17 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 3

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6.


 


Somareis os vossos braços ao trabalho e às canseiras


Correreis como as formigas pelos matos e carreiras


Calçareis botas de chumbo para ateardes fogueiras


Dormireis amarfanhados nas covas das toupeiras


 


Ficareis no sopé dos montes por escalar


Náufragos retidos nas algas do mar


Secareis de esperança por braçadas de ar


Desistindo da morte que vos há de tentar


in Prosas Bíblicas, Livro 3 (pág.66)


(quem estiver interessado pode enviar pedido através de


sofia.l.santos@sapo.pt)

16 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 2

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5.


 


Gastei os caminhos com os meus passos


soprei as areias de todos os desertos


consumi os olhos com que velei pelas noites


em busca do meu amor ausente.


Talvez um dia no rasto dos meus pés


no eco da minha voz na centelha do meu olhar


se acendam faróis que o guiem ao meu altar.


in Prosas Bíblicas, Livro 2 (pág.51)


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15 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 1

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6.


 


Na vida que me insuflaste


Faltam-me os dedos da mão


Parelha que não sonhaste


Olhos da minha paixão


 


Falta-me Senhor alento


Suspiro de solidão


Falta-me amor e sustento


Para a minha dimensão


 


Já hoje é o sexto dia


Olho a terra em redor


No sono que me asfixia


Abre-me o corpo sem dor


 


Da minha massa fecunda


Farás a minha metade


Serei aquela que funda


O ventre da humanidade


in Prosas Bíblicas, Livro 1 (pág.18)


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14 julho 2019

13 julho 2019

De volta à cozinha

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Ou mais precisamente de volta às receitas, porque tenho habitado a cozinha como de costume, embora não participe muito da confecção dos alimentos e partilhe ainda menos os meus (in)conseguimentos. Mas hoje resolvi experimentar cuscuz. Na verdade foi mais uma miscelânea de legumes com cuscuz.


 


Comprei sêmola de trigo, integral claro, porque como tudo cada vez mais integral, ou não fosse uma matrona a render-se à ditadura da gastronomia saudável, juntamente com treinos múltiplos e a toda a hora. Bem, pelo menos estou uma matrona mais compacta.


 


Mas não nos dispersemos: parti em meias luas fininhas uma cebola média, 2 dentes de alho, uma mistura de legumes para sopa que encontrei no supermercado, já partidos em tiras (couve lombarda, cenoura e alho francês), coentros, cogumelos, um bocadinho de raiz de gengibre, alguns amendoins e 3 ou 4 tâmaras (sem caroço); deitei tudo no wok - cozinha saudável sem wok nem existe - e temperei com um pouco de azeite, sal, pimenta e pó de caril. Deixei suar ao lume, mexendo sempre para não agarrar com um pouco de vinho branco. Ficou rapidamente pronto.


 


À parte coloquei numa tigela grande o cuscuz (50 g por pessoa), azeite (1 colher de chá por pessoa) e água a ferver com sal (60 ml por pessoa). Depois de repousar cerca de 5 minutos, envolvi bem com um garfo e acrescentei mais uma nica de água a ferver, porque ficou muito seco.


 


E pronto, assim ficou um fenomenal jantar - cuscuz com legumes e cogumelos.

Sem saber


Vasco da Graça Moura & Carlos Paredes


Mísia


 


Sem saber


Porque te amei assim


Porque chorei por mim


 


Sem saber


Com que punhais tu feres


Magoas mais e queres


 


Sem saber


Onde é que estás, nem como


O que te traz sem rumo


 


Sem saber


Se tanto amor devora


Mais do que a dor que chora


 


Sem saber


Se vais mudar, se então


Podes voltar ou não


 


Sem saber


Se em mim mudou a vida


Se em ti ficou perdida


 


Sem saber


Da solidão depois


No coração dos dois


 


Sem saber


Quanto me dóis na voz


Ou se há heróis em nós


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...