28 janeiro 2017

Os mestres do fado

os mestres.JPG


 


Confesso que fui um pouco apreensiva assistir a este espectáculo. O meu gosto pelo fado passa mais pela rotura que Alain Oulman, com Amália Rodrigues, dando significado e expressão às palavras e aos poemas para além da beleza da música e dos trinados da guitarra e da voz que a acompanha, que se apodera de quem ouve num sentimento de doce e melancólica tristeza, dispensando a compreensão racional. Por outro lado tinha muita curiosidade em relação ao fado tradicional de Lisboa e às casas onde ele se canta, a solo ou à desgarrada.


 


O grande auditório estava repleto. A minha primeira surpresa surgiu ao ouvir as vozes poderosas e potentes de fadistas com mais de 70 anos. De repente, aqueles anciãos e anciãs, de fatos completos e xailes com lantejoulas, em penteados mais ou menos armados, em cima de uns saltos mais ou menos absurdos, com mais ou menos facilidade de locomoção, adquiriram uma presença e uma dignidade difíceis de descrever.


 


O dedilhar da guitarra soberbamente tocada, com o respectivo acompanhamento da viola e do baixo, aos quais se juntou um quarteto de violinos, elevando-se com o arranque das vozes moduladas, penetraram no corpo e na alma num enlevo que muito se assemelha ao que acontece com as mornas ou com o flamenco. Percebo bem o fascínio que o fado exerce, sendo um êxito em países cuja compreensão da língua é nula mas que comungam na apreciação da música e da voz, da guitarra e da quase magia que se instala, como uma névoa de um ópio invisível.


 


Obrigada a estes Mestres - António Rocha, Artur Batalha, Filipe Duarte, Nuno Aguiar, Maria Amélia Proença, Maria Armanda, Maria da Nazaré e Cidália Moreira. Foi uma noite verdadeiramente surpreendente.


 

Desarrezoado amor, dentro em meu peito

Sa_de_Miranda.png


 


 


Desarrezoado amor, dentro em meu peito


Tem guerra com a razão, amor que jaz


E já de muitos dias, manda e faz


Tudo o que quer, a torto e a direito.


 


Não espera razões, tudo é despeito,


Tudo soberba e força, faz, desfaz,


Sem respeito nenhum, e quando em paz


Cuidais que sois, então tudo é desfeito.


 


Doutra parte a razão tempos espia,


Espia ocasiões de tarde em tarde,


Que ajunta o tempo: enfim vem o seu dia.


 


Então não tem lugar certo onde aguarde


Amor; trata traições, que não confia


Nem dos seus. Que farei quando tudo arde?


 


Sá de Miranda

26 janeiro 2017

Tarantelle (Op. 6)


 Camille Saint-Saëns


Dolce Suono Ensemble


 

À beira do abismo

trump.jpg


Temo que estejamos à beira de um abismo e que nos recusamos a acreditar - estado de negação.


Donald Trump é perigoso, como se demonstra.


 

Da reconcertação social

Confesso que não entendo muito bem a razão pela qual, se o PS podia ter acertado previamente com o PCP e o BE a redução do pagamento especial por conta, insistiu na baixa da TSU. Ter-se-ia evitado toda esta embrulhada, em que ninguém sai muito bem.


 


Penso que é muito importante a renovação de um compromisso, plataforma, acordo, chame-se o que se lhe chamar, para cimentar o apoio parlamentar ao governo. A repetição de episódios destes vai minando a Geringonça e adivinham-se novos confrontos entre governo e parlamento.

22 janeiro 2017

Angola na era da pós-verdade

jornal de angola.png


José Ribeiro


 


 


(...) Portugal prepara-se para exercer uma interferência em massa nas eleições gerais deste ano em Angola. Com a ajuda de antigos colonos, servidores do apartheid, finança internacional, falsos jornalistas, canais televisivos e revolucionários de pacotilha, está em curso um plano diabólico. Talvez não fosse mau seguir as lições do passado e o exemplo de Trump. Deixem ser os próprios angolanos a decidir sobre os seus destinos!


 


Fantástico! Vale a pena ler este editorial de José Ribeiro no Jornal de Angola, um esteio do jornalismo livre e obviamente não alinhado com o totalitarismo reinante naquela democracia musculada.


 


Que tal uma série sobre os agentes secretos portugueses em Angola - Angola e o plano diabólico português.

...e em França...

primarias esquerda franca.jpg


 


Disputam-se hoje as primárias da esquerda (e não as primárias das presidenciais, como se ouve na RTP), com escassíssima afluência às urnas. Marine Le Pen a caminho do Eliseu.


 


marine le pen.jpe

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...