfeita por este falhanço incomensurável em descobrir a causa destes aflitivos e irritantes beeps.


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O misterioso caso dos beeps televisivos

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Obras em casa são um pesadelo. Pó, porcaria, confusão, gente a toda a hora a devassar-nos a intimidade, chão sujo, móveis cobertos de lençóis, plásticos e baldes de tinta com as mais diversas maquinarias para estragar paredes, sacos amontoados em todo o lado, com roupa, com livros, com papéis. No fim, para além das limpezas, é preciso arrumar tudo de novo com a imprescindível paciência para implementação das mais fantásticas lides domésticas. Claro que as revoluções se começam em casa e a reorganização da mesma, com mudanças mais ou menos radicais, é indispensável e indissociável das obras.


Por isso mesmo a televisão que morava na sala mudou-se com satisfação para o quarto onde ocupou o espaço da anterior, bastante mais pequena, induzindo aos decrépitos ocupantes uma cada vez maior dificuldade de visualização. Por outro lado, a ausência deste ponto de encontro na sala de estar abre todo um novo mundo de possibilidades de gestão do espaço e das conversas entre os habitantes, permanentes ou temporários.


Também a decoração da pequena estante da televisão no quarto se alterou, tal como a da estante de livros no escritório improvisado da varanda fechada, menos quente no Verão, agora que está forrada a vidros duplos com exterior fosco, para melhorar a eficiência energética. Decoração essa mais seguidora de um cansaço de distribuir as coisas que todos temos a mais pelos espaços delas do que decidida por orientações estéticas. Mas enfim, as obras e a falta de skills nas arquitecturas paisagísticas de interiores ditam a sobrevivência. Tanto assim que a mistura de leitor de DVDs, os próprios DVDs, estatuetas estrambólicas e caixas de música se misturam agora num conceito de continuidade pré e pós moderno de tudo ao molho e falta de fé seja no que for, o que eu quero é acabar rapidamente com tudo isto que já não aguento mais.


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23 julho 2020

Com que voz


Amália Rodrigues & Alain Oulman


Luís Vaz de Camões



Camané & Mário Laginha


 



Makaya


 


Com que voz chorarei meu triste fado,


que em tão dura paixão me sepultou,


que mor não seja a dor que me deixou


o tempo, de meu bem desenganado?


 


Mas chorar não se estima neste estado,


onde suspirar nunca aproveitou;


triste quero viver, pois se mudou


em tristeza a alegria do passado.


 


De tanto mal a causa é amor puro,


devido a quem de mi tenho ausente


por quem a vida, e bens dela, aventuro.


 

Expressamente manipulados

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Expresso (23/07/2020)


 


Atentemos neste artigo do Expresso (não tenho acesso à notícia completa). Ficamos a saber que a DGS tem uma nota NEGATIVA de 33,4%. Mas não sabemos qual é a nota POSITIVA - será de 66,6%?


Marta Temido também tem uma nota NEGATIVA de 29,4%. Mas ficamos a saber que a maioria (52,4%) acha que esteve bem (nota POSITIVA) e 14% acham até que esteve muito bem - POSITIVA também. Ou seja, 66,4% deu-lhe nota POSITIVA!


Pois, mas é muito mais interessante realçar, no caso da DGS e da Ministra Marta Temido, as notas negativas.


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Já no caso de Marcelo Rebelo de Sousa o destaque é feito pela percentagem que lhe deu nota MÁXIMA (25,6%), mas ficamos sem perceber qual a percentagem dos que acharam a sua acção NEGATIVA.


Pois eu, usando os mesmos critérios do Expresso, dou-lhe uma nota NEGATIVA.

O reeditar das reformas estruturais

Não aprendemos nada, como comunidade europeia, com o que se passou na crise de 2008. E, mais uma vez, a divisão entre os países que se acham moralmente superiores, que são frugais e sabem gastar bem o dinheiro, impõe-se. Dentro de alguns anos regressarão as sanções para quem não fez aquilo que esses países acham que se deve fazer - cortar na segurança social e reduzir as garantias dos trabalhadores com alterações da legislação.


É sempre o mesmo. A falta de vergonha chegou até à proposta de vetos por parte de países que não concordavam com a forma como se aplicavam os fundos. A falta de vergonha da parte de quem faz dumping fiscal, atraindo as empresas de outros países para fugirem aos impostos.


Não, não aprendemos rigorosamente nada.

Debates e democracia

Estou de acordo com todos os que se opõem à redução dos debates parlamentares quinzenais, em que o Primeiro-ministro e o governo são confrontados com o escrutínio Parlamentar.


O trabalho do Parlamento é legislar e escrutinar a actuação do governo. Um dos trabalhos do Primeiro-ministro é responder aos parlamentares. Este tique autoritário de deixem-no e deixem-me trabalhar é uma submissão ao populismo, muitas vezes denegrido mas abraçado nestes gestos que são bastante significativos do que se pensa da actividade dos deputados.

13 julho 2020

Das terapêuticas anti-virais

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Contra gripes repentinas


e outros vírus coroados


compota de nectarinas


e ficamos vacinados.


 


Corte tudo em pedacinhos


retire só o caroço


de canela uns pauzinhos


de cravinho só um esboço.


 


Açúcar pesa metade


do peso das nectarinas


tudo em conformidade


das dietas em ruínas.


 


Não se deve esquecer


o que diz a tradição


e que consta em espremer


um sumarento limão.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...