15 abril 2018

Revoluções

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Estamos perto de comemorar o 44º aniversário da revolução do 25 de Abril. Para além dos discursos oficiais, da repetição das imagens e dos sons emocionantes daquela madrugada e daquele dia, era muito importante que quiséssemos e soubéssemos fazer novas revoluções.


 


Uma revolução nas leis laborais, de forma a reduzir a idade da reforma, os horários de trabalho, a torná-los flexíveis e adaptáveis às funções e aos objectivos, incentivando o teletrabalho sempre que fosse possível. De uma assentada, reduzíamaos o desemprego e renovávamos os envelhecidos quadros, dando possibilidade aos jovens de ter uma vida própria e digna, capacitando os mais velhos para outra fase mais livre e descansada.


 


Uma revolução social, capacitando as comunidades de transportes locais, que pudessem recolher e conduzir os seus habitantes entre os supermercados, os jardins, os centros de saúde, etc., formando um grupo de apoio domiciliário para pequenas obras nas casas, para entrega de compras, para ajuda nas tarefas domésticas ou outras de que a população mais idosa cada vez precisa mais.


 


Uma revolução na saúde, deslocando a entrada no sistema para os centros de saúde e para o atendimento ao domicílio, fornecendo os centros de saúde de várias especialidades e vários especialistas, de médicos, técnicos, enfermeiros, assistentes administrativos e operacionais, retirando a pressão dos hospitais que deveriam ser apenas para os casos agudos e de curta duração.


 


Uma revolução na habitação, incentivando a recuperação das casas e proporcionando rendas acessíveis para todos, nomeadamente para quem quer iniciar a sua vida.


 


As pessoas precisam de tempo para praticarem exercício, para prepararem refeições, para acompanharem os filhos e os pais. As pessoas precisam de espaço próprio para construirem famílias, para serem autónomas, para se realizarem como cidadãos. As pessoas precisam de emprego minimamente estável para produzirem, para evoluírem, para poderem aspirar a uma vida condigna, terem filhos, viajarem, usufruirem, consumirem.


 


No próximo 25 de Abril, que tal vir a Geringonça (ou outras engenhocas) com estas ideias ou outras que inovem, que sejam realistas e que nos despertem para a esperança e para a felicidade?

Da ala pediátrica (Hospital de São João)

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Afinal parece que as condições indignas em que são atendidas e tratadas as crianças no Hospital de São João, a ser verdade o que diz o Observador, não têm nada a ver com as cativações de Centeno. Afinal parece que a responsabilidade do assunto será da Associação O Joãozinho, cujo Presidente é o economista Pedro Arroja.


 


No meio estão promessas de construção de um supermercado à SONAE e a não aceitação da administração da obra pelo Ministério da Saúde. É uma situação que se arrasta desde 2011 e que este governo está a tentar resolver desde 2016. Mais uma vez a informação vai caindo a conta-gotas, dando espaço a que profiram afirmações que, se calhar, não têm fundamento.

A Máfia do Pinhal*

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Serei eu que tenho o foco desviado mas acho gritante o relativo silêncio à volta da reportagem da TVI sobre a combinação criminosa de fazer arder o pinhal de Leiria, a 15 de Outubro do ano passado. Lembro-me bem do que aconteceu após a reportagem sobre a corrupção nas Raríssimas.


 


Onde estão os títulos diários nos jornais, as reportagens nas televisões, as indignações, comentários e apelos presidenciais? Será que a devastação criminosa do pinhal de Leiria é menos grave que a corrupção nas Raríssimas?


 


No dia 15 de Outubro do ano passado houve 523 ocorrências, morreram 48 pessoas e arderam mais de 50.000 hectares de terreno. Confesso que não entendo as prioridades dos nossos media informativos.


 


*Título da reportagem da TVI

14 abril 2018

Meu amigo está longe


Amália Rodrigues


 



Gisela João


José Carlos Ary Dos Santos & Alain Oulman


 


 


Nem um poema, nem um verso, nem um canto,


Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto


Amiga, noiva, mãe, irmã, amante,


Meu amigo está longe


E a distância é tão grande.


