23 dezembro 2018

Alteração de planos

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Mourejar, sim, trabalhos forçados, também, mas não se procedeu à operação filhoses mas sim à operação rabanadas.


 


Todos os anos fazemos rabanadas, é mesmo o tiro de partida para a Consoada. Mas este ano, eu que tanto me apetecia fazer filhoses, acordei muito esmorecida, e só a ante-visão da farinha para amassar, retirou-me qualquer ambição doméstica de índole natalícia.


 


Mas as rabanadas estão com um aspecto fantástico. Já temos uma prática quase ancestral, uma linha de montagem perfeita, entre molhar as fatias de pão no leite, passá-las no ovo batido, fritá-las e polvilhá-las de açúcar e canela, que nem uma verdadeira pastelaria em hora de ponta.


 


Hoje, se tudo correr conforme planeio, ainda farei a calda para sonhos e rabanadas.


 


Amanhã será a a vez da aletria e do bacalhau, cozido com couves, mais tradicional é mesmo impossível. E eu, que tenho uma PT que parece uma assombração, e que me promete mundos de horríficos treinos para recuperar as graminhas que ganhar durante esta quadra, vou bebericando chá para resistir à tentação e ouvindo cantos celestiais, enquanto congemino as melhores formas de prevaricar sem dar muito nas vistas...


 



Anne-Sophie von Otter


Koppangen (Holy Night)


música de Per-Erik Moraeus


letra de Py Bäkman

22 dezembro 2018

Preparemo-nos...

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.... para os trabalhos forçados dos próximos dias.


 


Na cozinha perfilam-se a farinha, os ovos, as laranjas, o chá e o leite, à espera do desencadear das hostilidades. O dia será de filhoses.


 


Hoje, em amena cavaqueira, enchi diversos frascos com diversos licores parecidos uns com os outros, o que levou a várias provas para rigorosa e científica identificação e colagem de rótulos.


 


Seguiu-se a confecção de uma prodigiosa novidade, indecentemente roubada a uma pessoa altamente preocupada com o meu peso e a sua redução, que consiste no derreter de chocolate com uma pitada de óleo de coco, mistura de sementes diversas, espalhanço do preparado num tabuleiro forrado com papel vegetal e esperança de que tudo se transforme em pequeníssimas bolachinhas para juntar aos parcos e esquálidos cabazes.


 


Enfim, it's beginning to look a lot like Christmas...

21 dezembro 2018

Quadras de Natal (5)

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Salvador Dali -1960


 


Viro o Natal do avesso


examino-lhe as costuras


corto estrelas em excesso


aconchego nas suturas.


 


Fui ao mato buscar lenha


para acender a lareira


sem amor que me sustenha


arde a alma na fogueira.


 


Abri a porta da casa


ao Menino que nasceu


há um mundo que extravasa


a tristeza que há no meu.


 


Parti o pão que me deste


bebi da água e do vinho


meu Menino que nasceste


rodeado de azevinho.


 


Viro o Natal do direito


e penteio-lhe a nervura


verde lindo e sem defeito


polvilhado de ternura.


 

Boas festas

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17 dezembro 2018

Do orgulho

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Aprovado por unanimidade


 


 


VOTO N.º 660/XIII/4.ª DE PESAR PELO FALECIMENTO DE


GENERAL LOUREIRO DOS SANTOS


 


É com profundo pesar que a Assembleia da República assinala o falecimento do General José Alberto Loureiro dos Santos.


 


O General Loureiro dos Santos era considerado um dos mais notáveis militares da sua geração, cuja distinta carreira o levou aos cargos de Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e Chefe do Estado-Maior do Exército. Também na política, teve papel de relevo ao desempenhar o cargo de Ministro da Defesa Nacional nos IV e V Governos constitucionais.


 


Nascido a 2 de setembro de 1936, em Vilela do Douro, no concelho de Sabrosa, Vila Real, concluiu com distinção os estudos secundários em 1953, tendo ganho o prémio nacional de melhor aluno dos liceus, e ingressou na Escola do Exército, onde se formou em Artilharia.


