
Salvador Dali -1960
Viro o Natal do avesso
examino-lhe as costuras
corto estrelas em excesso
aconchego nas suturas.
Fui ao mato buscar lenha
para acender a lareira
sem amor que me sustenha
arde a alma na fogueira.
Abri a porta da casa
ao Menino que nasceu
há um mundo que extravasa
a tristeza que há no meu.
Parti o pão que me deste
bebi da água e do vinho
meu Menino que nasceste
rodeado de azevinho.
Viro o Natal do direito
e penteio-lhe a nervura
verde lindo e sem defeito
polvilhado de ternura.
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