23 julho 2020

Debates e democracia

Estou de acordo com todos os que se opõem à redução dos debates parlamentares quinzenais, em que o Primeiro-ministro e o governo são confrontados com o escrutínio Parlamentar.


O trabalho do Parlamento é legislar e escrutinar a actuação do governo. Um dos trabalhos do Primeiro-ministro é responder aos parlamentares. Este tique autoritário de deixem-no e deixem-me trabalhar é uma submissão ao populismo, muitas vezes denegrido mas abraçado nestes gestos que são bastante significativos do que se pensa da actividade dos deputados.

13 julho 2020

Das terapêuticas anti-virais

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Contra gripes repentinas


e outros vírus coroados


compota de nectarinas


e ficamos vacinados.


 


Corte tudo em pedacinhos


retire só o caroço


de canela uns pauzinhos


de cravinho só um esboço.


 


Açúcar pesa metade


do peso das nectarinas


tudo em conformidade


das dietas em ruínas.


 


Não se deve esquecer


o que diz a tradição


e que consta em espremer


um sumarento limão.


 

09 julho 2020

Concursos fictícios

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Rita Rato, licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais, não conhecia, em 2009, a realidade dos atropelos aos Direitos Humanos na China, nomeadamente a existência de presos políticos, e nunca tinha estudado nem lido nada sobre os gulags, as purgas e o terror do estalinismo.


Rita Rato decidiu concorrer ao lugar de direcção do Museu do Aljube Resistência e Liberdade. Para o perfil pedia-se



  • Formação superior adequada à função (preferencialmente na área de história política e cultural contemporânea);

  • Experiência em funções similares (preferencialmente na área dos museus);

  • Experiência em programação e produção de exposições;

  • Experiência em gestão de pessoal e equipas;

  • Domínio da língua portuguesa falada e escrita;

  • Proficiência em inglês e francês;

  • Domínio das ferramentas do Microsoft Office;

  • Elevadas competências de relacionamento interpessoal;

  • Elevado sentido de responsabilidade e de confidencialidade.


Pelos vistos Rita Rato não preenchia os 3 primeiros requisitos. Mas isso não impediu o júri de lhe dar o lugar, pelos vistos pela forma como decorreram as entrevistas realizadas durante o concurso.


Tentar transformar o espanto e a indignação de várias entidades e pessoas quanto a esta escolha, dificilmente compreensível não só face ao perfil requerido como à evidente ignorância e / ou cegueira da candidata, num ataque misógino e anti-comunista, é triste e constrangedor.

Justiça quatro anos depois

Quatro anos depois o Tribunal Judicial de Lisboa decidiu condenar José António Saraiva pelo crime de devassa de vida privada.


É muito importante que a sentença tenha sido essa. No entanto, 4 anos depois, já ninguém se importa, liga ou sequer se lembra do que se passou, com excepção dos directamente visados. Para além da morosidade do processo, o custo associado é seguramente muito superior ao financeiro.


Defendi e defendo que estes assuntos sejam decididos na justiça e acredito que tenha sido uma vitória da lei e da decência, mas com um sabor mais acre que doce. É preciso ser-se muito corajosa e resiliente, para suportar tudo isto.

Vírus e Sistema Nervoso Central

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Multiplicam-se os títulos bombásticos de manifestações da COVID-19. O Público publica uma notícia que cita estudos que alertam para a possibilidade de lesões graves causadas pelo SARS-Cov-2 no Sistema Nervoso Central (SNC).


Uma pequeníssima e rápida busca no Google, mostrou outros estudos, noutros anos, com outros vírus, que alertam para as mesmas possibilidades: nestes casos concretos em relação aos vírus da gripe (H1N1 e H5N1).


Também o vírus da varicela é conhecido por poder causar lesões no SNC. E muitos outros. É indispensável que não percamos a perspectiva do todo - há muitos vírus que têm capacidade para lesar o SNC, o que não significa que o façam sempre nem para sempre.


Este tipo de notícias só aumentam o medo pelo alarmismo. Informação não pode ser apenas a procura de títulos assustadores, completamente desenquadrados e sem qualquer procura mínima de cruzamento de dados.

30 junho 2020

Soltam-se os cães

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Há coisas que, por muito que racionalmente saiba que são assim, sempre me surpreendem.


Fernando Medina, após as notícias de que António Costa se teria irritado com os técnicos e com a ministra da Saúde, não sei se por iniciativa própria ou se por estratégia concertada, resolveu abrir fogo.


Instalada a ideia de que a pandemia está a correr mal em Lisboa, é preciso arranjar responsáveis por este facto (alternativo). Já ninguém se lembra, e também não interessa a ninguém lembrar, que há escassas semanas as mesmas autoridades, as mesmas chefias e os mesmos exércitos eram os melhores do mundo.


Em primeiro lugar, após a decisão de reduzir as medidas de confinamento e há já várias semanas, temos uma evolução de novos casos à volta de 1% , uma letalidade a reduzir-se paulatinamente (à volta de 4%), o número de internamentos e de camas de UCI ocupadas também controladas. Até hoje, e felizmente, temos conseguido controlar a pandemia apesar da pobreza, das desigualdades gritantes, nomeadamente na região da Grande Lisboa, da imensidade de imigrantes em situações precárias, dos bairros sociais, dos lares clandestinos, dos transportes apinhados, do escasso número e do envelhecimento dos profissionais de saúde, da obsolescência dos sistemas informáticos, da inadequação dos equipamentos, do cansaço, da necessidade de retomar a economia e a sanidade mental.


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Evolução dos novos casos por semana (DGS)


 


Estes problemas já existiam antes da pandemia e não desapareceram nestes últimos meses, altura em que éramos o exemplo mundial no combate à COVID-19. Por isso as palavras de Fernando Medina são ainda mais obscenas. Já agora, o que fez ele, como responsável autárquico, para tentar resolver o problema do distanciamento físico nos transportes públicos? Será que não podia, por exemplo, implementar o desfasamento de horários para mitigar as horas de ponta? Aumentar o número de autocarros alternativos? Ou mesmo usar uma varinha mágica e acabar em 2 meses o que não conseguiu em 5 anos?


É uma pena que o SARS-Cov-2 não se comporte como António Costa gostaria. Nós todos preferiríamos que ele tivesse desaparecido, que o conhecimento sobre máscaras, desinfecções, confinamentos e desconfinamentos, terapêuticas, etc, fosse maior e mais certo.


A evidência científica perde terreno nestes tempos de chumbo. Não é só Trump nem Bolsonaro. O pensamento mágico substitui a racionalidade. E a forma como os responsáveis políticos manipulam os factos e a opinião pública para os seus proveitos é tão asquerosa quanto velha.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...