 


Combatente na Guerra Colonial, o General Loureiro dos Santos participou na Revolução de Abril, tendo assumido o cargo de secretário do Conselho da Revolução, e foi um elemento ativo no processo de transição para a democracia em Portugal.


 


Doutrinador com vasta obra publicada, o General Loureiro dos Santos foi um dos grandes mestres da moderna escola de Estratégia em Portugal, com um papel fundamental no moldar do pensamento militar do pós-25 de Abril e na definição teórica da política externa portuguesa.


 


O General Loureiro dos Santos lecionou no Instituto de Estudos Superiores Militares, do qual fez parte do conselho científico, e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) — no qual foi membro do Conselho de Honra. Era também membro da Academia das Ciências de Lisboa e do Conselho Geral da Universidade Nova de Lisboa, como personalidade externa.


 


Foi membro fundador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, membro do Centro de Estudos Estratégicos do Instituto de Altos Estudos Militares, membro do Grupo de Reflexão Estratégica do Ministério da Defesa Nacional e participou na Comissão de Revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional em 2012.


 


Como comentador de assuntos de estratégia, segurança e defesa, o General Loureiro dos Santos era presença frequência nos meios de comunicação social, tendo granjeado a admiração do grande público.


 


Reunida em sessão plenária, a Assembleia da República lamenta profundamente a morte do cidadão ilustre, do militar exemplar e do pensador ímpar e endereça à família, aos amigos e ao Exército português as mais sentidas condolências. Palácio de São Bento, 21 de novembro de 2018.


 


O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.


 


Outros subscritores: André Pinotes Batista (PS) — Lúcia Araújo Silva (PS) — José Manuel Carpinteira (PS) — Lara Martinho (PS) — Maria Conceição Pereira (PSD) — Ivan Gonçalves (PS) — Wanda Guimarães (PS) — Santinho Pacheco (PS) — Francisco Rocha (PS) — José Rui Cruz (PS) — António Sales (PS) — Ricardo Bexiga (PS) — Ana Passos (PS) — Norberto Patinho (PS) — João Marques (PS) — Sofia Araújo (PS) — Rui Riso (PS) — Cristina Jesus (PS) — Odete João (PS) — Maria Augusta Santos (PS) — Joana Lima (PS) — Ana Sofia Bettencourt (PSD) — Luís Pedro Pimentel (PSD) — Carla Sousa (PS) — Carla Tavares (PS) — Maria Manuela Tender (PSD) — Luís Leite Ramos (PSD) — Eurídice Pereira (PS) — Edite Estrela (PS) — Paulo Pisco (PS) — Luís Vales (PSD) — António Costa Silva (PSD) — Susana Lamas (PSD) — Nilza de Sena (PSD) — Elza Pais (PS) — João Gouveia (PS) — Regina Bastos (PSD) — Margarida Mano (PSD) — Maria Germana Rocha (PSD) — Alexandre Quintanilha (PS) — Berta Cabral (PSD) — Pedro Pimpão (PSD) — Sandra Pereira (PSD) — Sara Madruga da Costa (PSD) — Ana Oliveira (PSD).

16 dezembro 2018

Caso estejam falhos de ideias...

Uma hipótese de prenda para o Natal:


 


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Do rápido e acelerado desgaste das regras democráticas

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Marine Le Pen ganharia hoje a primeira volta das eleições presidenciais francesas


 


 


O que mais me impressiona quando ouço e leio os argumentos dos chamados coletes amarelos a exigir a demissão de Macron e a realização de novas eleições, é a repetição de eu não votei nele e de ele não nos representa.


 


A democracia representativa, ou seja, o governo pela maioria eleita livremente, por um intervalo temporal que se rege pela lei, deixou de ter significado. Como não se vota em uma determinada pessoa ou opção política, não tem que se acatar a decisão e a escolha da maioria.


 


Portugal não é excepção, ao contrário do que se tem dito e repetido em vários meios de comunicação. As novas formas e ritmos das greves que estão a aparecer, tal como as notícias que se põem a circular sobre os actores políticos, muitas delas inventadas mas muitas outras, infelizmente, bem reais, são o perfeito caldo para o aparecimento daqueles que acabarão com todos os tipos de greves e todos os tipos de reivindicações - os ditadores e as ditaduras.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...