09 maio 2017

I’m a Stranger Here Myself

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Anne Sofie von Otter


fotografia de Ewa-Marie-Rundquist


 


 


Muitos parabéns a Anne Sofie von Otter, que faz hoje anos. É uma excelentíssima mezzo-soprano que eu admiro imenso.


 


Ouvi-a hoje, numa canção de Kurt Weill, com letra de Ogden Nash, do disco Speak Low com John Eliot Gardiner). 


 



 


 


Tell me is love still a popular suggestion


Or merely an obsolete art?


Forgive me for asking, this simple question


 


 


I'm unfamiliar with his heart


I am a stranger here myself


 


Why is it wrong to murmur, "I adore him"


When it's shamefully obvious I do?


Does love embarrass him, or does it bore him?


I'm only waiting for my clue


I'm a stranger here myself


 


I dream of a day of a gay warm day


With my face between his hands


Have I missed the path? Have I gone astray?


I ask but no one understands


 


Love me or leave me


That seems to be the question


I don't know the tactics to use


But if he should offer


 


A personal suggestion


How could I possibly refuse


When I'm a stranger here myself?


 


Please tell me, tell a stranger


My curiosity goaded


Is there really any danger


That love his now out-moded?


 


I'm interested especially


In knowing why you waste it


True romance is so fleshly


With what have you replaced it?


 


What is your latest foibal?


Is Gin Rummy more exquisite?


Is skiing more enjoyable?


For heaven's sake what is it?


 


I can't believe


That love has lost its glamor


That passion is really passé


If gender is just a term in grammar


How can I ever find my way?


Since I'm a stranger here myself


 


How can he ignore my


Available condition?


Why these Victorian views?


You see here before you


 


A woman with a mission


I must discover the key to his ignition


And then if he should make


A diplomatic proposition


 


How could I possibly refuse?


How could I possibly refuse


When I'm a stranger here myself?

Dos preparativos

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Harry Rabinger


 


 


A idade traz destas coisas: não só ficamos mais vagarosos, a mexer-nos, a pensar, a decidir como, e talvez por isso, mais cautelosos, mais pensativos, mais prudentes. Planear uma viagem de 10 dias com alguns jovens adultos por perto, habituados a ver num avião um sucedâneo de um autocarro ou de um comboio, com inúmeras vantagens, é um exercício de divertimento dos mesmos perante a abordagem de expedição ao fim do mundo a que assistem.


 


Para mim o planeamento e a antecipação de uma tão desejada viagem são elementos indispensáveis para a felicidade, que começa precisamente pela degustação do prazer que se vai ter. Além disso, como somos nós próprios a fazer tudo, desde a criteriosa escolha dos locais a visitar, necessariamente muito poucos em comparação com o desejado, usando todas as ferramentas antigas e modernas, até às marcações das viagens, reserva de hotéis, carros de aluguer, museus, monumentos históricos, etc., a viagem não se reduz a ela própria mas expande-se a toda a uma constelação de cumplicidades e gozo da antevisão do paraíso.


 


Sob o olhar de condescendência ternurenta dos profissionais, imprimimos os cartões de embarque, os comprovativos do aluguer da viatura, os comprovativos dos hotéis, carregamos e actualizamos o GPS, confirmamos as previsões meteorológicas (que muitas vezes não acertam), avaliamos as possíveis dimensões e pesos das malas, ponderamos a necessidade de agasalhos, listamos os medicamentos (sim, também já temos essa parte), pedimos o táxi para o aeroporto, fazemos as contas aos horários para não nos atrasarmos, etc.


 


Se pensar bem, a primeira vez que me lembro de ter viajado de avião para um país estrangeiro - para França (não contando com Angola e Cabo Verde que, quando lá vivi, não eram estrangeiros) - já era (jovem) mãe de 2 filhos. Por muito que as viagens pela Europa se tenham banalizado, se calhar nunca conseguirei encará-las com a naturalidade de quem já nasceu numa Europa sem fronteiras e sem passaportes, que é o caso do pessoal mais novo. A liberdade de circulação de pessoas e bens é uma grande conquista do espaço europeu e uma grande vantagem destas gerações em relação à minha. A casa deles é mesmo o mundo.


 


Pois bem, estou de partida para uns dias de recreio e evasão.

07 maio 2017

Éramos mães

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Family of Birmingham


Gillian Wearing


 


 


 


Éramos três mães e oito filhas e filhos.


Tão poucas mães para tantos filhos e filhas


que se vão alastrando e diluindo


refazendo e diferindo


noutros pais e mães


o total da soma de todos os filhos e filhas


e de todas as mães


desde que o jardim de pai e mãe


passou a ser a terra de filhas e filhos.

