É muito engraçado observar os músicos numa orquestra, enquanto tocam. As cores que vestem, a forma como se exprimem e manifestam, se o seu envolvimento é visível ou não.
Penso que os verdes e os azuis estão na moda, pois eram vários os elementos femininos que escolheram estas cores. Um dos primeiros violinos é muito magro e tem sempre uns sapatos negros e brilhantes. Um outro, ao lado dele, praticamente só mexe os braços.
A chefe dos primeiros violinos não consegue deixar de marcar com o pé o ritmo da música, num sapato que aflora discretamente da perna das calças. Há verdadeio enleio nalguns dos rostos; outros permanecem impávidos.
À minha frente uma miúda com cerca de 10 anos move o corpo com a melodia e atrás de mim alguém não resiste a cantarolar a música.
E porque não permitir-nos um certo optimismo, uma centelha de bom-humor, um momento de tolerância pelo que se aproxima, deixarmo-nos de tristes presságios e de remoer os desenganos?
Porque não a esperança, mesmo que curta, mesmo que frágil, numa melhor versão de nós próprios, das nossas vidas e das vidas de quem nos acompanha e envolve, porque não experimentarmos mais gentileza, mais atenção?
Tudo o que é novo é cintilante. Que possamos brilhar, nem que seja nos primeiros minutos do novo ano, do novo dia, do novo nós.