Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
04 fevereiro 2017
A Arte d(n)a Resistência
MoMA Takes a Stand: Art From Banned Countries Comes Center Stage
This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.
This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.
This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.
A partir de Yvette Centeno
29 janeiro 2017
Manual de despedida para mulheres sensíveis
Ser digna na partida, na despedida, dizer adeus com jeito,
não chorar para não enfraquecer o emigrante,
mesmo que o emigrante seja o nosso irmão mais novo,
dobrar-lhe as camisas, limpar-lhe as sapatilhas
com um pano húmido, ajudá-lo a pesar a mala
que não pode levar mais de vinte quilos
(quanto pesará o coração dele? e o meu?),
três pares de sapatos, um jogo de lençóis, o corta-vento,
oferecer-lhe a medalha que a Mãe usava sempre que partia
e que talvez não tenha usado quando partiu para sempre,
ter passado o dia à procura da medalha pela casa toda
(ninguém sai mais daqui sem a medalha, ninguém sai mais daqui),
pensar que a data escolhida para partir é a da morte da Mãe,
pensar que a Mãe não está comigo para lhe dobrar as camisas
e mesmo assim não chorar, nunca chorar,
mesmo que o Pai esteja a chorar, mesmo que estejam todos a chorar,
tomar umas merdas, se for preciso: uns calmantes, uns relaxantes,
uns antioxidantes para não chorar; andar a pé para não chorar,
apanhar sol para não chorar, jantar fora para não chorar, conhecer gente,
mas gente animada, pintar o cabelo e esconder as brancas,
que os grisalhos são mais chorões, dizer graças para não pôr também
os amigos a chorar, os amigos gostam é de nós a rir, ver séries cómicas
até cair, acordar mais cedo para lhe fazer torradas antes da viagem,
com manteiga, com doce de mirtilo, com tudo o que houver no frigorífico,
e não pensar que nunca mais seremos pequenos outra vez,
cheios de Mãe e de Pai no quarto ao lado,
cheios de emprego no quarto ao lado quando ainda existia Portugal.
É tanto o que se pede a um ser humano do século vinte e um.
Que morra de medo e de saudade no aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Mas que não chore.
28 janeiro 2017
Sessenta horas de trabalho por semana
Se dividirmos 60 horas por 7 dias (1 semana, incluindo sábado e domingo), verificamos que dá 8,5 horas por dia. Ou seja, o que Nuno Carvalho explica é que as leis laborais deveriam permitir que um colaborador pudesse trabalhar 8,5 horas por dia, sem sábados nem domingos, para a Padaria Portuguesa.
Se quisesse folgar ao sábado, poderia trabalhar 10 horas por dia, caso quisesse folgar sábado e domingo, poderia colaborar 12 horas em cada dia útil da semana. Claro que tudo isto sem pensar em horas extraordinárias.
Tudo isto é mesmo muito extraordinário.
Os mestres do fado
Confesso que fui um pouco apreensiva assistir a este espectáculo. O meu gosto pelo fado passa mais pela rotura que Alain Oulman, com Amália Rodrigues, dando significado e expressão às palavras e aos poemas para além da beleza da música e dos trinados da guitarra e da voz que a acompanha, que se apodera de quem ouve num sentimento de doce e melancólica tristeza, dispensando a compreensão racional. Por outro lado tinha muita curiosidade em relação ao fado tradicional de Lisboa e às casas onde ele se canta, a solo ou à desgarrada.
O grande auditório estava repleto. A minha primeira surpresa surgiu ao ouvir as vozes poderosas e potentes de fadistas com mais de 70 anos. De repente, aqueles anciãos e anciãs, de fatos completos e xailes com lantejoulas, em penteados mais ou menos armados, em cima de uns saltos mais ou menos absurdos, com mais ou menos facilidade de locomoção, adquiriram uma presença e uma dignidade difíceis de descrever.
O dedilhar da guitarra soberbamente tocada, com o respectivo acompanhamento da viola e do baixo, aos quais se juntou um quarteto de violinos, elevando-se com o arranque das vozes moduladas, penetraram no corpo e na alma num enlevo que muito se assemelha ao que acontece com as mornas ou com o flamenco. Percebo bem o fascínio que o fado exerce, sendo um êxito em países cuja compreensão da língua é nula mas que comungam na apreciação da música e da voz, da guitarra e da quase magia que se instala, como uma névoa de um ópio invisível.
Obrigada a estes Mestres - António Rocha, Artur Batalha, Filipe Duarte, Nuno Aguiar, Maria Amélia Proença, Maria Armanda, Maria da Nazaré e Cidália Moreira. Foi uma noite verdadeiramente surpreendente.
Desarrezoado amor, dentro em meu peito
Desarrezoado amor, dentro em meu peito
Tem guerra com a razão, amor que jaz
E já de muitos dias, manda e faz
Tudo o que quer, a torto e a direito.
Não espera razões, tudo é despeito,
Tudo soberba e força, faz, desfaz,
Sem respeito nenhum, e quando em paz
Cuidais que sois, então tudo é desfeito.
Doutra parte a razão tempos espia,
Espia ocasiões de tarde em tarde,
Que ajunta o tempo: enfim vem o seu dia.
Então não tem lugar certo onde aguarde
Amor; trata traições, que não confia
Nem dos seus. Que farei quando tudo arde?
Skoda - o carro musical
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...
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