19 março 2016

Todos os dias

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Derek Wernher


 


Tantas palavras e juras


tantos beijos enviados


tantas virtuais canduras


tantos desejos cantados


 


nos dias das mães dos pais


dos avós tios e tias


e de todos os demais


membros de tantas famílias.


 


E eu aqui escondida


parca de braços e gestos


sem oferta derretida


nem abraços de afetos


 


lembrando tantas viagens


amor a quem tanto devo


apagado das mensagens


vivo nos versos que escrevo.

Sob medida


Chico Buarque & Simone


 


 


Se você crê em Deus


Erga as mãos para os céus


E agradeça


Quando me cobiçou


Sem querer acertou


Na cabeça


Eu sou sua alma gêmea


Sou sua fêmea


Seu par, sua irmã


Eu sou seu incesto


Sou perfeita porque


Igualzinha a você


Eu não presto


Eu não presto


 


Traiçoeira e vulgar


Sou sem nome e sem lar


Sou aquela


Eu sou filha da rua


Eu sou cria da sua


Costela


Sou bandida


Sou solta na vida


E sob medida


Pros carinhos seus


Meu amigo


Se ajeite comigo


E dê graças a Deus


 


Se você crê em Deus


Encaminhe pros céus


Uma prece


E agradeça ao Senhor


Você tem o amor


Que merece


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13 março 2016

Da Primavera Presidencial

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Temos dúvidas quanto a Marcelo Rebelo de Sousa? Sim, muitas, começando até pela estridência dos afectos e dos banhos de multidão.


 


Há, no entanto, uma refrescante descompressão na sociedade, que vê virar-se uma página que não sonhava possível há uns meses. Começou pela surpresa governamental para continuar na despedida de um Presidente totalmente alheado do sentir de quem mais sacrificado foi ao altar da austeridade e da crise, esquecendo o seu papel agregador, o poder da empatia e do conforto dos valores humanistas e de solidariedade.


 


Por isso não me caem os pergaminhos de esquerda se disser que gostei do discurso e dos folguedos da tomada de posse, que duraram 3 dias. Gostei do convite ao Presidente moçambicano e da ausência do angolano, gostei da cerimónia na mesquita, percebi bem a euforia no concerto da noite e do bairro do Cerco.


 


Na Assembleia Ferro Rodrigues foi excelente. Quanto às palmas dos deputados, o facto de se pertencer a um determinado partido não deveria levar a contradições: a ovação pela direita de um Presidente que deu voz a muito do que a esquerda defendeu, estando esta concentrada em demonstrar que, por ser a esquerda, não pode aplaudir alguém apoiado pela direita.


 


São este tipo de entendimentos do que é fazer política que afasta os cidadãos dos seus representantes. Tal como o prometido chumbo ao apoios financeiros à Turquia e à Grécia por parte daqueles que assumiram esse compromisso no governo anterior. Não é menos verdade que o BE e o PCP devem ponderar votar favoravelmente esses apoios precisamente por serem compromisso que Portugal, como um Estado soberano, assumiu perante os restantes países europeus.


 


A tomada de posse de um novo Presidente deve ser um momento solene da nossa democracia, ainda mais numa altura em que a mudança de protagonista pode ser muito importante para a estabilidade e a melhoria da confiança e da esperança no futuro.


 


Desejo muita sorte a Marcelo Rebelo de Sousa. Ela significará a felicidade de todos nós.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...