19 julho 2016

O ruído do tempo

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Desde que li O papagaio de Flaubert tornei-me assídua leitora de Julian Barnes.


 


O último livro deste autor é, como habitualmente, uma reflexão violenta e irónica sobre a relação entre os intelectuais, mais propriamente os artistas, a arte e o poder. Mas não só.


 


Julian Barnes usa Dmitri Shostakovich, um compositor russo que viveu as épocas da revolução russa, das duas Guerras Mundiais, do estalinismo, da ligeira abertura do regime com Nikita Khrushchov e de Leonid Brejnev, para discorrer sobre a humanidade, a nossa capacidade de resistir e de ceder ao poder ou a tudo o que nos é contrário e nos violenta em termos ideológicos ou morais, a forma como nos defendemos e justificamos, por aceitarmos aquilo que nos incomoda e revolta. A vida e os homens são feitos de cambiantes de tons e cores e todos somos capazes dos maiores heroísmos e das piores abjecções.


 


Numa escrita muito sintética e depurada, o autor encarna Shostakovich e conta a sua vida na Rússia soviética, que alternou períodos em que foi punido por escrever música que não agradava aos ideólogos estalinistas e ao próprio Staline, sendo afastado dos empregos e dos concertos, temendo pela sua vida e pela dos seus familiares e amigos, aguardando à noite, junto ao elevador da sua casa, que o viessem prender para o deportar e/ou matar, com períodos em que era bajulado e premiado pela nomenklatura, recebendo prémios e honrarias.


 


Shostakovich vive em sobressalto, depressão, ansiedade e negação de si próprio. Despreza-se e não se perdoa por aquilo que considera actos de cobardia - apoiar decisões e deportações lendo discursos ou assinando documentos que outros escrevem, negar apoio a quem, como ele, tinha caído em desgraça, como a última e ultrajante humilhação de se ter tornado membro do Partido Comunista da União Soviética, que tinha conseguido evitar até Khrushchov ter assumido o poder. Não poupa os intelectuais estrangeiros que se dão ao luxo de admirar a sociedade mais avançada do mundo porque nela nunca tinham vivido - Romain Rolland e Jean-Paul Sarte, por exemplo.


 


O ruído do tempo é muito mais que um romance, muito mais que uma biografia, sem ser nem um romance nem uma biografia. Nos tempos que correm em que assistimos impotentes ao ascender de ditadores, convém não nos esquecermos o que é viver num regime totalitário.

Da democracia que não o é

Turkey coup: 15,200 education staff suspended


 


Erdogan está a arrasar tudo e todos os que se lhe opõem ou opuseram. Um verdadeiro desastre, o que se está a passar na Turquia, e muito preocupante a nível global.

18 julho 2016

Um dos mais clássicos dos clássicos

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Rebecca - 1940


Alfred Hitchcock


 


Rebecca - um dos clássicos mais clássicos que existem, com toda a razão e sem qualquer desmerecimento.


 


Tudo é bom - o ambiente, a luz, a soturnidade, a irresistível melancolia, a sugestão do medo, os excelentes actores, contidos e bem orientados, a ingenuidade de Mrs. de Winter, a tristeza de Maxim, o à-vontade insolente de Favell, a fabulosa e sinistra Mrs. Denvers.


 


Foi o primeiro filme de Hitchcock que vi e fiquei irremediavelmente sua enormíssima fã. Devo ter visto todos os outros, mais de uma vez, aproveitando as reposições e os ciclos comemorativos. Lembro-me particularmente de um na Gulbenkian, em que vi pela primeira vez Os pássaros, e outro no Quarteto - A janela indiscreta ou A mulher que viveu duas vezes - numa sala pequena, com muitas cadeiras em relação ao enorme écran, que nos fazia torcer o pescoço como se fosse uma cena de animação.


 


O filme mantém todo o suspense de quem o vê pela primeira vez e o arrepio delicioso para quem gosta deste género. Um dos melhores de Alfred Hitchcock, baseado num livro de Daphne du Maurier, e um dos exemplos cinematográficos em que a personagem principal e omnipresente está totalmente ausente.

Sophisticated Lady


 Harry Carney


Duke Ellington and his orchestra

Sax barítono

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Harry Carney


 


Nada que te possa dizer


anula a traição da ternura nas palavras


a música com que descoso


linhas sem tempo que se escapam


pelos versos com que adoço


a curva do amor que ofereço.

16 julho 2016

Smooth


Santana & Rob Thomas


 


Man, it's a hot one


Like seven inches from the midday sun


Well, I hear you whisper and the words melt everyone


But you stay so cool


 


My muñequita,


My Spanish Harlem Mona Lisa


You're my reason for reason


The step in my groove, yeah.


 


And if you said, "This life ain't good enough."


I would give my world to lift you up


I could change my life to better suit your mood


Because you're so smooth


 


And it's just like the ocean under the moon


Well, that's the same as the emotion that I get from you


You got the kind of loving that can be so smooth, yeah.


Gimme your heart, make it real


Or else forget about it


 


Well, I'll tell you one thing


If you would leave it'd be a crying shame


In every breath and every word


I hear your name calling me out


 


Out from the barrio,


You hear my rhythm on your radio


You feel the turning of the world so soft and slow


Turning you 'round and 'round


 


Or else forget about it


Or else forget about it


Oh, let's don't forget about it


(Gimme your heart, make it real)


Let's don't forget about it (hey)


Let's don't forget about it (no oh no oh)


Let's don't forget about it (no no no oh)


Let's don't forget about it (hey no no oh)


Let's don't forget about it (hey hey hey)

Golpe e contra-golpe na Turquia

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O golpe de Estado na Turquia fracassou. Em marcha o contra-golpe - juízes e procuradores destituídos e detidos; há a hipótese de regresso da pena de morte.


 


Falhou um golpe mas o contra-golpe será vencedor - sangrento e com a justiça manietada e ao serviço do poder.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...