06 maio 2017

Youkali

 



 


Kurt Weill & Roger Fernay & Teresa Stratas


 


C’est presque au bout du monde


Ma barque  vagabonde


Errant au gré de l’onde


M’y conduisit un jour


L’île est toute petite


Mais la fée qui l’habite


Gentiment nous invite


À en faire le tour


 


Youkali, c’est le pays de nos désirs


Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir


Youkali, c’est la terre où l’on quitte tous les soucis


C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie


L’étoile qu’on suit, c’est Youkali


 


Youkali, c’est le respect de tous les vœux échangés


Youkali, c’est le pays des beaux amours partagés


C’est l’espérance qui est au cœur de tous les humains


La délivrance que nous attendons tous pour demain


 


Youkali, c’est le pays de nos désirs


Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir


Mais c’est un rêve, une folie


Il n’y a pas de Youkali


Mais c’est un rêve, une folie


Il n’y a pas de Youkali


 


Et la vie nous entraîne


Lassante, quotidienne


Mais la pauvre âme humaine


Cherchant partout l’oubli


A, pour quitter la terre


Su trouver le mystère


Où nos rêves se terrent


En quelque Youkali


 


Youkali, c’est le pays de nos désirs


Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir


Youkali, c’est la terre où l’on quitte tous les soucis


C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie


L’étoile qu’on suit, c’est Youkali


 


Youkali, c’est le respect de tous les voeux échangés


Youkali, c’est le pays des beaux amours partagés


C’est l’espérance qui est au cœur de tous les humains


La délivrance que nous attendons tous pour demain


 


Youkali, c’est le pays de nos désirs


Youkali, c’est le bonheur, c’est le plaisir


Mais c’est un rêve, une folie


Il n’y a pas de Youkali


Mais c’est un rêve, une folie


Il n’y a pas de Youkali

Dos populismos caseiros

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A peseudo-tragédia das candidaturas da autarquia portuense, com a pseudo-bravata de Rui Moreira contra as declarações de Ana Catarina Mendes, é uma pequena amostra, para quem ainda não quis ver, do que é o populismo dos tão propalados independentes.


 


Rui Moreira é mais um exemplo do nojo anti-partidário com tiques autoritários e trauliteiros, neste caso com a pronúncia do norte. É fantástico, muito sério e muito honesto e não precisa nada da peçonha partidária, com excepção dos votos, claro.


 


Manuel Pizarro é bom como cidadão, mas como dirigente do PS deve ser mantido a uma sanitária distância. Nada de lugares para os membros dos partidos, deles só necessita da campanha, da máquina de angariar votos e do trabalho posterior.


 


A responsabilidade é mesmo do PS, não por causa das observações de Ana Catarina Mendes que, mesmo que infelizes, não me parecem graves a nenhum título, mas porque prescindiu de assumir um candidato, mesmo não ganhador.


 


Espero que Manuel Pizarro se candidate autonomamente e que defenda as suas ideias e os votos no seu partido. A democracia sem partidos e com movimentos abrangentes e de cidadãos todos eles muito fantásticos, sérios e apartidários, é uma falácia que só quem não quer não entende. E talvez os portuenses o possam dizer nas urnas.

05 maio 2017

Do problema das retenções

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Não, não é da retenção de IRS, mas sim de fluidos. Ao contrário do que aprendi no curso de Medicina, por certo já muito desactualizado, agora todas as pessoas, mais as mulheres, claro, fazem retenção de líquidos, mesmo que não tenham qualquer tipo de insuficiência cardio-vascular, qualquer estado de mal absorção e/ ou hipoproteinémia, qualquer tipo de insuficiência renal.


 


A retenção de fluidos, conforme tenho aprendido nos últimos tempos, é qualquer coisa também ela muito fluida que nos faz aumentar de peso e que passa com a ingestão obsessiva de drenantes, outra palavra que começou a fazer parte do meu léxico. Portanto temos chás drenantes e líquidos drenantes, tudo para reter a retenção de fluidos, sejam eles quais forem. Também é preciso beber litradas de água que, paradoxalmente, acelera a drenagem dos ditos.


 


Para além das várias intolerâncias da humanidade, onde se destacam as recentíssimas intolerâncias ao glúten e à lactose, temos agora que ingerir chás de hibisco, alcachofra, gengibre e dente-de-leão, sumos detox com estranhas misturas de ervas e frutos, banir para todo o sempre o açúcar, deliciando-nos com doces que não têm doce, sobremesas sem açúcar e comendo muita gelatina, daquela dietética, queijo magro, manteiga que não é manteiga, pão das mais diversas farinhas, nomeadamente de farelo (lembro-me sempre que o meu avô compunha a comida dos porcos com farelo), com excepção absoluta do trigo, esquecer a existência da batata (a não ser que seja batata-doce, o novo milagre que cura todos os males do corpo), da massa e do arroz.


 


Portanto, para além de todas as culpas ancestrais que carregamos, as culpas da educação judaico-cristã, as culpas do escasso tempo livre que temos para a família e os amigos, soma-se agora a culpa de comer, porque não sabemos e porque estamos viciados em açúcar. Substituímos o silício pelos complicados e restritos menus a que nos obrigamos, tudo para acabar com a retenção de gordura, de açúcar e, principalmente, dos tais famigerados líquidos que teimam em acumular-se nos nossos martirizados organismos, mesmo depois de uma extremamente saudável sopa de couve-flor com orégãos e de uma saciante beringela gratinada com cogumelos.

03 maio 2017

Das declarações de princípios

Não sei se o facto de Mélenchon não apelar ao voto em Macron tem ou não influência nas pessoas que votaram nele na 1ª volta das presidenciais francesas. Também não sei se, caso ele apelasse ao voto em Macron, houvesse alguma diferença na votação dos seus eleitores.


 


Mas isso não me impede de considerar um erro histórico o facto de Mélenchon não fazer tudo o que é possível para derrotar Marine Le Pen, para que a expressão eleitoral dela seja a menor possível, para mobilizar todos os eleitores a votar na 2ª volta das presidenciais. E isso só se consegue votando em Macron.


 


É uma questão de princípios e de prioridades, da essência da escolha. Acho um tremendo erro. E espero sinceramente que o seu calculismo político não o venha fazer arrepender-se desta posição.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...