Uma hipótese de prenda para o Natal:

Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]

Marine Le Pen ganharia hoje a primeira volta das eleições presidenciais francesas
O que mais me impressiona quando ouço e leio os argumentos dos chamados coletes amarelos a exigir a demissão de Macron e a realização de novas eleições, é a repetição de eu não votei nele e de ele não nos representa.
A democracia representativa, ou seja, o governo pela maioria eleita livremente, por um intervalo temporal que se rege pela lei, deixou de ter significado. Como não se vota em uma determinada pessoa ou opção política, não tem que se acatar a decisão e a escolha da maioria.
Portugal não é excepção, ao contrário do que se tem dito e repetido em vários meios de comunicação. As novas formas e ritmos das greves que estão a aparecer, tal como as notícias que se põem a circular sobre os actores políticos, muitas delas inventadas mas muitas outras, infelizmente, bem reais, são o perfeito caldo para o aparecimento daqueles que acabarão com todos os tipos de greves e todos os tipos de reivindicações - os ditadores e as ditaduras.
Têm que ser doces, os licores deste Natal. Muito doces, pegajosos e fortes, de forma a elevar os comensais às alturas das melopeias e das almas gentis, docemente embaladas em asas de anjos e sorrisos exemplares.
Lá fora ficam as greves e os populismos, tristezas e voluntarismos, desemprego e escravatura, consumismos e rezas fictícias. Natal começa a significar enrolarmos uns novelos fronteiriços entre nós, redutos do bem, e o mundo, tomado pelo mal. Portanto, este Natal os licores são de chocolate, de ovo e o terceiro é uma mistura dos dois anteriores, o melhor (na minha opinião).

Todas as experiências são levadas muito a sério e com todo o rigor: primeiro procura-se uma receita, depois pensa-se nos ajustamentos, depois procuram-se os ingredientes, no fim confeccionam-se as iguarias. A receita que acabei por compor (ou não assistisse eu a milhares de MasterChef) foi:
Numa panela grande, aquecer a água e o leite com o cacau, o chocolate partido aos pedaços, o açúcar e baunilha (as vagens abertas e o raspado do seu interior), mexendo bem e deixando ferver, como se estivesse a fazer um fantástico cacau quente.
Depois de arrefecer e coar (com um paninho de algodão) deve-se usar a varinha mágica para desfazer os grumos que tenham ficado. Quando estiver totalmente frio, juntar a aguardente com cuidado e mexendo, para incorporar. Engarrafar e deixar descansar uns quinze dias, pelo menos, agitando as garrafas de vez e quando.

Em relação à mistura, ela resultou de uma tentativa em reduzir a espessura e o grau alcoólico do licor de chocolate, tal como aumentar o grau e a espessura do licor de ovo. É só pegar num litro de licor de cada tipo e misturá-los. Fica muito, muito bom!

Acredito na boa fé de muitos dos que se juntaram às primeiras manifestações dos coletes amarelos, em Paris.
Agora ninguém tem qualquer dúvida sobre o objectivo que move a continuação da destruição e do vandalismo das novas manifestações. É vandalismo e terrorismo, com o objectivo imediato de roubar e lucrar e outro mais subterrâneo, aproveitado e incentivado pela extrema direita e pela extrema esquerda de destruir a confiança no regime democrático.
Por cá tenta-se copiar. A extensa e permanente cobertura pelos media dão motivos para aumentar a violência, pela divulgação do medo a nível nacional e internacional. É muito difícil tentar perceber qual o equilíbrio entre a informação e a propaganda gratuita.
Macron foi eleito há pouco mais de um ano. A extrema-direita está exultante perante as últimas vitórias, nomeadamente em Espanha. E nós todos, por acção ou omissão, vamos deixando que o abismo se aproxime.

27.
O meu irmão me criou
Com paus com pedras com cinto
Por sete mães me deixou
Por entre noites de absinto
O meu irmão me vendeu
Por dinheiro e por carinho
Por sete mares me perdeu
Morrendo devagarinho
O meu irmão me fechou
Para abafar o lamento
Por sete caves calou
A fome do meu tormento
O meu irmão definhou
Sem descanso nem perdão
Por sete infernos passou
Sem quebrar a maldição
in Prosas Biblicas - Livro 1
(pág. 39)
... do post anterior, se considerarmos o número de cirurgias programadas efectuadas em 2017, segundo os dados da ACSS terão sido 575.834, e o número de cirurgias já suspensas desde o início da greve dos enfermeiros - 5.000, é o adiantado pela imprensa, concluímos que, tal como a Ministra da Saúde disse, é uma percentagem residual - mais precisamente 0,8%.
Isto não diminui a gravidade do assunto, mas também convém ter uma perspectiva de peso e das percentagens, pois ajuda a compreender que a adesão é, de facto, residual. O mais extraordinário é a forma como a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros está a comandar esta greve.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...