
Firmament IV
O mundo é demasiado grande para que me perca nele
o mundo é demasiado pequeno para que me encontre nele
o mundo é suficientemente grande para que me esconda nele
o mundo é suficientemente pequeno para que fuja dele.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]

Firmament IV
O mundo é demasiado grande para que me perca nele
o mundo é demasiado pequeno para que me encontre nele
o mundo é suficientemente grande para que me esconda nele
o mundo é suficientemente pequeno para que fuja dele.

Mansos dias mansos nomes mansas histórias de manso poder
onde estaremos de mansidão à espera de outros mansos
sinais de manso desespero que na mansidão das almas
entre mansos apertos de culpa e mansos deleites de mentira
mansos e incolores avisos de mansos pecados e mansas grades
para mansas prisões na mansidão das almas que se decretam
mansas de tão vazias.

Um livro
O meu livro
Este livro...
Que será lido
E não lido,
Espezinhado,
Roído,
Desfeito aos pedaços
Por mãos de criança...
Será mais um livro...
Um livro esquecido
Na estante do Tempo?...

6.
Somareis os vossos braços ao trabalho e às canseiras
Correreis como as formigas pelos matos e carreiras
Calçareis botas de chumbo para ateardes fogueiras
Dormireis amarfanhados nas covas das toupeiras
Ficareis no sopé dos montes por escalar
Náufragos retidos nas algas do mar
Secareis de esperança por braçadas de ar
Desistindo da morte que vos há de tentar
in Prosas Bíblicas, Livro 3 (pág.66)
(quem estiver interessado pode enviar pedido através de
sofia.l.santos@sapo.pt)

5.
Gastei os caminhos com os meus passos
soprei as areias de todos os desertos
consumi os olhos com que velei pelas noites
em busca do meu amor ausente.
Talvez um dia no rasto dos meus pés
no eco da minha voz na centelha do meu olhar
se acendam faróis que o guiem ao meu altar.
in Prosas Bíblicas, Livro 2 (pág.51)
(quem estiver interessado pode enviar pedido através de
sofia.l.santos@sapo.pt)

6.
Na vida que me insuflaste
Faltam-me os dedos da mão
Parelha que não sonhaste
Olhos da minha paixão
Falta-me Senhor alento
Suspiro de solidão
Falta-me amor e sustento
Para a minha dimensão
Já hoje é o sexto dia
Olho a terra em redor
No sono que me asfixia
Abre-me o corpo sem dor
Da minha massa fecunda
Farás a minha metade
Serei aquela que funda
O ventre da humanidade
in Prosas Bíblicas, Livro 1 (pág.18)
(quem estiver interessado pode enviar pedido através de
A voz do mar na boca O gume afiado do horizonte Na curva infinita do esquecimento Reconheço nos ossos A aridez da vontade Queb...