 


Nem um som, nem um grito, nem um ai


Tudo calado, todos sem mãe nem pai


Amiga noiva mãe irmã amante,


Meu amigo está longe


E a tristeza é tão grande.


 


Ai esta mágoa, ai este pranto, ai esta dor


Dor do amor sozinho, o amor maior


Amiga noiva mãe irmã amante,


Meu amigo está longe


E a saudade é tão grande.

Da incerteza das certezas

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Depois do embuste que levou à guerra no Iraque, de que já aqui falei mais de uma vez, como nos podemos sentir seguros perante a afirmação de Macron sobre as provas do uso de armas químicas pelo regime Sírio?


 


Que elas foram usadas, parece não haver dúvidas. Inaceitável e muito suspeito é o facto da Rússia vetar investigações independentes, patrocinadas pela ONU, impedindo que as decisões sejam totalmente suportadas por provas colhidas por uma Comissão que não esteja manipulada por qualquer das partes.


 


Mas tudo isto me angustia e alarma. A credibilidade dos actores políticos é nenhuma e qualquer passo dado pode desencadear tempestades impossíveis de controlar. Infelizmente, as Nações estão pouco Unidas e a força que têm para se fazerem ouvir é nenhuma.

09 abril 2018

Nem mar nem terra

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Comet


LaPaso


 


 


Nem praia nem vento


nas mãos o tépido sentimento


que abriga e constrói.


Nada que o mundo negue


na vida um pouco de neve


lume do tempo que destrói.


Nem mar nem terra


nesta angústia que encerra


o silêncio no grito que dói.

08 abril 2018

Domingo chuvoso

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Neste domingo chuvoso, em que as notícias do Brasil, da Alemanha, da Síria, da Catalunha, da nossa própria falta de prioridades e de estratégias para um desenvolvimento económico e social assente no conhecimento, na inovação, nas artes, no património, na natureza, nos deixam tão escuros e frios como o tempo, resolvi dedicar-me à confecção do jantar.


 


Entretida a usar as mãos, a mente fica livre. Aproveito o silêncio e a conversa comigo própria, preparando a semana, lembrando-me do que falta fazer, dos compromissos e das decisões a tomar. O calor do fogão é um excelente contraponto à saraivada que fustiga a janela e os cheiros apaziguam as preocupações e as ansiedades.


 


Inspirando-me numa receita que vi no canal 24-Kitchen, mas com as minhas pequenas alterações, coloquei oito lombinhos de pescada congelada num tacho, sentados numa cama de cebola, alho, pimento vermelho (picados fininhos) e azeite, temperados com sal, pimenta e salsa (também picadinha). Enquanto a pescada guisava, deitei uma mandioca e uma batata doce cortadas aos pedacinhos num tacho com água e sal, para cozerem.


 


Quando estavam bem cozidas, retirei-lhes a água e esmaguei-as com um garfo, misturando bem. Depois desfiz os lombinhos da pescada e juntei, com o molho todo, ao puré de batata doce e mandioca. Mexi muito bem com dois ovos inteiros, para ficar uma papa, rectifiquei os temperos, e moldei uns pastelinhos idênticos aos de bacalhau. Fiz como a minha avó fazia, com duas colheres de sopa. É demorado mas ficam bem. No fim foi só fritar os bolinhos em óleo. Bem sei que se devem evitar os fritos, mas eu não os comia desde o Natal!


 


Acompanhei com salada de várias alfaces, precedidos de uma sopa de couve-flor, abóbora e courgette, temperada com sal, cominhos e salsa. Também com as sopas adoptei um truque que aprendi com o Chefe Avillez: deixar os legumes amolecerem em cebola, alho e um fio de azeite e, só depois, cobrir com água e cozer; a seguir pode-se triturar e rectificar a consistência e os temperos. Ficam bastante saborosas.


 


Convenhamos que foi trabalhoso. Mas cá em casa gostaram. Penso que até respiraram de alívio, pois as minhas incursões culinárias são sempre motivo de grande apreensão familiar...


 


Não percebo muito bem porquê, devo acrescentar.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...